Internet é alternativa no interior em período eleitoral

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Por Juliano França

As eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, que aconteceram no dia 5 de outubro, não influenciaram apenas o dia a dia dos moradores das grandes cidades brasileiras. Pequenos municípios, como é o caso de Lebon Régis, a 356 km de Florianópolis, também registraram, de forma mais discreta, uma movimentação de políticos, comitês partidários e cabos eleitorais. Além disso, houve um fluxo de propagandas e de campanhas veiculadas através da internet e da rádio. É a partir dessas ferramentas que a população local tem a chance de ficar informada quanto as circunstâncias políticas, dado que não há sinal de emissoras regionais de televisão na cidade.

Para o professor de Sociologia Política da UFSC, Itamar Aguiar, o fato de não haver estações de tevê catarinenses em determinados municípios do interior, não significa que o eleitor não esteja preparado para escolher um candidato para votar ou até mesmo questionar o que está acontecendo no país. Isso se torna mais evidente quando se trata de veículos comerciais, pois há uma série de interesses particulares envolvidos. Ao citar a internet e, através dela, as redes sociais, o sociólogo sustenta que, com a ampla tecnologia que temos à nossa disposição, “não tem como não estar informado”. Como exemplo, Aguiar aponta as manifestações que aconteceram em junho de 2013, “amplamente divulgadas no meio digital”.

Com um posicionamento próximo, o acadêmico de Geografia da Uniarp e morador de Lebon Régis, Jonathan David, afirma que a não existência de retransmissoras, como a RBS ou qualquer outra emissora de tevê de Santa Catarina, não influencia o seu pensamento político, uma vez que existe a possibilidade de procurar conteúdos na web. David menciona que a rádio comunitária da cidade veicula, assim como na televisão, a propaganda eleitoral gratuita dos partidos políticos. Contudo, para o aluno, que já votou em outras duas eleições para presidente, isso não é o suficiente. “O ideal seria se as pessoas, em um senso de cidadania, montassem grupos para discutir as suas ideias com os candidatos ou com os seus representantes”, comenta. O estudante, que tem 24 anos, faz parte de um universo de 45 milhões de pessoas, formado por jovens entre 16 e 33 anos, que estão aptos a votar de acordo com o Instituto Data Popular.

Lebon Régis, no meio-oeste do estado, foi desmembrado do município de Curitibanos em dezembro de 1958. Atualmente, possui 12 partidos registrados no Tribunal Regional Eleitoral: PRB, PP, PDT, PT, PTB, PMDB, PR, PPS, DEM, PSB, PSDB e PSD. Estas siglas, não por acaso, estão entre aquelas que apresentam as maiores bancadas políticas, tanto no nível estadual quanto no plano nacional. A cidade, assim como outras no interior de Santa Catarina, nunca teve um representante seu como candidato nas eleições para os cargos que estiveram em disputa em 2014. Apesar disso, há uma série de políticos que, tentando eleger-se ou reeleger-se, visita o lugar ou tem cabos eleitorais por lá, conta Osvaldo Siqueira, ex-vereador e um dos mais influentes membros do PMDB local. “Os mais comuns são de Caçador, Joaçaba, Lages e Chapecó, mas candidatos de outras regiões do estado sempre vêm para Lebon Régis para reuniões com os filiados do partido e com os aliados políticos”, ressalta.

Colégio eleitoral oscila em anos eleitorais

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, o município de Lebon Régis tem 9.134 eleitores para uma população estimada em 12.091 pessoas, ou seja, ocupa a 102ª posição entre os 296 municípios de Santa Catarina. Se forem analisados os números de agosto de 2013, os quais apontavam para 9.230 pessoas com condições de votar, o número de eleitores em Lebon Régis diminuiu aproximadamente 1% em comparação com o ano anterior. No mesmo período, conforme o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população continuou crescendo. Outras 39 cidades catarinenses tiveram queda no número de eleitores no último ano. Se compararmos com os dados de 2012, ano em que aconteceram as últimas eleições, Lebon Régis perdeu 3,7% de sua população votante, uma vez que, naquele ano, o número chegava a 9.491 eleitores. Em contrapartida, em 2011, um ano antes das últimas eleições para prefeito, havia 8.669 eleitores na cidade. Percebe-se, portanto, que a participação do eleitorado é maior nas eleições municipais.

Uma das possíveis causas para a queda do número de eleitores é o envelhecimento da população. Isso porque, com base nos dados do IBGE, em 2010, 3,9% dos habitantes de Lebon Régis tinham 70 anos ou mais (parte da população que não é obrigada a votar). Em 2014, esse número oscilou para 6%, ou seja, a tendência é a expectativa de vida ser cada vez maior. De outro lado, o número de pessoas que tem menos de 18 anos (outra parcela que não vota) caiu de 28%, em 2010, para 25%, em 2014, caracterizando, assim, um menor número de crianças e de adolescentes vivendo no município. Já a população que precisa votar (entre 18 e 70 anos) era 67,6%, em 2010; subiu para 72,4%, em 2013; e caiu para 68,7%, em 2014. Em relação esta eleição, pode-se considerar que, embora a população de Lebon Régis continue crescendo, parte dela votou em outras zonas eleitorais.

Juliano - Gráfico 1

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