Cai o número de jovens que vão às urnas

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Por Gabriel Neves

Os brasileiros com idade entre 16 e 17 anos não são obrigados a votar, mas podem participar. O que as pesquisas mostram, porém, é que os adolescentes estão menos dispostos a ir às urnas nos últimos anos.

De acordo com dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, o número de eleitores no país passou de 135.804.433, em 2010, para pouco mais de 142 milhões em 2014 – um crescimento de 5,2% com relação à última eleição presidencial. Porém, o eleitorado entre 16 e 17 anos diminuiu neste ano, de 2,4 milhões em 2010, para 1,6 milhão. O que representa uma queda de 33 %.

Em Florianópolis o cenário não é diferente. Dos 12 mil jovens existentes na capital, apenas 1.539 possuem o título de eleitor, ou seja, 12% desse eleitorado, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina. Marco Aurélio Fevereiro, chefe de cartório da 101º zona eleitoral, conta que os pedidos do título de eleitor vêm diminuindo há algum tempo. “Os mais jovens só fazem o título quando têm alguma necessidade para algum outro ­documento, para matrícula de faculdade, exército, primeiro emprego. São poucos os que vêm aqui porque entendem que querem votar por ser importante. Eles necessitam do título para alguma coisa”, explica.

Os recentes escândalos de corrupção, do envolvimento de políticos em propina e o superfaturamento de obras públicas são uns dos exemplos que faz com que o eleitor jovem se afaste das urnas. “Eu votei com 16 anos para prefeito. Achei que o meu voto seria bom e importante. Hoje eu já não penso tanto assim. Acho que tem muitos interesses partidários envolvidos nas eleições além da votação”, diz a estudante Bruna de Sá, hoje com 18 anos.

No final do mês de agosto, uma pesquisa feita pelo instituto Datafolha apontou que 76% dos eleitores com idades entre 16 e 24 anos afirmaram ter algum interesse pelas eleições. Desse total, 30% disseram ainda que têm um grande interesse. Outra pesquisa do instituto Data Popular, mostrou que 70% dos jovens acreditam que o voto pode mudar o país, mas 59% opinaram que o Brasil estaria melhor se não existissem os partidos políticos.

Essa vai ser a primeira eleição após os protestos de rua que movimentaram o país em junho do ano passado e que trouxeram à tona a força das redes sociais como o instrumento político de comunicação. Em entrevista à Folha de São Paulo, o cientista político da Universidade de São Paulo (USP) José Álvaro Moisés falou sobre o assunto. Ele acredita que o fato dos jovens terem ido às ruas nas manifestações de 2013 anula a justificativa de que eles não se interessam pela política. “Eles estão deixando de votar, mas estão indo para a rua. Não é que eles não queiram participar. É que, provavelmente, o sistema não está suficientemente aberto para mobilizá-los e trazê-los para dentro do sistema”, explica.

O direito de voto de quem é menor de idade é tão jovem quanto essa classe eleitoral. Foi na Carta Magna de 1988 que, depois de diversas constituições, o país teve mais uma, e não importante, parcela de voto. A juventude conquistou esse direito, mas ainda não o exerce em sua plenitude.

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