Propaganda eleitoral dificulta atividades das emissoras de rádio

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Por Valdori Santos

Radialistas da região da Grande Florianópolis reclamam do excesso de atividades e das dificuldades operacionais, no período de transmissão da propaganda eleitoral gratuita. Aqueles que atuam em emissoras comerciais são os que mais sentem a sobrecarga de atividades, muitas vezes fora dos seus horários de trabalho. Os profissionais das emissoras educativas e comunitárias não ficam de fora dessa situação, pois elas também são obrigadas a veicular a propaganda eleitoral gratuita.

Um dos principais desafios das emissoras é ajustar a grade de programação para cumprir com as exigências da Lei das Eleições nº 9.504/97. Mesmo sabendo dos problemas operacionais que ocorrem nessa época, poucas delas contratam novos funcionários para viabilizar as demandas de atividades geradas pela propaganda eleitoral. Como esse trabalho extra é repassado pelas emissoras aos seus colaboradores, a sobrecarga de tarefas diárias aumenta de maneira considerável.

Antes do período eleitoral, muitas emissoras preparam alguns dos seus profissionais para gerenciar a grade de programação, durante o horário político obrigatório. Mesmo com treinamento, a carga de atividades aumenta e provoca cansaço e estresse nos colaboradores. O coordenador da Rádio Guarujá AM de Florianópolis, radialista Luiz Carlos Silva, reclama que nesse período os ânimos se acirram e os colegas ficam com receio de errar. “É um problema! Como a lei é rigorosa, não podemos vacilar, porque senão sobra para todos nós. Para nossa sorte, contamos com um editor de áudio competente, com mais de 20 anos de experiência, o qual nos transmite um pouco de tranquilidade”, destaca Silva.

Profissionais enfatizam que são obrigados a reprogramar a grade de programação, com a finalidade de encaixar a propaganda eleitoral. Muitas vezes é necessário reduzir parte do conteúdo e até mesmo retirar inserções comerciais causando, dessa forma, insatisfação a ouvintes e patrocinadores. Para o coordenador da Rádio Band FM de Florianópolis, radialista Sérgio Ratto, esse momento quebra o ritmo de qualquer emissora. “A pressão é grande de todos os lados. Esse período desmonta a sequência da nossa programação. Os ouvintes da Band reclamam, mas procuramos explicar a eles que a culpa não é nossa. A rádio é obrigada a cumprir com a lei eleitoral”, salienta Ratto.

Para não infringir a Lei das Eleições, as emissoras educativas se organizaram com objetivo de dar suporte à grade de programação. O coordenador da Rádio Educativa Udesc FM de Florianópolis, jornalista Paulo Roberto Santhias, conta que teve de retirar do ar o jornal matinal e mais alguns programas jornalísticos. Também teve que remanejar a equipe do jornalismo para trabalhar em função dos ajustes do horário eleitoral. “Fui obrigado a deslocar a equipe de produção de conteúdos jornalísticos para trabalhar na grade de programação até o término da propaganda eleitoral. Dessa forma, ficamos sem apresentar o Jornal Udesc e outros programas da área do jornalismo”, enfatiza Santhias.

Para evitar futuros problemas com a justiça eleitoral e até mesmo com a justiça trabalhista, algumas emissoras admitiram profissionais temporários para dar suporte à programação. É o exemplo da Rádio Guararema AM de São José, que contratou um editor de áudio para trabalhar somente no período do horário eleitoral. O coordenador da emissora, radialista Cláudio Rodrigues, explica que não foi fácil encontrar uma solução para suprir a falta desse profissional. “No início, repassei esse trabalho para um dos editores de áudio, mas ele reclamou que se continuasse aquela pressão toda iria pedir demissão. Como nosso quadro de funcionários é reduzido, tive que convencer a direção da emissora a contratar um editor com exclusividade para cuidar da propaganda eleitoral”, destaca Rodrigues.

Por outro lado, coordenadores e colaboradores das rádios comunitárias são os que mais reclamam do horário político. Mesmo sendo obrigadas por lei a transmitir a propaganda eleitoral, as comunitárias não fazem parte da lista das emissoras que usufruem do retorno financeiro. Para o coordenador da Rádio Comunitária São Francisco FM de Palhoça, radialista Marcos Pereira, isso é uma atitude injusta contra a categoria. “Os funcionários reclamam com razão sobre o excesso de trabalho. Nós não temos condições de contratar ninguém para tapar esse buraco gerado pelo horário obrigatório. Já as demais emissoras que fazem parte do bolo, de acordo com a lei, podem deduzir o espaço ocupado pela propaganda eleitoral em até 80% de imposto de renda”, explica Pereira.

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