Centro nervoso

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Por Bruna Silva

A pintura rosa da casa número 214 da Rua Major Costa, no centro de Florianópolis, está descascando. O portão fica permanentemente aberto durante dez horas, todos os dias; e das 9h às 19h pessoas entram e saem sem parar, carregadas de panfletos e santinhos ou se desdobrando para transportar placas e cavaletes. Em um dos carros de campanha estacionados em frente à casa, o motorista dorme. Embaixo do veículo, um cachorro olha entediado para a pequena varanda da casa onde um homem anda de um lado para o outro, falando ao telefone. O entra e sai ininterrupto, frenético, tem uma explicação muito simples: as eleições são dali a dez dias.

A casa antiga, em frente ao Hospital Lara Ribas da Polícia Militar, é o comitê do PCdoB em Santa Catarina há dez anos. Ou, como quem ali trabalha gosta de chamar, “o centro nervoso” da campanha. O partido tem dez candidatos na disputa aos cargos estaduais, mas a grande missão, todos admitem, é eleger Angela Albino deputada federal. A florianopolitana de 45 anos, mãe de dois filhos, atual deputada estadual que foi candidata à prefeitura da capital catarinense em 2012, concorre com outros 126 candidatos a uma das 16 vagas que o estado tem na câmara em Brasília. Apesar da concorrência forte, que inclui César Souza, pai do atual prefeito de Florianópolis, o ex-governador Esperidião Amin e o ex-prefeito de Blumenau João Paulo Kleinubing, aqueles que trabalham no comitê da candidata acreditam na vitória. E é por isso que muitos deles ficam na casa rosa até 1h, 2h da manhã, repassando estratégias, estudando pesquisas, prestando contas.

É fim de tarde de uma sexta-feira, e duas reuniões acontecem ao mesmo tempo. Na recepção, chá verde e cafezinho estão à disposição daqueles que esperam. O chá não agrada, e um diz para o outro que vale apostar no café. Na mesa da recepcionista Débora, vários montinhos de panfletos cuidadosamente arrumados voam com o vento sul que entra pela janela. Enquanto ela vai ao banheiro, o telefone toca e dona Raquel, uma senhora de mais de 70 anos que começou a vida política durante a ditadura, atende, conversa, resolve o problema. Ela está só de passagem pelo comitê nessa tarde. Com uma bandeira na mão e adesivos no peito, Raquel conversa com o pessoal da comunicação sobre a caminhada dos militantes do PT que irá começar dentro de alguns minutos em frente à Catedral. O PCdoB apoia a presidente petista Dilma Rousseff na sua luta pela reeleição ao cargo mais importante do país.

A recepcionista olha para a porta e se ajeita na cadeira. Matheus Felipe de Castro, o candidato mais promissor do partido ao cargo de deputado estadual, entra no comitê. Professor Matheus, como é conhecido e está registrado no TSE, veste jeans largos, camiseta polo vermelha e calçado esportivo. Ele cumprimenta as três pessoas, dois homens e uma mulher, que aguardam na recepção da casa rosa. Diz que está só de passagem, tem que ir, “fazer campanha”. O professor, que é professor mesmo, na UFSC, e também advogado, tem um sorriso largo e aperto de mão forte. Conversa com a mulher que está sentada sobre a importância do jovem para o partido. Ele, que tem 39 anos, começou sua carreira política no movimento estudantil da União da Juventude Socialista. Matheus conta que visita o comitê de duas a três vezes por semana.

O vento sul que há pouco fez voar os panfletos amontoados sobre a mesa da recepcionista Débora agora ameaça um cavalete de um metro e meio, no lado de fora da casa, que traz os rostos sorridentes das duas grandes apostas do PCdoB nas eleições de 2014. A cada sopro, o vento fecha o cavalete um pouco mais. Está prestes a cair. Mais um sopro. Equilibra-se. Outro. Cai, e o barulho chama atenção de um homem que está na varanda. “Viu a nova pesquisa?”, pergunta ele depois de reerguê-lo. “A Ângela aparece com 70, 75 mil votos. Para se eleger, precisa de mais de 80 mil”. Naquela tarde, a candidata não pôde ir ao comitê pois estava em uma caminhada no norte da Ilha, em Canasvieiras. Não que a presença dela fosse necessária; trabalhando por um objetivo compartilhado, todos ali pareciam saber o que fazer. “Na verdade, dizem que com um pouco menos de 80 mil votos já é possível”, completa o homem, como que para se convencer. As eleições são dali a dez dias.

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