Táticas diferentes: Como o ND e o DC estão cobrindo as eleições

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Por Luiz Gabriel Braun 

Florianópolis possui dois grandes jornais: o Notícias do Dia (ND) e o Diário Catarinense (DC).  O primeiro foi criado há nove anos, como um periódico que não tinha matérias de política ou economia – muito semelhante a outro da capital, o A Hora de Santa Catarina – , mas, após uma mudança de perfil que começou na edição de Joinville, que não aceitou bem essa característica, abandonou a faceta popular. Pertence ao grupo RIC, afiliado da Rede Record. Já o DC foi fundado em 1986, sendo o último projeto idealizado pelo fundador da RBS – afiliada a Rede Globo – Maurício Sirotsky. É o jornal de maior tiragem e de mais ampla circulação no estado. Apesar de serem de grupos diferentes e da distância de 13 km que separa as suas sedes – ND fica no Morro da Cruz e o DC é próximo ao Floripa Shopping – os dois possuem a mesma missão de cobrir a Copa do Mundo da editoria de política, as eleições.

Assim como se falava muito do mundial desde o começo do ano, o Diário já monitorava o assunto das eleições. Em maio, quando os partidos e candidatos estavam em negociações, a cobertura aumentou. A editora de política Mayara Rinaldi disse: “Se você recuperar no site as matérias sobre as convenções, vai ver como foi quente nos bastidores, bem mais quente do que está sendo a campanha.” Mas, com a chegada da Copa em 12 de junho, esse tema começou a ser momentaneamente deixado de lado. Grandes mudanças estavam para acontecer no jornal em agosto: no dia 4, o presidente executivo da RBS Eduardo Sirotsky anunciou a demissão de 130 funcionários da empresa ligados ao impresso e, no dia seguinte, o DC passou a ter um novo projeto gráfico.

As alterações tiveram reflexo enorme na editoria de política, porque ela, basicamente, deixou de existir. Uniu-se a segurança, economia, geral e mundo para formar duas novas: “Notícias” e “Sua Vida”. Agora, não há mais a obrigação de haver matérias desse tema diariamente. Ou seja, há dias em que podem ser publicadas três ou quatro páginas repletas de notícias de política, e outros, nenhuma sequer. A média diária, segundo Mayara estima, é de uma – número inferior a outros anos. Outro fator que tem contribuído para a redução é o fato de que o limite de páginas por edição diminuiu de 64 para 48. O foco da equipe passou a ser assuntos que terão grande repercussão. Para a versão online do primeiro jornal informatizado da América Latina, são produzidos materiais exclusivos, como entrevistas interativas e vídeos.

Já o ND, onde editorias tradicionais ainda existem, desde o dia 16 de agosto – três dias antes de começar a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão -, está repetindo uma fórmula que deu certo para o Mundial ao tratar de eleições e publica, diariamente, um caderno especial sobre o tema. Uma equipe de quatro repórteres tem a meta de gerar conteúdo para oito páginas, podendo ter o número dobrado nos finais de semana. Além deles, profissionais de outras editorias devem ajudar a cumprir as demandas – principalmente quando o tema abordado é relativo à sua. A existência do especial, no entanto, não exclui a presença de matérias de política no corpo da publicação. Por exemplo, a notícia de que o presidente da Alesc, Romildo Titon, virou réu no caso da Operação Fundo do Poço foi publicada no dia 18 de setembro no caderno principal do jornal e, no dia seguinte, as repercussões que isso poderia causar nas eleições (já que o próprio Romildo buscava se reeleger) foram pauta do suplemento.

O grande diferencial desse caderno em relação ao todo da publicação está na sua diagramação diferenciada, que usa de muitos espaços em branco e elementos como infográficos, fotos e gráficos para chamar a atenção do leitor. Segundo o editor Altair Magnanin, o suplemento é dessa forma para facilitar um tema complicado, o que aumentaria o interesse do leitor. Outra característica é que não possui anúncios. Altair brinca que só deixa entrar propaganda quando não tiver matéria para preencher o espaço.

O caderno deve continuar dessa maneira até perto dia 10 de outubro, uma semana depois das eleições, se não houver segundo turno para governador – se houver, continua até o posto ser definido. A partir daí, há duas opções: ou ele migra para o corpo do jornal ou tem o seu número de páginas reduzido até os editores acharem que não há mais nada a se dizer sobre esse tema.

No final da entrevista, Altair Magnanin fez uma avaliação da cobertura do Notícias do Dia. Disse que o resultado final poderia ser melhor, mas que o trabalho vem sendo gratificante e desafiador, já que nunca o jornal havia publicado um caderno assim. Nota oito. Mayara Rinaldi não avaliou a cobertura do DC, por falta de tempo para responder, mas analisou as eleições como um todo: “Temos a sensação que a campanha está menor que em outros anos. Vemos pouca na rua, nos faz parecer que o clima eleitoral não é tão intenso. Também porque a tendência é de vitória (de Raimundo Colombo) no primeiro turno. Agora é que o clima está ficando mais acirrado na propaganda eleitoral.” E assim como em copa, não importa quem estiver em campo disputando partidas – ou votos -, a torcida é sempre pelo Brasil.

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