Persistência transforma a vida de mulher do interior catarinense

Por Valdori Santos

 A filha de agricultores, Rosemere Mossmann, 38 anos, natural de Joaçaba, casada, mãe de dois filhos, moradora de Florianópolis desde 1984, voltou à escola com a intenção de mudar a sua vida. A retomada dos estudos começou em 2005, quando se matriculou na Educação de Jovens e Adultos (EJA). A meta da joaçabense era concluir o ensino médio e depois cursar a faculdade de Serviço Social.

Rosemere conta que parou de ir ao colégio, aos 15 anos, por falta de condições financeiras da família, depois de ter concluído a oitava série do ensino fundamental, na rede pública municipal de Florianópolis. Mesmo assim, sempre manteve a vontade de estudar. “Em toda minha vida, o ensino esteve em primeiro lugar. Desde quando eu era mais nova, o aprendizado já era visto como ferramenta fundamental para minha ascensão na sociedade. Nada mais era tão importante quanto adquirir conhecimentos”, enfatiza.

Em Florianópolis, no final da década de 1980, completou o ensino básico. Aos 15 anos, o trabalho e a busca pela sobrevivência afastaram Rosemere da sala de aula. Ela explica que foi nessa época que surgiu a necessidade de ajudar sua família. “Passávamos por uma grande crise financeira. Foi quando eu aprendi a bordar. Isso foi bom, porque já comecei a ter o meu próprio salário, a ajudar em casa. E o bordado na época estava em alta e rendia bastante. Então parei de estudar por motivo do trabalho, muito contra a minha vontade”, destaca.

Ao longo do tempo, por consequência da atividade de bordadeira, Rosemere acabou desenvolvendo um problema na coluna. A experiência a fez refletir sobre sua qualificação para o mercado de trabalho em outra função. Este cenário fez a filha de agricultores analisar sua volta ao banco escolar. “Então eu comecei a refletir: poxa, já pensou se depois eu não conseguir continuar trabalhando, pois agora eu parei de ir ao colégio, o que vai ser da minha vida?”, salienta.

Mesmo diante da baixa escolaridade dos pais agricultores, sempre procuravam incentivá-la para que continuasse estudando. “Meu pai e minha mãe diziam que outra coisa eles não poderiam dar para seus filhos que não fosse o saber. Eu sempre tive o incentivo deles para continuar em busca da minha meta, porque gente de família humilde não tem condições de seguir outro caminho melhor. A não ser fazer uma faculdade para conseguir uma futura profissão e melhorar as condições financeiras”.

Para Denise Pereira, vizinha de Rosemere, é possível perceber, durante esses nove anos que convive com ela, a alegria de retornar à escola. Agora, além de trabalhar e estudar, ela encontra tempo para realizar atividades na comunidade onde mora, no Saco Grande. “A Rose sempre fez trabalhos voluntários. Sempre participa do conselho comunitário, das atividades da igreja e dos esportes. Ela gosta muito de trabalhar em prol da sua comunidade”, afirma Denise.

O pedagogo João da Silva, casado com Rosemere há 15 anos, é testemunha da difícil trajetória de sua esposa. Ele explica que quando ela concluiu o ensino médio, em 2007, logo começou a refletir sobre a possibilidade de ingressar em um curso superior. Entretanto, foram muitos os problemas em sua vida, que interromperam várias vezes seu planejamento. “A Rose começou a pensar no depois, no que poderia fazer. Como trabalhava com atividades comunitárias, já havia passado por sua cabeça estudar futuramente para ser assistente social”, enfatiza João.

Depois de pesquisar sobre as funções de uma assistente social, Rosemere finalmente ingressou em uma faculdade particular, em 2008, no município de São José, na modalidade de Educação a Distância. A sua situação naquele momento influenciou na escolha do curso. “Optei por ele, mediante minhas condições financeiras. Não tinha como fazer o presencial. No início, fiquei um pouco preocupada sobre a qualidade do ensino a distância. Mas depois que comecei a estudar, tirei essa dúvida, porque esse tipo de conhecimento exige autonomia”, destaca.

A filha de agricultores do interior de Santa Catarina se formou em 2013, no curso de Serviço Social. Rosemere trabalha, atualmente, como assistente social numa Organização Não Governamental (ONG), na região da Grande Florianópolis, em comunidades carentes. Agora ela pretende estudar mestrado e depois doutorado, na Universidade Federal de Santa Catarina.

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