Pesquisas eleitorais: você confia?

Elas estão semanalmente na mídia e na boca do povo em discussões sobre sua confiabilidade. Nossa reportagem faz sua própria pesquisa para saber como anda a credibilidade dos resultados entre a população.

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Por Taynara Nakayama

Um entrevistador para você na rua e pergunta: – “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria?” E, em seguida, mostra um círculo com o nome dos candidatos e pede para que seja apontado o escolhido entre as opções. Durante aproximadamente três dias, funcionários de um instituto de pesquisas realizam essas perguntas circulando nas ruas ou procurando de casa em casa pessoas que se encaixem em características definidas pela amostragem da pesquisa (estado, cidade, bairro, faixa etária, sexo e grau de escolaridade). Em média, são entrevistados de mil a quatro mil brasileiros entre os 127 milhões de eleitores. Dias depois, o instituto publica o resultado e afirma, com uma margem de erro de 3% para mais ou para menos e 95% de confiabilidade, que o candidato X está em primeiro lugar.

Afinal, as pesquisas de intenção de voto são confiáveis? E os eleitores acreditam e se baseiam nelas para decidir o seu voto?

Os institutos de pesquisas afirmam que os resultados são confiáveis e que tudo é comprovado pelos cálculos estatísticos e metodologias definidas que eles mesmos disponibilizam em seus sites. O Ibope inclusive cita que todas as pesquisas feitas em ano eleitoral devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (ou nos Tribunais Regionais Eleitorais ou nos Cartórios Eleitorais). Em contrapartida, uma pesquisa realizada pela AGP Pesquisas Estatísticas, em São Paulo, mostrou que 68% dos entrevistados não acreditam na veracidade dos resultados das pesquisas eleitorais. Dezessete por cento afirmou que as pesquisas influenciam na sua decisão de voto.

Saindo às ruas para entrevistar eleitores para essa reportagem sobre a influência das pesquisas eleitorais na hora de decidir o voto, foi notável a dificuldade de encontrar uma pessoa que confiava totalmente nos resultados da estatística. Tentando variar a minha “amostragem de entrevistados”, conversei com estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, passei pelos pontos de ônibus da Trindade, parei o síndico e a zeladora do meu prédio, mandei mensagem no Facebook para os meus colegas de diversas faixas etárias. O resultado foram respostas como a da secretária do lar Angélica, 48 anos, “Espero os dias em que o Jornal Nacional diz os resultados de algumas pesquisas. Gosto de saber os números para ver se o meu candidato está entre os primeiros, quero que meu voto vença. Mas confesso que não entendo porque devo confiar nas porcentagens”.

Para Lucas Clemente, estudante de Engenharia de Automação, a complexidade da metodologia e os cálculos estatísticos também o levam a questionar as pesquisas: “Já entrei em alguns sites dos institutos e não me convenci dos métodos que utilizam nas pesquisas por amostragem. Como 2500 entrevistados podem representar todos os eleitores mesmo com a probabilidade de grupos sociais tendencionarem (sic) para o mesmo candidato?”. Lucas ainda brinca que não conhece uma pessoa que tenha sido entrevistada, o que não é o caso do estudante Felipe Soares: “Já fui entrevistado enquanto andava pelo centro. Depois fui pesquisar sobre como eram feitos os cálculos. Me convenci pela explicação baseada nas estatísticas. Mas não mudo meu voto de acordo com as pesquisas. Voto de acordo com a minha opinião e não no candidato que está ‘ganhando’”.

Uma das justificativas que muitos deram para não confiar nos resultados foi a possibilidade da manipulação dos números. “A pesquisa pode até ser verdadeira dentro da estatística, mas quem garante que o Ibope ou o DataFolha não manipulam os resultados já que essas pesquisas são encomendadas por partidos e pela mídia?”, diz Letícia Moura, estudante de Arquitetura. Para a técnica-administrativa Valdete Billota, a manipulação de resultados é um dos motivos para ela desconfiar: “Neste país, assim como muitas mentes e opiniões são manipuladas conforme o interesse de quem solicita essas opiniões, penso que não é diferente em pesquisa eleitoral. Não há como certificarmos se são fidedignas”.

Aparentemente, o desconhecimento de como é feita uma pesquisa, a complexidade estatística e o baixo número de entrevistados são motivos recorrentes que causam desconfiança nos eleitores. Nas pesquisas eleitorais de 2006, o DataFolha anunciava o presidente Lula como vencedor com 61% (contabilizando os brancos e nulos) e Geraldo Alckmin com 39%. Essa foi uma pesquisa realizada nas vésperas das eleições do segundo turno com 12561 eleitores. Já o Ibope apontava Lula com 55% dos votos e Alckmin com 33% em uma pesquisa feita com 46200 eleitores. O vencedor das eleições daquele ano foi Lula com 48,6% dos votos. Já nas eleições de 2010, o DataFolha anunciava na véspera do segundo turno Dilma com 55% (contabilizando os brancos e nulos) e José Serra com 45%. O Ibope mostrava Dilma com 56% e Serra com 44%. Dilma foi eleita com 56,05%. Os dois institutos erram mais nas porcentagens quando vemos o histórico das pesquisas para governador de São Paulo, mas acertam sempre no candidato vencedor.

Para o primeiro turno das eleições 2014 para presidente, ambos os institutos apontavam Dilma como primeira colocada e Aécio Neves e Marina Silva em segundo lugar com empate técnico. Dilma venceu com 41,59%; Aécio veio logo em seguida com 33,54% e Marina em terceiro com 21,31%. Em uma rápida pesquisa, se o entrevistador te perguntasse se dessa vez você confia que as estatísticas acertam, qual seria sua resposta?

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