Cresce preferência por alimentos orgânicos

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Por Gabriel Neves

Sadio, limpo, cultivado,­ sem fertilizantes químicos. Em uma sociedade cada vez mais preocupada com uma vida saudável, o alimento orgânico, aos poucos, vem ganhando cada vez mais adeptos. Na lavoura, levam mais tempo para crescer, e se utiliza mais água do que o inorgânico. Na mesa, é um alimento com mais sabor, coloração e textura. O conceito de agricultura orgânica vem sendo estabelecido desde a década de 1920, mas sua discussão mais aprofundada é recente.

Nos últimos anos, governos e sociedade civil promoveram uma série de negociações e encontros formais para debater as estratégias de desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Mais precisamente a partir da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento, realizada em 1972 na Suécia, temas como proteção da biodiversidade, uso da água, mudanças no clima e resíduos industriais deixaram de ser assuntos dos gabinetes dos cientistas e entraram na pauta dos diferentes setores da sociedade.

Avanços tecnológicos importantes aconteceram em todas as áreas e a produção de alimentos em escala global alcançou recordes impressionantes. Mas para atingir metas de produtividade, a chamada agroindústria incorporou tecnologias com uso de substâncias com riscos para a saúde. A resistência a esse modo de produção influenciou uma nova tendência: a busca por produtos orgânicos.

O mercado dos alimentos livres de agrotóxicos tem apresentado um crescimento relevante. A média é de 20% ao ano, de acordo com estudos do Centro de Inteligência em Orgânicos, um projeto da Sociedade Nacional de Agricultura, uma fundação sem fins lucrativos criada em 1897. Levando em conta que no Brasil quase 16 milhões de pessoas – 8% da população, segundo dados Ibope de 2012 – já se consideram vegetarianas, as oportunidades no setor, portanto, apenas aumentam.

De olho nesse novo mercado consumidor, os supermercados ampliam consideravelmente a variedade desses produtos. E o que antes estava escondido nas prateleiras, hoje representa um aumento de vendas. “A procura é crescente. Cada vez mais contatamos os produtores para suprir as nossas necessidades”, explica Eduardo Nunes, gerente de supermercado.

O único entrave dos produtos orgânicos são os preços. Isso porque, em geral, os alimentos são produzidos em baixa escala, por pequenos produtores. O que faz com que para o consumidor final, o preço repassado seja salgado.

Em Florianópolis, um casal formado por ex-estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, resolveu unir suas habilidades para criar um negócio social: o Plante pra mim, um site especializado em produtos orgânicos que busca aproximar os consumidores dos produtores locais. A plataforma atende as regiões de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, e é possível fazer os pedidos e receber os alimentos em casa.

A ideia surgiu da engenheira agrônoma Suzeli Simon em valorizar a agricultura familiar e por observar que havia mercado para uma plataforma digital onde os agricultores pudessem divulgar seus produtos e encontrar consumidores que buscam produtos de qualidade e procedência. O amadurecimento veio com Rodrigo Copetti, formado em Tecnologia da Informação, que a ajudou a buscar formas de fazer com que a tecnologia pudesse ter um impacto positivo na vida dos produtores rurais.

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“Os produtores estão muito empolgados com a nossa iniciativa, apostando em ser uma maneira mais garantida de venda dos produtos e diminuindo muito as perdas de produção”, afirma Suzeli. “A venda pelo nosso portal é uma garantia para o agricultor, que só precisa colher a quantidade vendida. É uma segurança, pois não corre o risco de colher e ter uma percentagem dos produtos perdidos no processo de comercialização”.

Com aproximadamente três meses no ar, a plataforma conta com quase 700 clientes e a constante procura pelos alimentos é notada pelo casal. “Cada vez mais somos procurados para tirar dúvidas de clientes. É um novo hábito que, aos poucos, está solidificando. Acredito que em um futuro, não muito distante, os brasileiros optem por produtos orgânicos. Mas isso será trabalhado aos poucos”, opina Rodrigo Copetti.

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