Tecnologias proporcionam novos modos de ensinar e aprender

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Leisiliê Caroline da Silva

Os métodos de aprendizagem e estudo vêm sofrendo transformações com o passar dos anos. Métodos mais rígidos que nossos pais e avós contavam serem usados, já se tornaram apenas memória. Atualmente, novos recursos são utilizados, tais como os proporcionados pela tecnologia: data-shows, vídeos, apresentações de slides, paródias de músicas, etc. Além de relações serem mais flexíveis entre aluno e professor, essas técnicas têm se mostrado adequadas para que todo estudante possa entender o conteúdo igualmente, já que cada um tem suas dificuldades e/ou facilidades com determinado assunto. Os jovens que nasceram a partir dos anos de 1980, já veem com as facilidades das tecnologias muito presentes em seu dia a dia, o que influencia e muito em sua forma de aprender. Estes jovens chamados de Geração Y, ou geração da internet, assim como a sucessora geração Z (jovens que nasceram a partir de 1990), possuem uma maior dinamicidade ao realizar suas atividades. Possuem a vantagem de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas para alguns existe, também, a desvantagem de nenhuma das tarefas serem bem feitas, devido à falta de concentração.

Dados relativos ao Censo Escolar de 2012 apontam que 50,54 milhões de jovens estão matriculados no sistema de ensino brasileiro. Não é a toa que a educação e as tecnologias na aprendizagem estejam cada vez mais presentes na lista de preocupações do brasileiro, já que estes meios chegaram tão rapidamente e dominaram a vida de todos. Educadores e pais debatem se estas tecnologias estão mesmo auxiliando no estudo e na vida dos jovens brasileiros ou se estão diminuindo a aprendizagem.

A forma de aprendizagem do tempo de nossos pais e avós foi baseada na chamada inteligência linear sequencial. Ela foi imposta durante um período em que as formas ditatoriais dos profissionais da educação ainda eram eficazes e não como hoje em dia em que os docentes não recebem o mesmo respeito. No Brasil, 12,5% de educadores revelam que se sentem agredidos ou intimidados pelo menos uma vez na semana nas escolas, conforme dados da pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Alminda Heinz, professora de Língua Portuguesa da rede pública, observa a diferença de tratamento com relação aos pedagogos. “Quando estava no primário, os professores eram muito mais respeitados e valorizados. Chegavam a dar aula para mais de uma turma ao mesmo tempo e os alunos obedeciam às suas ordens”.

Já a estudante Priscila Becker acredita que, apesar desses fatos, a relação entre estudantes e docentes tem melhorado atualmente. “A diferença entre as formas de ensino atuais e antigas está na interação possível entre professores e alunos, substituindo o antigo ensino autoritário pelo ensino recíproco. É o que se percebe em cursinhos e afins, onde temos a presença de professores dinâmicos e abertos a diálogos construtivos com seus alunos”, o que auxilia alunos que possuem mais dificuldades em aprender a matéria.

Apesar de escolas se adaptarem e inserirem estas tecnologias em seu ensino, ainda existe instituições que presam pelos métodos mais ortodoxos de aprendizagem, como é o caso do Centro Educacional Menino Jesus (CEMJ), de Florianópolis. A escola realiza seu trabalho através do Sistema Montessori, que tem como “objetivo contribuir para o desenvolvimento de habilidades psicomotoras, concentração, independência, autonomia e sentido de ordem que são fundamentais para a realização das atividades acadêmicas no futuro e respeitando o ritmo de aprendizagem de cada um”, esclarece Sérgio Portela, coordenador de cursos do CEMJ.

Portela ainda exemplifica que são realizadas “atividades como lavar pedras, transpor elementos com pinça, preparar alimentos para servir aos colegas, lavar roupas de boneca e uma infinidade de outras possibilidades que são atividades de vida prática”. O professor argumenta que com tantos elementos no ambiente preparado e muitas situações do cotidiano, as crianças buscam pequenas soluções para aprimorar o pensamento lógico. “Temos inúmeros materiais que conduzem o desenvolvimento das crianças de forma natural e as mediações do professor soam como desafios ao crescimento pessoal de cada aluno”.

As crianças da geração Y e Z, por crescerem muito mais estimuladas pelos meios audiovisuais, desenvolvem-se pela chamada inteligência geométrica, pela qual a pessoa vê o mundo de uma maneira não hierarquizada, observando várias coisas ao mesmo tempo. Pesquisas do Ibope Media informam que 61% dos jovens entrevistados concordam que estão habituados a usar mais de um meio de comunicação simultaneamente e das mais variadas combinações. Daí as técnicas de ensino também terem que se modificar. Tanto o aluno quanto o professor deixam de seguir a linearidade dos livros e passam a encontrar a informação em vários meios diferentes e, também, complementares, tais como pesquisas na internet, vídeos, slides, músicas, etc. Todos estes fatores contribuem para a dinamicidade da coleta de informações. Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2013, mais da metade da população tem acesso à internet.

Alminda Heinz, que teve um aprendizado à base de livros e de todo o conteúdo escrito no quadro negro ainda questiona a utilização destes novos meios. “Os nossos jovens estão ligados o tempo todo na internet, porém a dinamicidade não os deixa focar. Muitos têm dificuldade em se concentrar na sala de aula, trazendo prejuízos. E tudo que é demais atrapalha. Porém, a internet está aí para ofertar oportunidades, então cabe à família orientar e dar limites às crianças e aos adolescentes. As diferentes mídias são bem vindas, só atrapalham quando usadas de forma errada”.

A população brasileira, ao demonstrar sua preferência por programas de televisão e internet para se informar do que jornais e livros, ressalta esta dinamicidade e imediatismo desses meios. As informações são dadas com muito mais rapidez e o indivíduo consegue observar mais coisas ao mesmo tempo do que se estivesse tendo que ler um livro, por exemplo. Dados da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República apontam que 76,4% da população atualmente tem a televisão como meio predileto de comunicação. E é seguido pela internet com 13,1%. Enquanto que apenas 6% dos brasileiros entrevistados disseram ler jornais diariamente.

Para a estudante Priscila Becker, essas novas tecnologias auxiliam e agilizam a vida de quem quer estudar, já que dúvidas que não podem esperar a presença de um professor são tiradas com um simples click. “As mídias atuais permitiram aos professores fugir da forma mais atraente que livros/provas para o aprendizado. Além disso, proporcionam constante atualização de dados e se constituem num infinito dicionário para solução de dúvidas. Fontes alternativas de estudo como redes sociais, slides e vídeos nos fornecem benefícios antes inexistentes. Hoje é possível estudar sem gastar muito, basta um computador e internet para acessar o YouTube e assistir vídeo-aulas”.

A discussão ainda não chega a um ponto de equilíbrio. Mas todos desejam a mesma coisa: ensinar e aprender. Algumas escolas acreditam que seus métodos são mais eficazes que outras, que tendo atividades mais práticas os alunos terão uma formação básica de valores e de concentração para suas atividades futuras, como é o caso do método Montessori. Já escolas que prezam pela utilização de meios alternativos que são proporcionados pela internet, algo muito presente para todos, também acreditam que assim os alunos podem aprender melhor, pois dependendo da dificuldade de cada um, eles se adaptam ao meio que a internet oferece.

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