Passageiros usam da criatividade para fugir de preços altos em rodoviárias e paradas de ônibus

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Por Bruno Silva

Os usuários do transporte coletivo que passam pelo Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis, reclamam que preços praticados na venda de alimentos são mais elevados em relação a estabelecimentos externos. Comparando os valores praticados no Terminal Integrado do Centro (Ticen), a variação chega a 165%.

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Trasporte (Abrati) apurou que a maior insatisfação dos usuários do transporte rodoviário em todo o país é com o preço dos alimentos nos terminais. A dona de casa Lucélia Carneiro, que mora em Matos Costa, interior do estado, concorda que os preços são desproporcionais em relação a outros locais. “Evito comprar, não tem como gastar tudo isso. Só que às vezes a fome bate e a gente acaba comprando”.

No levantamento feito pela equipe de reportagem do QUATRO, o café foi o produto que apresentou maior variação de preços. Enquanto no Ticen um café pequeno custa R$ 0,75, na rodoviária o preço é de R$ 2. Já o mesmo refrigerante custa R$ 2,50 e R$ 4,50, respectivamente (veja tabela).

Produto TICEN Rodoviária Rita Maria
Salgados fritos R$2,50 R$4,50
Pão de queijo R$2,00 R$3,50
Salgadinho (pacote 50g) R$3,00 R$4,95
Refrigerante (lata) R$2,50 R$4,50
Café (pequeno) R$0,75 R$ 2,00

Henrique Silva, gerente de um dos estabelecimentos, argumenta que os gastos com aluguel, conta de luz, funcionários e impostos em geral justificam os preços: “Muito difícil contratar pessoas que trabalhem sábados, domingos e feriados e não tem como pagar um salário somente de R$ 900 para eles. Tudo é caro, não tem como vender um salgado por R$ 2,00”, disse. Henrique afirmou que os gastos se aproximam dos R$ 50 mil por mês, mas não soube informar o valor da arrecadação mensal.

De acordo com Silva, para adquirir o direito de explorar as lanchonetes no Terminal Rodoviário, é feita uma licitação que vale por dez anos. O gerente explicou ainda que a cada ano o valor é reajustado: “Há quatro anos eu pagava R$ 9 mil por mês, agora o valor é R$ 12 mil”.

Como alternativas pelos altos preços praticados nas Rodoviárias e também nas paradas de ônibus durante as viagens, os passageiros buscam alternativas para contornar os gastos. A professora Nilza Torquato, 35, que mora em Santo Amaro da Imperatriz é um dos exemplos de como encontrar opções mais baratas e, ao mesmo tempo, saudáveis.

“Além dos preços serem mais altos, muitas vezes não se sabe a procedência. Nas paradas de ônibus, por exemplo, o ambiente às vezes não é muito higiênico e os alimentos sempre muito gordurosos: coxinhas, pastéis, etc. Eu sempre escolho coisas mais saudáveis. Sempre levo num isopor, tudo certinho. Água, frutas, rosquinhas, cereais, sanduíche natural e até pipoca, que todo mundo acha engraçado. Também levo café, leite em pó e um potinho com açúcar para o meu marido”, esclarece.

Ela conta que também, durante as viagens, e não só nas Rodoviárias, mas principalmente nas paradas, muitas vezes os lugares ficam com muitas filas e, para evitá-las, ela sempre tem um lanche à mão. “Às vezes também tem muita fila e eu levo bastante comida para evitar. Uma vez, indo para São Paulo, a gente pegou uma fila grande em uma parada e só eu tinha comida e acabei dividindo com todo mundo”, riu.

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