Ilhota é referência no mercado de moda praia

A cidade se destaca em ramo disputado por grandes potências estrangeiras

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Leisiliê Caroline da Silva

Os dias já estão amanhecendo mais cedo com a chegada do horário de verão, o sol vem aparecendo cada vez com mais frequência e o calor ficando cada vez mais intenso. Com todos estes fatores, a vontade de ir à praia, se jogar no mar e aproveitar a sombra debaixo do guarda-sol só aumenta. Mas o que vestir quando se tem tanta variedade de roupas de banho? Com o clima tropical e esta estação sendo mais longa que em outros países, o Brasil se torna referência quanto ao quesito moda praia, sendo para este ramo o que a França é para o mercado de perfumes. Quando a cultura do culto ao corpo é tão presente, e chega o verão, os brasileiros desejam exibir seus corpos definidos, ou não, pelas areias de praias de todo o país. Conhecido como o produtor de biquínis e maiôs de estilo mais ousado, de maior criatividade, qualidade e de variedade em cores e estampas, o Brasil se torna cada vez mais modelo para os outros países.

Além dos grandes eventos como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, que abrem cada vez mais as portas para as empresas brasileiras ao comércio internacional, o Brasil teve a oportunidade este ano por sediar a Copa do Mundo, de fortalecer a arte, o artesanato e outros elementos da cultura local na fabricação dos artigos. Com isso, o país se destacou ainda mais com seus produtos de beachwear e swimwear. O Rio de Janeiro é o maior estado exportador de moda praia, com valores de  R$73/kg no período 2009-2013. Este fato confirma a vocação para produzir produtos de alta qualidade e com diferenciação, valor 41% maior que a média brasileira, segundo o Sistema Firjan (Federação das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro) de 2014.

Mas os destaques nesse ramo não estão assim tão longe dos catarinenses. Em nosso estado, o município de Ilhota, a 120 km da capital, é referência na confecção de peças de vestuário, crescendo cerca de 20% ao ano. É conhecida como a capital catarinense da moda íntima e moda praia desde 2002, sendo responsável pela fabricação de 70% da produção catarinense desses trajes. Atualmente, cerca de 100 empresas desempenham a atividade na cidade, inclusive com empresas exportadoras. Aproximadamente 500 mil peças são fabricadas mensalmente em Ilhota, por meio do trabalho de 1.500 funcionários que atuam no ramo – cerca de 13% da população local.

A vocação dos moradores de Ilhota para o setor têxtil surgiu antes mesmo da indústria da cidade se consolidar. Antigamente, era comum que homens e mulheres viajassem todos os dias para a vizinha Blumenau (30 km), que é polo de confecção, para trabalhar em grandes indústrias. Na bagagem, mais que o salário, esses trabalhadores acumularam experiência e resolveram investir no empreendedorismo. Os profissionais que se aposentavam ou eram demitidos começaram a abrir as primeiras empresas de confecção no município, isso há quase duas décadas. E logo o negócio de biquínis e lingeries apareceu como um mercadoa ser explorado. E não foi diferente para Laurinha Bailer e Talini Bailer, mãe e filha, respectivamente, que são proprietárias da marca Elemento Mar, e vendem biquínis produzidos nessa cidade. A ligação com o ramo de moda praia já vem como tradição de família. Antes de abrirem uma loja, eram donas de uma fábrica na área, mas desistiram da indústria e entraram para as vendas, já que tinham um retorno muito mais rápido. “A cada ano nossa espera de aumento é de 50% [em comparação] ao ano anterior, mas nesses quatro anos de loja o aumento foi de 100% a cada ano. Sempre nos surpreendemos”, exemplifica Talini Bailer. Ela ainda observa que cada vez mais os biquínis são mais procurados e se tornaram uma peça muito importante no guarda-roupa feminino. Isto se reflete em sua loja, que está no mercado há cinco anos, fatura em torno de 2 milhões de reais por ano e é comparada com lojas que já estão no ramo há 20 anos.

O crescimento destas lojas de municípios pequenos como Ilhota demonstra o tamanho deste mercado. A moda praia é um segmento diferenciado do setor de confecções, com grande potencial para exportação. O ramo é formado por 700 empresas que produzem cerca de 250 milhões de peças por ano e que faturou US$1,9 bilhão, em 2012, segundo a Associação Brasileira de Estilistas(Abit). O setor, como o de confecções em geral, possui micro, pequenas e médias empresas. Segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial(IEMI), em 2005 as pequenas empresas correspondiam, a 70% das confecções instaladas no Brasil, respondendo por 19,6% do contingente de trabalhadores empregados nesta atividade e 11,7% da produção medida em peças produzidas. O número de empresas médias equivalia a 26,7% das unidades, empregando 49,2% da mão-de-obra e contribuindo com 46% da produção.

O Brasil, apesar de importar produtos de moda praia, também exporta bastante. Em 2005, aparece em 26º lugar no ranking de exportadores, com 1,08% das exportações mundiais, correspondente a 18,3 milhões de dólares. Esta exportação demonstra sua evidência cada vez maior no meio de beachwear. Os países que mais importam nesse mercado de moda praia são os Estados Unidos, que absorvem sozinhos 28% das importações mundiais. Hong Kong é o segundo maior importador mundial. E em seguida aparecem França, Reino Unido e Itália, revelando a força do mercado europeu. As elevadas importações italianas demonstram não só o tamanho do comércio deste país como, também evidenciam o processo de terceirização da produção. Ao procurar lugares com mão-de-obra mais barata, os italianos mudaram seu foco do made in Italy e passou a ser conhecido pelo italian style, pelo qual não importa o local de sua produção e sim qual o seu padrão de qualidade.

Mas os países estrangeiros não são as únicas fontes de inspiração para este ramo. Laurinha  Bailer, além de proprietária, também desenha os modelos para a marca e tem como inspiração as mulheres brasileiras. Sua filha Talini Bailer conta que a mãe observa “meninas novas que procuram coisas diferentes, para se tornarem diferentes. Ela vai muito a baladas, fica bastante tempo no banheiro de baladas para saber o que essas meninas pensam, o que elas procuram, chega até ser uma coisa engraçada. E sai de lá pensando em vários modelos novos para as meninas”.

Com as ideias que encontra nas festas, a loja chega a mandar fazer tecidos com conceitos originais, o que, além dos aviamentos, é um dos fatores que contribuem para o encarecimento dos produtos atualmente. Segundo Talini Bailer, os preços mudaram bastante. “Se a gente parar e olhar coisas que fazíamos há quatro anos, nosso custo era bem menor. Agora existe bastante diferença e o maior exemplo é o modelo cortininha, ele começou na nossa loja a R$19,90, fomos aperfeiçoando, e hoje quatro anos depois ele está R$59,90 e digamos que é totalmente outro modelo”.

O controle de qualidade da loja é feito através de uma pesquisa, pela qual seleciona mulheres que consideram parecidas com o seu público alvo e ouvem sua opinião. A loja mostra as peças para as entrevistadas que vão avaliar se aprovam ou não e olhar se algo lhe agrada mais ou se encontram algum erro nas peças. Como se vê, os produtos de moda praia são cada vez mais destaque e seus consumidores cada vez mais exigentes. Diversos fatores fazem com que estes artigos encareçam, mas que também proporcionam cada vez mais modelagens diferenciadas. Basta apenas decidir qual é sua preferência.

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