Protetora de gatos recorre às redes sociais para estimular adoções

 

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Cintya Ramlov

A sala é repleta de brinquedos revestidos com corda e pelúcia, próprios para os felinos afiarem suas unhas. Ainda sim, Ágata, com sua farta pelagem peta e branca, prefere fazer o serviço de manicure nas pernas vestidas com jeans que andam pela sala. Perto de Ágata, “Princess”, Mimi, Mia e seus filhotes dormem. Elas são parte dos 26 gatos que Carol mantém em sua própria casa, esperando que suas fotos na fanpage “Adote um Romrom” rendam mais do que curtidas e compartilhamentos.

Carol é a protetora temporária dos animais e administradora da página com mais de 7500 seguidores no Facebook. O projeto existe há cerca de um ano e meio e envolve 19 voluntários, incluindo designers, fotógrafas e uma ilustradora que contribuem com a identidade visual da página, baseada na primeira gata que Carol e sua família adotaram. Foi com a ajuda dos seguidores que Carol conseguiu financiar a reforma de R$ 30 mil realizada em sua casa (ela mudou-se com a família do apartamento em que vivia para uma casa maior) para receber adequadamente os felinos.

O espaço é totalmente diferente da imagem tradicional de abrigos para animais. O cheiro de urina é substituído pelo de limpeza, e o calor de Florianópolis é apaziguado pelo ar-condicionado split. Baias especiais abrigam os mais selvagens – no momento, Mimi e Mia com seus bebês – e os gatos podem se divertir com os brinquedos e arranhadores. Alguns são herança dos bichos de estimação de Carol e outros, doações. Há também um espaço reservado para três gatas portadoras do vírus da leucemia felina, que baixa a imunidade dos animais e tem alto risco de infecção. Por isso, animais saudáveis não podem ter contato algum com os infectados.

A dona da casa às vezes troca o nome de Tati e Bruna, voluntárias do projeto que ajudam na limpeza do espaço algumas vezes na semana. “Os gatos eu não confundo”, ri Carol.

Tati e Bruna conheceram o “Adote um Romrom” quando estavam procurando um animal para adoção e continuaram ajudando no projeto. O processo de adoção é complexo: uma entrevista via-email, seguida de visita à residência do potencial novo dono. Casas precisam ser vedadas para o animal não correr o risco de fugir. Apartamentos devem ter telas de proteção nas janelas. Se já existirem outros animais no local, eles também são avaliados. É necessário saber se eles portam algum vírus, como o da leucemia. “Tivemos apenas duas devoluções nesse tempo”, conta Carol. Algumas pessoas desistem da adoção por não ter paciência para a sabatina inicial.

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O “Adote um Romrom” divulga apenas os animais sob sua proteção. “Nosso processo é completo, de resgate, castração e adoção.” O projeto tem apoio de uma clínica e de uma veterinária para o cuidado com a saúde dos animais e a castração social (o procedimento normal chega a custar mais de R$ 300,00, enquanto o social sai por R$ 90,00). Outra prática de sustentação do projeto é a “Romromterapia”, eventos marcados no Facebook para seguidores da página conhecerem os gatinhos. O ingresso é ração ou areia especial para gatos. Os voluntários também investem na personalização da página, divulgando fotos dos felinos com seus nomes e descrição da personalidade de cada animal.

A adoção de animais é incentivada por ONGs e campanhas publicitárias de empresas privadas. O meio online facilita a divulgação dos cães e gatos que esperam por um dono. Na região da Grande Florianópolis outros projetos também auxiliam na adoção. A “Gatinhos para adoção –  Floripa” é uma fanpage no Facebook com mais de 9 mil seguidores. Diferente do projeto organizado por Carol, esta página funciona como centralizadora de pedidos de adoção ou localização de gatos perdidos. A inciativa começou para divulgar os animais de apenas uma protetora, e atualmente é mantida por nove voluntários que se organizam diariamente com as postagens. “Procuramos incentivar a castração e a adoção responsável”, conta uma das voluntárias. As doações recebidas pela página são destinadas a ajuda na castração e tratamento de felinos resgatados nas ruas. Em sites comerciais de anúncios também se encontram animais para adoção. A estudante Simone Feldmann adotou um casal de gatos em um deles – e depois de um tempo, doou os filhotes usando a mesma ferramenta.

Na casa de Carol já não cabe mais nenhum animal. Os pedidos de resgate que chegam até a fanpage são orientados para outros protetores. Além dos 26 disponíveis para adoção ela cuida de outros 19, mantidos separados dos demais. Sua família toda apoia e ajuda no projeto, que toma boa parte do tempo da garota. Para complementar a renda, ela também recebe gatos hóspedes –  serviço chamado de cat-sittering.  Carol, Bruna, Tati visivelmente adoram passar tempo com os pequenos animais, e defendem a adoção como melhor alternativa para a vida dos gatos em ambientes urbanos – um animal doméstico pode viver de 15 a 20 anos, enquanto na rua a média é de três anos. “É utopia achar que o gato de vida livre vai conseguir ter uma vida longa e saudável”, completa Bruna, enquanto Ágata afia as garras em suas pernas.

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