Bazar arrecada recursos para ajudar crianças portadoras do vírus HIV

Juliano - 4ª Matéria (Crianças)

Por Juliano França

Elas são carinhosas, felizes e gostam de fazer muita bagunça, como qualquer outra criança. A única diferença é que elas são portadoras do vírus HIV e nunca conseguiram ter a oportunidade de integrar uma família como as outras. Todas necessitam de um lugar para morar, de carinho e, principalmente, de pessoas que as ajudem e que as queiram bem, pois são órfãs ou fazem parte de famílias desestruturadas. Acontece que, por falta de informação, muita gente não sabe o que fazer, embora tenha vontade de contribuir para que o futuro dessas crianças seja mais promissor. Para a população que tem interesse em ajudar, existe, há mais de 22 anos, em Florianópolis, o “Lar Recanto do Carinho”.

O espaço serve como casa de apoio para crianças e adolescentes que convivem com o vírus HIV. De segunda a sexta-feira, a entidade organiza um bazar beneficente de roupas, de brinquedos e de outros objetos usados. A renda é destinada para manter o local, através da compra de alimentos e de produtos de limpeza, bem como para o pagamento de contas e de encargos sociais. É o que afirma a assistente social, Catarina Batista Back, sobre a lojinha ou, como ela se refere, “coração do lar”, uma vez que esta é a principal fonte de arrecadação. Conforme a gaúcha, todas as doações que chegam têm prioridade de acordo com as necessidades dos internos. A voluntária destaca, ainda, o benefício mútuo que existe entre a instituição e os compradores. Isso porque a maioria dos frequentadores da loja é paciente do Hospital Infantil. São pessoas humildes que vêm do interior do estado. “Elas chegam de madrugada e formam filas na porta do bazar até abrir”, relata Catarina Back.

Inaugurada em julho de 1992, a casa de apoio fica em frente ao Hospital Infantil “Joana de Gusmão”, na Rua Rui Barbosa, no bairro da Agronômica. Na época em que o recanto foi criado, eram acolhidas apenas crianças com idade entre zero e seis anos, doentes de AIDS ou filhas de portadores do HIV, órfãs ou pertencentes a grupos familiares estruturalmente vulneráveis. Ao longo desses mais de 20 anos, a amplitude da faixa etária dos acolhidos pelo “Lar Recanto do Carinho” ficou maior, já que a idade subiu para zero a dezesseis anos. Dessa forma, jovens e adolescentes também passaram a ser recebidos.

Durante esses anos, houve outra característica que mudou. Agora, para que se evite a segregação, os acolhidos são aceitos, no grupo, independente do tipo de sorologia, uma vez que antes eram aceitas apenas crianças soropositivas, isto é, pessoas que apresentam o vírus HIV no organismo. E, o principal, todos convivem no mesmo lugar. Os encaminhamentos são feitos conforme a Lei, ou seja, “através da Vara da Infância e da Juventude do Ministério Público de Santa Catarina”, sustenta a responsável pela assistência social da entidade. Ela aponta que, até hoje, mais de 300 crianças já passaram pelo recanto. “Vamos fechar o ano com um grupo de dez menores, embora a capacidade seja para o dobro”, ressalta Catarina Back.

Após a reintegração à família de origem ou a adoção, as crianças continuam recebendo acompanhamento. Se forem adotadas, para que isso aconteça de maneira legalizada, há a intermediação de órgãos responsáveis, como o Juizado da Infância e da Juventude. No caso de adotar um adolescente, isso não é necessário. Para esses indivíduos, existe a possibilidade de continuar recebendo assistência social, psicológica, e, também, de serem encaminhados ao mercado de trabalho. Os recursos chegam através de doações e de eventos realizados pela entidade, além de convênios firmados, sendo que estes nem sempre são regulares.

A implantação do “Lar Recanto do Carinho” se fez necessária no momento em que o Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (Gapa) deu conta de que os menores estavam sendo abrigados em entidades públicas de assistência, e isso acabava gerando problemas de recuperação social. As autoridades alegavam a falta de condições adequadas do Estado para atender às crianças. Além disso, a população não aceitavaa ideia de haver lugares com essa finalidade próximos a bairros residenciais. “A partir desses fatos, o grupo de voluntários do Gapa iniciou uma mobilização para implantar uma casa de apoio”, rrelembra a assistente social. Outro pedido das autoridades foi que se fizesse um trabalho de esclarecimento à população.

Atualmente, cerca de 25 pessoas integram a equipe de voluntários da instituição. Para Catarina Back, que trabalha no local desde 2003, “manter a privacidade das crianças é uma das responsabilidades do voluntariado”. Para quem preferir, também é possível apadrinhar uma delas, permitindo que ela passe algum tempo junto com o adulto. A assistente social ressalta que não é o padrinho ou a madrinha que define o afilhado. “É o interno que faz essa escolha, a partir de quem ele mais se identifica”. Para apadrinhar, a pessoa deve ter mais de 21 anos, apresentar documentação e realizar trabalho voluntário na casa por pelo menos seis meses. Após o cumprimento dessas exigências, faz-se um relatório e, se tudo estiver de acordo, o apadrinhamento é permitido.

Horário de visitas: 09h00min às 17h30min
Para fazer doações:
08h00min às 19h00min

MAIS INFORMAÇÕES

(48) 3228-0024

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