Processo de cura

Após vencer o câncer, Márcia aproveita a vida como pode, sem desanimar

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Por Marina Simões

Márcia Caetano Souza foi diagnosticada com câncer de mama aos 48 anos. Em dezembro de 2009, percebeu que seu seio esquerdo cresceu um pouco e surgiu uma mancha vermelha. Ela fazia mamografia de seis em seis meses, porque sua mãe, sua tia e sua prima já viveram o dilema. No mesmo dia, ligou para o consultório do médico que tratou suas familiares e que fazia o acompanhamento com ela, mas não conseguiu ser atendida. Então, ligou para sua ginecologista, que a recebeu em seguida e requisitou um ultrassom. “A médica que realizou o exame falou que tinha alguma coisa errada com a espessura da pele. Ela tinha que ser do tamanho de um fio de cabelo e estava igual a de um dedo”.

Depois de mais alguns exames, seu médico pode atendê-la, foi feita a biopsia e o resultado dizia que Márcia estava com câncer. “Isso foi em janeiro. Comecei o tratamento já em março. A quimioterapia. Aí, perdi meu cabelo, que é uma coisa horrível. Ver o cabelo caindo aos montes é muito triste”. Mais tarde, teve que retirar o seio esquerdo e seguir com a “quimio”. O ano seguinte foi mais tranquilo para Márcia. Em 2011, o outro seio foi diagnosticado com as células cancerígenas, mas ela não estava com a doença. “Aí, eu pedi para a minha oncologista falar com o outro médico, para que fosse feita a retirada dessa mama. No começo, ele não queria, mas depois acabou fazendo a cirurgia”. Após um ano sem os dois seios, Márcia fez a reconstituição das mamas. “O médico tira um pedaço do músculo da barriga, recorta em partes menores e utiliza esses pedaços para reconstruir. Eu fiz com um cirurgião especializado, porque eu já tinha passado por muita coisa e queria que ficasse perfeito”.

Dentro de quatro meses, foram gastos cerca de 95 mil reais com o tratamento, sem contar as cirurgias. “O custo para tirar (10 mil reais) e reconstruir (15 mil reais) os meus seios foi bem menor do que o que eu gastei com o resto. É muito pior você ficar fazendo quimio e o que você passa com a doença, do que você retirar, botar um silicone no lugar e não ter que se preocupar para o resto da vida”. Márcia lembrou da atitude de Angelina Jolie. No ano passado, a atriz retirou os dois seios após descobrir que tinha 87% de chances de desenvolver câncer de mama. “Eu acho certo o que essa artista fez. Se a pessoa já teve filhos, já amamentou… O peito e o ovário não vão fazer falta.”

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Márcia contou que assim que descobriu que estava com a doença uma moça desconhecida de Lages, que também tinha feito tratamento de câncer de mama, foi até a sua casa conversar sobre o tratamento, mostrar a cirurgia de reconstrução que havia feito e dar esperança. Hoje em dia, Márcia também faz esse papel. “Eu acho que é bom falar sobre as coisas que a gente passou para os outros, porque você vai mostrando que há um caminho, que outra pessoa conseguiu passar por aquela situação e está aí”. Ela ressalta a importância de compartilhar essa experiência com outros que estão na mesma situação pela qual passou: “Como fizeram comigo, eu acho interessante fazer, porque isso traz esperança e anima quem está te ouvindo. Também incentiva as pessoas a fazerem o tratamento, porque tem muita gente que tem medo”.

Quatro anos depois do fim do tratamento, a médica de Márcia disse que ela podia fazer os exames apenas uma vez por ano. A paciente insistiu que queria fazer de seis em seis meses e, em junho do ano passado, durante um exame de rotina, descobriu que o câncer havia atingido outros órgãos. Ela começou o novo tratamento com quimio e radioterapia, e retomou alguns cuidados. “Para você fazer esses procedimentos, o sangue tem que estar bom. Então, você tem que se cuidar, se alimentar bem”.

Agora, ela tenta manter uma dieta saudável, já que acredita que a alimentação é muito importante e auxilia no tratamento. “A minha nutricionista disse para eu não comer nenhum tipo de embutido, leite, nada que tenha conservantes. Tenho que comer orgânicos. É caro, mas eu compro. Aí, fico pensando: e quem não tem dinheiro para comprar? Um quilo de arroz orgânico é muito mais caro. Alface, tomate, a maioria dos orgânicos são o dobro mais caros do que o normal”.

Quando perguntei se ela havia se voltado mais para o seu lado espiritual e religioso depois de todos os problemas que enfrentou, Márcia ficou emocionada e disse que é preciso ter muita fé e esperança. “Muitos dos meus amigos, pessoas da minha igreja e familiares rezam por mim, sinto que isso ajuda bastante. Eu acho que se a gente acredita em Deus, Ele acredita na gente também e faz acontecer”.

Márcia era professora e está aposentada desde os 50 anos, mas não fica parada em casa. Ela é voluntária em uma escola de artesanato e trabalhos manuais toda terça-feira à tarde. Nas quintas-feiras, participa do grupo de oração da sua igreja e nos outros dias da semana faz suas caminhadas pelo Centro de Florianópolis – onde mora –, recebe visitas de amigos em casa, vai ao cinema. “Eu aproveito as coisas do jeito que posso. Se desanimar é pior”.

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