Pelado, pelado. Nu, com a mão no bolso

Juliano_Galheta

Juliano França

Não. O assunto não é a música Pelado, da banda de rock paulistana Ultraje a Rigor, composta por Roger Moreira, em 1987. Vamos explorar aqui os 950 metros de extensão da Galheta, única praia de nudismo de Florianópolis e uma das três em Santa Catarina, conforme aponta a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). Localizada a aproximadamente 17 km a leste do centro da capital catarinense, entre a Praia Mole e a Barra da Lagoa, a área é de preservação ambiental permanente e faz parte do Parque Municipal da Galheta. Apesar de ser considerado um lugar semideserto, a opção atrai vários tipos de frequentadores durante o ano. Entre eles, há surfistas, turistas, moradores da ilha e também os nudistas, ou seja, aqueles que preferem tirar a roupa, uma vez que o local é reservado especialmente para este público, ainda que não necessariamente de maneira obrigatória. Mas, afinal, estas pessoas são nudistas ou naturistas?

De acordo com a International Naturist Federation (INF), fundada em 1953, em Montalive, na França, naturismo significa um modo de vida em harmonia com a natureza. Dessa forma, todo naturista, caracterizado pela prática da nudez em grupo, deve ser capaz de apresentar autorrespeito, respeito pelo próximo e cuidado com o meio ambiente. Seguindo a mesma lógica, Mara Rejane Freire, filiada à Associação Amigos da Galheta (Agal), afirma que a expressão se refere a um conjunto de concepções que preconizam um estilo baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver. Assim, a vida ao ar livre e o consumo de alimentos naturais são ideias defendidas, bem como a prática do nudismo. Este, por sua vez, consiste na não utilização de roupas para atividades recreativas em ambientes sociais e está incluído no conceito de naturismo. “A nudez total é vista como uma forma de contato com a natureza e sem conotações sexuais ou morais”, explica a gaúcha. A prática do nudismo é feita em espaços públicos, como lagos, piscinas e praias. Portanto, todo nudista pode ser considerado naturista, mas nem todo naturista é nudista.

A Galheta passou a ser oficializada pela FBrN como praia naturista na década de 1990. Um pouco antes, no início dos anos 1980, um movimento que lutava pela preservação ambiental das áreas naturais de Florianópolis começou a contestar a especulação imobiliária, alegando que isso prejudicaria a cidade. Com base nisso, Mara Freire faz menção ao trabalho de um grupo de pessoas, entre elas naturistas e ecologistas, que tornou possível a criação do Parque Municipal da Galheta. Assim, a consciência de que a preservação do local é indispensável prevaleceu e, desde então, muita coisa aconteceu, “inclusive a criação da associação”, brinca a secretária. A Agal é uma entidade que não tem fins lucrativos, uma vez que o objetivo principal é cuidar da preservação do parque. Com o tempo, a pesca predatória, o lixo jogado na água e na areia da praia e as denúncias de incêndio se tornaram os principais problemas a serem resolvidos.

Em todo o litoral catarinense, além da Galheta, outras duas praias são consideradas oficialmente de naturismo pela FBrN – a Praia do Pinho, em Balneário Camboriú; e a Praia de Pedras Altas, no município de Palhoça. Em todo o país, esse número chega a oito. Ou seja, quase a metade das praias para nudistas, no Brasil, está localizada no estado de Santa Catarina. Na Praia do Pinho, entretanto, isso acontece de forma um pouco diferente e mais rígida. Com exceção de uma pequena faixa de areia de “adaptação”, em que ficar totalmente sem roupa é apenas uma possibilidade; na maior parte dos quase 500 metros de orla, a nudez é obrigatória. Sendo assim, combinando com a letra da música do Ultraje a Rigor, na primeira praia oficial de nudismo brasileira, também, ‘pelado todo mundo fica, todo mundo é’.

Código de Ética do Naturismo

No dia 7 de dezembro de 1996, a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) criou um código de ética para a prática do naturismo, por meio de uma Assembleia Geral Extraordinária, na cidade de Porto Feliz, em São Paulo. Nesse “índex” do naturismo, ficou estabelecido um quadro de normas que todo cidadão, ao frequentar lugares assim definidos, deve obedecer. Conforme as regras de conduta estabelecidas, não pode haver constrangimentos através da prática de atos sexuais ou obscenos. Também é proibido comportar-se sexualmente de forma ostensiva. Além disso, ninguém pode portar-se de maneira desrespeitosa ou discriminatória com outros naturistas ou demais frequentadores da praia. De outro lado, fazer fotografias ou gravar vídeos é permitido, desde que exista o consentimento das pessoas que estejam sendo expostas. Se a permissão não for concedida e, mesmo assim, o sujeito tirar fotos, a atitude passa a ser inadequada.

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