Universitários e esportes

Jovens atletas amadores se dividem entre estudos e treinos

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Por Gabriel Lima

A vida de universitários costuma ter ritmo rápido. São aulas, estágio, estudo em casa e ainda adaptação a um novo estilo de vida. No entanto, ainda há quem consiga algum tempo para dedicar-se a um esporte. Praticar exercício físico, interagir com outras pessoas e paixão desportiva são algumas justificativas que levam os alunos a defender sua universidade e, muitas vezes, sua cidade.

Muitos deles estão presentes nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). Apesar de ser voltado a atletas adultos, a presença de universitários no evento tem aumentado. “É comum que algumas cidades paguem para que os atletas profissionais atuem e vençam a competição, apenas pela premiação. Há alguns anos Blumenau opta por levar os atletas daqui, geralmente universitários, privilegiando a nossa estrutura para formação de atletas”, explicou César Zeiling, secretário da Fundação Municipal de Desportos de Blumenau. A cidade é a maior vencedora da competição, com 41 títulos em 54 edições, e nesse ano está em busca do bicampeonato consecutivo.

A delegação de vôlei feminino de Blumenau para o JASC, por exemplo, tem a mesma base da equipe da Universidade Regional de Blumenau (Furb) que foi vice-campeã dos Jogos Universitários Catarinenses (JUCs) deste ano. Apesar do elenco jovem – todas as atletas têm menos de 21 anos – a cidade venceu as eliminatórias regionais sem perder um único set, ganhando todos por mais de dez pontos de diferença. “Acho que o entrosamento pesa muito. As meninas que jogam pela Furb também são aquelas que defendem Blumenau. É o primeiro JASC de muitas aqui, mas nos sentimos preparadas”, afirmou Samantha Beck, que defende as duas equipes.

Esta situação é diferente da vivida por Maria Viera Delgado, atleta que defende Florianópolis. Estudante de Engenharia Sanitária na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela se concentra mais nos jogos que envolvem o seu curso. “Eu gosto muito de esporte, mas sempre associado à interação. Eu procuro reunir a galera do curso para praticarmos, tanto aqui na universidade como também em eventos fora da cidade. Nesse último fim de semana, por exemplo, fomos jogar em Laguna”.

No início do ano Maria entrou para a equipe de handebol da UFSC. No entanto, ela reclama das condições e dos horários que a universidade oferece. “O treino é das 22h à meia-noite, duas vezes por semana. É perigoso voltar para casa, e vou dormir apenas 1h da manhã, sendo que no dia seguinte tenho que acordar às 6h. É muito inviável. Sem falar que a quadra não é limpa, então o risco de ter uma lesão ou estragar o tênis é muito alto”. Apesar das condições desfavoráveis, ela se esforçou e passou a integrar a equipe de Florianópolis que disputa o JASC. “O problema é que não conheço muito a equipe. Treinamos apenas três vezes antes da viagem, pois era difícil conseguir reunir todos em um horário”.

Se a situação é ruim para os atletas universitários, não há muita diferença para os treinadores dessas equipes. Jorge Tavares está cursando doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento na UFSC. Duas vezes por semana, ele abre um espaço em sua agenda para treinar a equipe de handebol masculina de Engenharia Civil na universidade. “Tem vezes que eu até brinco com o pessoal no fim do treino dizendo que eles não têm do que reclamar, pois a maioria vai chegar em casa e dormir. Enquanto isso, eu ainda preciso terminar de redigir um artigo para o dia seguinte”.

Apesar do esforço, Jorge admite que é treinador apenas por hobby e não recebe nenhuma compensação financeira pelo trabalho. “Tudo o que eu faço é pelo amor ao esporte e por gostar dessa garotada, que se mata de estudar, mas sempre comparece aos treinos”. Entretanto, alerta para a falta de incentivo por parte da universidade. “Os horários, quadras e equipamentos são ruins. Já vi equipes de alguns cursos serem desfeitas por não haver treinador e o pessoal não conseguir se organizar sozinho. Não há reconhecimento. Apesar dos estudos e problemas pessoais, eu amo handebol e treino essa equipe mesmo sem receber nada. Mas sei que poucos fariam isso”.

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