A era do lixo

Com o progresso e o aumento populacional, encontrar a melhor destinação de resíduos é um desafio

Amanda R_Lixo

Por Amanda Reinert

Os tempos modernos e a consequente urbanização trouxeram progresso e melhoraram a vida de muitas pessoas. Mas essa evolução deixou muita sujeira pelo caminho. A grande porção de lixo no oceano Pacífico e resíduos tóxicos que são enviados de países para outros são exemplos desta situação. O “sobrou, jogou fora” se tornou um gesto automático. Segundo dados de 2013 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), foram produzidas 209.208 toneladas de lixo por dia no Brasil. Só em Florianópolis, o acúmulo por habitante é de 330 kg durante o ano.

Apesar de os lixões já terem sido muito utilizados, a destinação ideal e a prática mais utilizada no país para o tratamento desses resíduos são os aterros sanitários. Nesses locais, é feito um controle dos principais poluentes do lixo. O chorume (líquido poluente, de cor escura e mau cheiro, originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos) é recolhido e encaminhado para um sistema de tratamento antes de ir para a natureza, e os gases são coletados e queimados.

Em 2010, foi aprovada a lei federal 12.305 que determina o fim dos lixões a céu aberto no Brasil. Santa Catarina já planejava há 13 anos metas para eliminar esse tipo de descarte através do projeto Lixo Nosso de Cada Dia. Segundo o promotor de do Ministério Público de Santa Catarina, Paulo Antonio Locatelli, a iniciativa teve início em 2001, através de uma atuação unificada entre todos os promotores de justiça do estado. “Foi instaurado um inquérito civil para cada município e foi buscado junto ao poder público municipal ajustes de conduta ou propostas de ações civis públicas para acabar com todos os lixões a céu aberto que estavam em funcionamento e depois buscar a destinação adequada dos resíduos em aterros sanitários. Há cerca de sete, oito anos, todos os lixões deixaram de existir e passamos a nos preocupar com a recuperação dessas áreas degradadas”.

Em 2000, apenas 12,6% do lixo produzido no estado era destinado para aterros sanitários. Atualmente, não existem lixões em Santa Catarina. Dos 36 aterros, 42% estão em ótimas condições, 39% estão em situação regular e 19% atendem às condições mínimas, segundo critérios do Ministério Público do estado. Para o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Sanitaristas de Santa Catarina, Afonso Veiga Filho, o ideal seria aproveitar tudo que existe nos resíduos sólidos, que são os lixos gerados após a produção, utilização ou transformação dos bens de consumo. “Deveria ser deixado para os aterros sanitários aquilo que não pode ser usado de nenhuma outra forma. A reciclagem, a compostagem ajudariam nessa iniciativa. A última sobra do resíduo sólido, do lixo, esse vai para o aterro sanitário. Isso faria com que esses locais tivessem uma vida muito maior”.

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A falta de uma educação ambiental, de uma consciência tanto da população quanto dos órgãos públicos, também dificulta esse processo. A coleta seletiva corresponde a 6,5% do total de resíduos coletados em Florianópolis. A capital fica atrás de Porto Alegre (9,1%), Belo Horizonte (7%) e Curitiba (6,6%).

Em 2008, a Companhia de Melhoramentos da Capital, Comcap, tornou diária a coleta seletiva no centro de Florianópolis. A partir daí, a quantidade de materiais recolhidos quintuplicou. O engenheiro sanitarista da empresa, Bruno Vieira Luiz, afirma também que a coleta seletiva abrange mais de 80% do município, e ela não é maior principalmente por dificuldades de acesso em algumas ruas. Todos esses resíduos seletivos coletados são doados a associações ou cooperativas de Florianópolis. “Aqui na cidade existem três associações, e ainda assim elas não conseguem processar todos os resíduos recicláveis que são coletados nas residências. Por isso, também mandamos uma parte para os municípios de São José, Palhoça e Biguaçu”.

Na sede da Comcap, no bairro Itacorubi, a Associação de Coletores de Materiais Recicláveis, ACMR, é uma das responsáveis pela triagem do material da coleta seletiva. Das 1000 toneladas geradas por mês pela cidade, 50% é reciclada pela associação que conta com 71 trabalhadores. O presidente da ACMR, Volmir Rodrigues, explica que o material coletado passa pelo processo de descarga, triagem e depois por uma seleção mais especializada para os objetos plásticos. Para ele, a maior dificuldade é o grande número de resíduos sólidos que são levados até lá e não podem ser reciclados. “Ainda falta bastante educação no município para que isso possa diminuir. Essa consciência facilitaria nosso trabalho aqui na associação”.

Além dos estudos para a melhor forma de descarte dos materiais e o cuidado com a natureza, talvez a palavra chave para ajudar na solução desse problema seja a conscientização. A empresa Novociclo, de Florianópolis, é um exemplo. O seu objetivo é trabalhar junto com companhias e buscar o “Lixo Zero”, eliminando o descarte e impedindo a contaminação do meio ambiente. Atitudes em menor escala, como a reciclagem em condomínios, prática comum na capital, também são bem-vindas. Através delas, os processos seriam facilitados e todas as áreas seriam beneficiadas.

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