Fisiculturismo além de Hollywood e das academias

A prática que ganhou fama nos anos 1980 vem tentando se desassociar da vaidade relacionada ao culto à forma física

Tay_Arnold

Tanynara Nakayama da Silva

Arnorld Schwarzenegger tem apenas 19 falas no filme “O exterminador do futuro”, mas foi o necessário para lançá-lo como próxima estrela de Hollywood e trazer para mídia sua antiga profissão de fisiculturista na década de 1980. Schwarzenegger venceu por seis vezes consecutivas o maior campeonato mundial de fisiculturismo e estava se encaminhando para conquistar os cinemas. Sua forma física chamou atenção para seus treinos e para o esporte que ‘esculpiu’ seu corpo. Conhecido também como bodybuilding, é definido como uma atividade em que o atleta chega ao limite de sua força atingindo o menor percentual de gordura e maior volume muscular.

Embora tenha sido colocado sob os holofotes há pouco mais de 30 anos, já é reconhecido como esporte desde 1880. Ainda assim, o cuidado e preocupação com o corpo vêm de muitos séculos atrás. Há relatos, feitos na Grécia Antiga, de práticas como a de levantar pedras para desenvolver a musculatura e ficar semelhante a imagem dos deuses da mitologia. Deixando as pedras de lado, atualmente os fisiculturistas – ou bodybuilders – podem usufruir de técnicas, rotinas e hábitos alimentares bem específicos para alcançarem os resultados desejados nos campeonatos.

Há quem confunda os atletas com os fortões da academia que fazem poses na frente do espelho ou ainda com halterofilistas – esporte olímpico em que o objetivo é levantar a maior quantidade de peso. Mas para chegar aos campeonatos e ser uma pessoa saudável, o fisiculturista passa por uma rotina muito específica e tão regrada quanto a de qualquer outro esportista. Tiago Verona é bodybuilder desde os 24 anos. Hoje, com 37, é presidente da Federação de Culturismo do Estado de Santa Catarina (IFBB-SC). Está no mundo das competições há 12 anos e já esclarece logo no começo da conversa: “Aquela cor que os atletas apresentam nos campeonatos, que algumas pessoas acham bizarro, não é resultado da nossa vaidade e horas em cabines de bronzeamento artificial”. A cor escura é obtida com uma tinta específica passada horas antes das etapas. Ele explica que quanto mais moreno mais aparece a musculatura e a definição.

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Tiago Verona, em treino numa de suas academias.

É comum que relacionem fisiculturismo com a vaidade. E Tiago não se envergonha ao admitir que, junto com a superação de limites e saúde, a estética e paixão pelo corpo foram os motivos que o levaram à academia e, posteriormente, ao bodybuilding.  Ele é ainda mais enfático quando se fala nos comentários e na estranheza ao primeiro olhar que esse tipo físico causa: “Infelizmente, acho que os comentários surgem pela inveja, falta de capacidade ou gosto por falar mal do que é diferente. É um estilo de vida. É meu estilo de vida e gostaria que fosse respeitado.” Instrutor e dono de duas academias, ele garante que a recomendação de alguns médicos é que pacientes busquem a musculação para fortalecimento na prevenção e combate de alguns problemas ortopédicos: “Conheço pessoas que buscaram academias para corrigir postura ou algum problema muscular. Às vezes, elas se interessam pelo modo de vida do fisiculturista e acabam entrando nesse mundo. Ainda não vi nenhum deles virarem builders, mas espero ver”.

O bodybuilding em uma tradução literal seria algo como “construindo o corpo” ou “construção do corpo”. Ao olhar cada grupo muscular do atleta, a impressão que fica é de uma pedra esculpida. A imagem é quase agressiva e está longe de ser natural. Considerado um esporte que desafia os limites do corpo, relacioná-lo com excesso e abuso da saúde é comum entre quem não pratica. Tiago admite que a imagem de anabolizantes e abuso de exercícios está muito ligada ao ambiente das academias, mas diz que um fisiculturista nunca terá esse perfil. “Somos um dos atletas com os hábitos mais regrados na alimentação, suplementação, vitaminas e ainda fazemos exames mensalmente. Nossa saúde, corpo e mente precisam estar 100% para termos um resultado 100% O verdadeiro bodybuilder sabe disso”. E ainda critica a ‘gurizada nova’: “Eles entram na academia para ficar ‘bombado’ em três meses, tomam um monte de porcaria, não comem direito e treinam mais do que o necessário. Esses sim acabam prejudicando a saúde”.

Mesmo defendendo o esporte dessa imagem recorrente, Tiago sabe que o corpo tem um limite. Aos 37 anos e com uma artrose no ombro, ele diz que é preciso estar sempre muito bem orientado e saber a hora de diminuir. “Cada corpo tem um limite diferente. Com sorte, se você não prejudicou seu corpo com exercícios além da sua capacidade, o atleta compete até 60, 65 anos. É indispensável uma boa orientação.” A equipe de um fisiculturista vai além do personal trainer e do fisioterapeuta, o staff ainda conta com nutricionistas, cardiologistas, ortopedistas e empresário. “Para mim, o Fisiculturismo é só uma paixão. Não encaro como profissão, mas trabalho nesse meio. É um esporte muito caro e que envolve muita gente”.

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