Em ano eleitoral gráficas têm maior movimento, mas reclamam de ganhos reduzidos

Leisilie_graficas

Leisiliê Caroline da Silva

Ano de eleição, candidatos a mil por hora procurando apoio para se eleger, formas de se divulgar e o Estado fica pequeno quando o assunto é ser eleito. As principais e mais clássicas formas de propaganda, além da televisão e do rádio, são os santinhos, cartazes e bandeirões. E é aí que entram as gráficas offset, elas são os principais responsáveis para que as campanhas decolem. Durante os meses que antecedem as eleições, a procura aumenta e, consequentemente, o número de funcionários, as horas de trabalho, e principalmente, o lucro também crescem. Dependendo do tamanho da empresa e do número de candidatos na região, o aumento dos ganhos varia. O valores podem subir de 10% a 20% em estabelecimentos menores e de 20% a 30% nos maiores.

João Cardoso, proprietário da gráfica Continente, observa que nessa época tanto em sua empresa como em muitas em Florianópolis, os rendimentos chegam a triplicar em comparação com os outros meses.  A gráfica Agnus, de São José, passou a trabalhar 24 horas por dia para que os pedidos pudessem ser entregues no prazo. Eduardo Ouriques, que trabalha na Agnus, ainda afirma que “não basta apenas ser uma gráfica offset para que o lucro aumente, a empresa também precisa ser bem equipada, pois só assim ela consegue ganhar dinheiro com a campanha”. Além disso, outro fator importante, é a conquista ou não dos clientes aspirantes aos cargos políticos. “A preocupação nas gráficas é sobre as promessas, e quando acaba a eleição e o candidato que atendemos não se elege, fica difícil receber”, declara Eduardo.

O aumento dos ganhos com as campanhas políticas é evidente, mas alguns elementos têm contribuído para os lucros, aos poucos, diminuírem. Maior concorrência, menores preços, verba disponível para campanha, abrangência de público eleitor, proibição de algumas propagandas são alguns deles. A verba para publicidade dos candidatos varia, um exemplo seria o caso dos candidatos de cidades menores, como o candidato a deputado federal, Jean de Liz. A maior parte de seu material para divulgação é por conta própria, podendo ter recursos próprios ou de doações de pessoas físicas ou jurídicas.

Outro fator influente no número de propaganda produzida é a abrangência de público eleitor que o candidato tem na região. “O Jean tem trabalhado apenas no Alto Vale, uma região de cerca de 200 mil eleitores, desta forma a produção de material é feita com base nesses dados”, afirma Felipe Batisti, assessor do candidato. Já o dinheiro vindo do próprio partido para auxiliar os candidatos, seria para um material mais geral, pois existem vários candidatos dentro de um só partido. Ainda segundo o assessor, “não existe uma fórmula correta, tudo varia conforme o andar da campanha e o candidato”.

A proibição de alguns tipos de propaganda também influenciou na redução dos lucros das gráficas. Conforme determina a legislação, é vedada a propaganda eleitoral por meio de outdoors, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, as coligações e os candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de R$ 5.320,50 a R$ 15.961,50 (Lei nº 9.504/97). Portanto, nas eleições deste ano, os candidatos estão proibidos de utilizar outdoors em suas campanhas. E para as campanhas de 2016, já serão vetadas também a utilização de cartazes.

Com a ascensão da internet, os candidatos além de utilizarem os clichês santinhos e banderões, passaram também a procurar, cada vez mais, os recursos da do meio de comunicação para se promover. Principalmente pelo fato de a grande maioria de seus eleitores estarem conectados a ela, como também por não terem restrições quanto a divulgação até as 22 horas do dia anterior ao da eleição de fato. Já que os candidatos não poderiam controlar uma informação depois que esta foi disseminada na internet.

E por último, outro fator que contribui para a limitação dos rendimentos é o aumento da concorrência. Com cada vez mais frequência são abertos novos estabelecimentos e a procura do menor preço para oferecer aos novos clientes é maior. A famosa lei da oferta e da procura se faz presente. E com menores preços e tantas empresas produzindo, o lucro em cada gráfica acaba reduzindo.

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