Eleições em cliques e curtidas

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A importância das redes sociais no novo cenário político nacional

Por Gabriel Lima

“O mundo se comunica pelas redes sociais, nas eleições não poderia ser diferente”. A frase do ministro do TSE, João Otávio de Noronha, quando tomou posse no dia 1º de setembro, é reflexo de um novo momento na política brasileira. Um momento em que a internet e as redes sociais atuam como protagonistas, seja para o bem ou para o mal.

As redes sociais estão presentes no cotidiano do brasileiro, que é o segundo mais ativo nessas plataformas, perdendo apenas para os Estados Unidos. São 76 milhões de usuários no Facebook e 41 milhões no Twitter, segundo dados do Ibope/Nielsen Online divulgados em fevereiro desse ano. Outro fator importante é a popularização dos smartphones, que hoje estão nas mãos de mais de 20% da população das classes C e D.

No Brasil, as redes sociais incorporaram a política nas manifestações de junho do ano passado. De forma inédita, a população organizou-se com auxílio das plataformas online e saiu às ruas do país para protestar, chegando a reunir um milhão de pessoas no dia 21 de junho. Algo surpreendente, principalmente levando-se em conta que a massa não organizava grandes atos políticos desde o Movimento dos Caras-Pintadas, em 1992.

Para Gustavo Henrique, estudante de Engenharia Elétrica, as redes sociais aproximam a política dos jovens, que geralmente não se importam com tais assuntos. “Não gosto de assistir TV, mas estou sempre conectado no Facebook. Antes só via política nos outdoors e panfletos. Agora a política vem até mim quando meus amigos curtem ou compartilham algo sobre as eleições. Pela primeira vez eu conheço mais de três candidatos à presidência”.

Marina Bittencourt é publicitária e responsável pelas redes sociais de um candidato a deputado estadual em Santa Catarina. Segundo ela, o espaço das redes sociais pode ser utilizado para diferentes formas de divulgação. Fotos com apoiadores, apresentação de propostas e vídeos de campanha são os posts mais frequentes. “Precisamos engajar os nossos eleitores com conteúdo que demonstre apoio e convide a comunidade a nos apoiar também. Cada curtida e compartilhamento é muito importante em nossa campanha online”.

Nas eleições presidenciais, as redes sociais também exercem grande influência. Desde o início da campanha, em julho, até o fim de setembro, o Facebook contabilizou 58 milhões de posts relacionados às eleições. Segundo dados da ferramenta Ibope – Redes Sociais, o pico de postagens nas redes foi durante os debates da TV Record e TV Bandeirantes, mostrando que boa parte do público acompanha os programas eleitorais e utiliza as redes para repercutir as suas opiniões.

Mas quem não acompanha com frequência a corrida eleitoral também se informa pelas redes sociais. Marlise Schlingmann, 57 anos e costureira, conta que viu a declaração polêmica de Levy Fidelix, realizada durante o debate presidencial da TV Record, no Facebook. “Uma amiga lá da firma compartilhou indignada o vídeo de um debate político. Nem conhecia o candidato, mas olhei por curiosidade. Fiquei pasma com o que ele falou. Acho que todos os eleitores deveriam assistir a esse vídeo”.

As redes sociais também ajudam os candidatos a manter o seu eleitor informado e conseguir mais engajamento nas redes. Desde o início da campanha até o fim de setembro, a presidente e candidata Dilma Rouseff saiu de 2,3 milhões para 2,7 milhões de seguidores no Twitter, enquanto Marina Silva passou de 906 mil para 987 mil seguidores e Aécio, que tinha apenas 32 mil seguidores, hoje tem 90 mil. Os dados são da ferramenta Ibope – Redes Sociais.

No entanto, estar nas redes não garante sucesso, segundo Marina Bittencourt. “Elas são mais eficientes em eleições presidenciais. Nas proporcionais, as redes sociais aproximam o eleitor de seu candidato, mas são poucas pessoas fora da base que se manifestam. O fato de ser um candidato pouco conhecido também dificulta, já que candidatos populares ganham apoio com mais facilidade e têm mais dinheiro para investimentos, que pesam até em campanhas na internet”.

Além disso, as redes sociais ainda têm outras limitações. A 1ª Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 aponta que 47% da população acessa a internet, e apenas 26% o faz diariamente. Além disso, o fluxo constante de informações facilita a proliferação de boatos, geralmente publicados em pequenos blogs e noticiados como fatos. Isso influencia diretamente na campanha, já que muitas vezes o candidato tem que usar seu tempo de TV para desmentir boatos ao invés de apresentar propostas.

Com defeitos ou não, as redes sociais tendem a estar cada vez mais presentes nas eleições nacionais. Em 2016, por exemplo, os pré-candidatos poderão fazer propaganda antecipada na internet, desde que não haja contratação de pessoas para publicar mensagens com ofensas a candidato ou partido. Ou seja, quem dará a largada para as próximas eleições e, quem sabe, possa decidi-las, são as redes sociais.

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