Presença dos bombeiros nas redes sociais agiliza o trabalho jornalístico

“21/11/2014 – 20h22min – #incêndio local Pedra De Listra, Saco Grande, #Florianópolis, descrição: incêndio em ônibus”.

Simone_Twitter - Reprodução arcanjo

Por Simone Feldman

Uma publicação como esta, no Twitter @CBMSC193, é o suficiente para agitar toda a redação de um jornal. Alguém vê, lê a publicação em voz alta, envia para o email interno… Alguns desacreditam, mas é irredutível: está no @CBMSC193. Como a ocorrência é no mesmo bairro que o prédio do jornal, uma pessoa vai até a janela e confirma: “Tem cheiro de fumaça!”. A essa altura um fotojornalista e um repórter já estão a postos. Rapidamente eles anotam o endereço, pedem um ponto de referência e correm atrás da pauta. Saem do prédio às 20h30.

Após 14 minutos uma notícia de três parágrafos é publicada no site do jornal, utilizando as informações repassadas pela Polícia Militar e pelos Bombeiros através do telefone. Também por esse meio o repórter que está na rua atualiza as informações para o colega na redação. Em menos de meia hora a matéria é complementada e ganha uma imagem (enviada pelo fotojornalista através do WhatsApp). Antes de a ocorrência completar uma hora, a publicação no Facebook do jornal já tem 339 curtidas, 157 compartilhamentos e dezenas de comentários. Antes de completar duas horas, já circulava na internet um vídeo gravado pelo repórter, registrando o início do trabalho dos Bombeiros no incêndio.

A rapidez com que informações como estas chegam aos jornalistas e, consequentemente, aos leitores, só é possível devido à adesão do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina ao uso do Twitter. A divulgação de informações dos Bombeiros na rede social começou em 2011, quando o soldado Ernani Achiles Genol Neto, que havia cursado publicidade por um ano, teve a iniciativa de divulgar notícias sobre o Batalhão de Florianópolis. O trabalho era feito de forma manual, Ernani digitava e publicava as informações pelo próprio celular após o atendimento das ocorrências.

A inspiração do estilo de postagem veio do Twitter do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo (@BombeirosPMESP), que já possuía processos de comunicação bem estruturados, como assessoria e sala de imprensa. “Começamos engatinhando, imitando o pessoal de São Paulo, no início eram poucos seguidores, a maioria da própria corporação, depois que começou a crescer o comandante viu que era um trabalho legal”, conta Ernani.

O perfil no Twitter cresceu, e no primeiro semestre de 2014 foi constatado que não era mais possível atender às demandas manualmente. As pessoas recorriam à rede e perguntavam o que estava acontecendo sempre que ouviam a sirene de uma viatura dos Bombeiros. Atendendo a necessidade de atualizar as informações com mais rapidez e frequência, a divisão de tecnologia da corporação elaborou um sistema para que as ocorrências de todo o Estado fossem publicadas automaticamente na rede social – quando o atendente do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom) termina de atender a ligação recebida pelo 193, as informações preenchidas são divulgadas em tempo real.

Além do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, os batalhões de pelo menos 18 municípios do Estado (não existe um levantamento oficial) também aderiram ao uso de ferramentas digitais para facilitar a comunicação com a população e com os jornalistas. Um exemplo é o Arcanjo (@ARCANJO_01), helicóptero do Batalhão de Operações Aéreas dos Bombeiros. A tripulação atualiza a rede social antes, durante e após as ocorrências, a cobertura é completa, com direito a fotos e vídeos com vista aérea. Quando as imagens são muito grandes e não podem ser publicadas nas redes sociais, os jornalistas recebem um email com link do Dropbox – um serviço que armazena e compartilha arquivos – e lá está o material necessário.

A Polícia Rodoviária Federal (@PRF191SC) informa diariamente pelo Twitter as condições das rodovias catarinenses, principalmente a BR-101. Pelo Dropbox, em uma pasta chamada “Mídia”, armazena os relatórios diários, com dados de acidentes, óbitos nas estradas e fiscalizações, mas o acesso é restrito para quem possui o link, geralmente jornalistas. O WhatsApp também é utilizado em um grupo denominado “PRF SC – Imprensa”, onde os responsáveis pela comunicação da PRF estabelecem contato direto com 48 jornalistas. Através do Facebook as informações são expandidas para o público em geral através da publicação de textos curtos e fotos sobre as operações realizadas e os acidentes registrados.

Simone_Twitter - Reprodução 3

Nas redações dos jornais a presença dos órgãos oficiais nas redes mudou a rotina de trabalho, como conta a editora Caroline Passos: “Os órgãos perceberam a importância de ter mais presença nas redes, antes nós fazíamos várias rondas por dia, sempre nos mesmos horários, hoje já podemos reduzir esse número porque a informação confiável chega até nós com mais facilidade”.

Por outro lado, Caroline ressalta que também existe um desafio para o jornalista. Como a informação está disponível para qualquer pessoa, o trabalho jornalístico deve ir além do comum e buscar cada vez mais detalhes antes da publicação da matéria. Junto com a facilidade em obter a informação, aumenta também a cobrança por um produto de qualidade.

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