Paixão: dos livros ao laboratório

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Por Amanda Reinert

Todos buscam uma boa história de amor, mas Christian von Koenig procura várias. O escritor catarinense já publicou sua própria história no livro “Paixões Clandestinas” e, no futuro e-book virtual, “Outras Histórias”, ele trará relatos amorosos que conheceu viajando por Santa Catarina.

Mas, o que é o amor para as pessoas? Foi através desse questionamento que o autor começou a buscar e reunir esses contos. Seu objetivo é sempre encontrar histórias marcantes e de superação. “Se for uma história feliz, melhor ainda, eu torço muito pelas pessoas que eu encontro na rua, mas nunca sei exatamente o que esperar. Eu sempre pergunto para elas: Qual é a sua história de amor? Às vezes elas são positivas, e isso é uma maravilha, porque eu entro no mundo dela, mas existem vezes em que as pessoas são fechadas e isso muda, mas eu respeito bastante”. No final de cada entrevista, o escritor também pergunta como a pessoa prefere que sua história seja trabalhada, para que o relato seja agradável para quem viveu o romance e para quem está lendo o conto.

Entre todos os relatos já ouvidos pelo autor, um que não possui final feliz é o seu preferido. “Para mim, o mais emocionante, sem dúvida, é o romance de Dona Mercedes. Eu fui visitar um asilo e lá conversei com essa senhora que me contou uma história de amor incrível. Ela tinha 91 anos e falou sobre um amor que não conseguiu viver. Quando tinha 14 anos, ela se apaixonou por um rapaz, mas a família não aprovou o relacionamento, e ela se casou com outro homem. Nesse casamento foi infeliz, e depois de ficar viúva saiu em busca do outro rapaz que conheceu durante a infância. Mas, ele já havia morrido há alguns anos antes”. De acordo com o escritor, Dona Mercedes afirmou que teve uma vida desperdiçada, pois não conseguiu viver o grande amor da vida dela.

E não é só o escritor que procura o amor, a ciência há anos trouxe o assunto para o laboratório e tenta descobrir o que acontece no corpo e no cérebro dos apaixonados. Os sintomas mais evidentes são o aumento da pressão arterial, da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos, a dilatação das pupilas, os tremores e o rubor. Além da falta de apetite, concentração, memória e sono. Essas alterações acontecem em regiões específicas que já foram identificadas pela ciência através de ressonância magnética funcional, que mapeia as áreas do cérebro, e outras tecnologias.

Para os neurologistas, existem três mecanismos cerebrais que controlam o amor nos seres humanos. A dopamina, que é um neurotransmissor da felicidade liberado no organismo para potencializar a beleza do amor, aumentando a euforia e deixando a pessoa disposta a realizar novas tarefas, apesar de dormir e comer mal, muitas vezes. A ocitocina, na mulher, e a vasopressina no homem, que aumentam a ligação e o companheirismo. E a quantidade do hormônio testosterona, tanto em homens quanto em mulheres, que é responsável pelo desejo sexual. É importante ressaltar que esses sistemas são independentes, mas podem interferir uns com os outros.

Para o psiquiatra Jorge Lourenço Rocha, os sinais característicos dos apaixonados ocorrem em função de certos hormônios e substâncias que “ligam” áreas cerebrais do prazer e “desligam” algumas áreas do julgamento crítico. “A endorfina, neurotransmissor, é liberada no cérebro em grandes quantidades durante a paixão e produz uma sensação de prazer e relaxamento. Este mesmo estado inibe outras regiões que reduzem o discernimento crítico sobre o ser amado. É importante trazer a racionalidade para dentro de um momento irracional, fazer um check-list para poder decolar com segurança”.

De acordo com estudos realizados nos Estados Unidos e publicados na revista Monitor on Psychology, os efeitos do amor no cérebro podem ser comparados aos da cocaína. Isso acontece, segundo o estudo, pelos vícios estarem ligados ao nível de dopamina no organismo. Os efeitos colaterais também são semelhantes: insônia, agonia e taquicardia.

Mas, paixão e amor são a mesma coisa?

A fronteira entre paixão e amor não está bem definida, apesar de eles atuarem em regiões diferentes do cérebro. A paixão não avisa quando vai chegar, ela pode começar na adolescência e depois ser regulada por hormônios sexuais. Existem fases para se chegar ao amor. A primeira delas é o desejo sexual, com ação da testosterona. A paixão é a segunda. Ela acontece com a atração e a explosão química de dopamina e endorfina. Se a pessoa é correspondida e a euforia continuar, chega-se à terceira etapa que é o amor. Também existem aqueles que conseguem bloquear todo esse processo e ativam áreas mais racionais do cérebro. Isso pode acontecer com quem é inseguro ou ansioso. Para não correr riscos, eles racionalizam o que está acontecendo e bloqueiam o sentimento.

Estudos também afirmam que no jogo da paixão são os homens que costumam se apaixonar à primeira vista. Mas, esse encantamento masculino pode ser passageiro, durando algumas horas apenas, por exemplo. Já a maioria das mulheres depende do romantismo, e quando se apaixonam, costumam levar mais tempo para esquecer alguém.

Algo diferente acontece quando se encontra a suposta alma gêmea. A teoria mais aceita é de que o corpo busca feromônios compatíveis. Esses sinais bioquímicos são substâncias naturais e inodoras que são exaladas pelo corpo humano através de poros e canais. São os feromônios que permitem as primeiras trocas de olhares. A atração física e os bons momentos vividos pelos apaixonados também aumentam a chance do casal dar certo.

Se você está com alguns desses sintomas, sim, você pode estar apaixonado. Se não, aguarde algum tempo que provavelmente a próxima flecha do cupido está sendo preparada e pode te acertar.

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