Mercado chinês invade o Brasil

Compras de produtos fabricados na China pela Internet tornam-se cada vez mais comuns

mercadochinês

As perspectivas para o ano de 2015 são de um faturamento acima de R$1 bilhão em território brasileiro

Por Livia Lopes Rezende

Com o avanço da Internet ficam cada vez mais comuns as compras e transferências bancárias usando o meio digital, principalmente para obtenção de produtos estrangeiros. Mas a grande novidade, hoje, são as mercadorias chinesas, que só em 2014 tiveram 11 milhões de pedidos em apenas três meses, considerando só um site – o AliExpress -, segundo dados do Ibope E-Commerce. Esse número ultrapassa as vendas online das Lojas Americanas e do Submarino juntas, e só perdem para as páginas das lojas nos Estados Unidos.

Essa crescente demanda de produtos chineses tem um começo na década de 80. Segundo o professor e Mestre em Geografia Econômica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Helton Ouriques, os produtos chineses começaram a vir para o Brasil pelo seu baixo preço, formando as chamadas lojinhas de 1,99. “Foi uma política deliberada do governo chinês de atrair empresas americanas, europeias e/ou japonesas, para suas zonas de exportação, e claro que um elemento fundamental dessa atração é a existência de uma força de trabalho muito abundante na China e muito barata que proporcionou, e proporciona, uma vantagem de custos inigualável de mercadorias produzidas na China”.

Porém, essas importações trazem consequências para a economia brasileira. “Esse impacto já está sendo observado por alguns órgãos aqui no Brasil, como o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e a própria FIESP em SP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que é o risco da desindustrialização da economia brasileira, a tendência de voltar à priorização da economia primária, que são os setores de agropecuária e extrativismo. E muitos setores produtivos brasileiros deixam de encomendar partes do seu processo produtivo de outras empresas aqui no Brasil e começam a encomendar diretamente da China. Então tem um risco aí de diminuir a complexidade da cadeia produtiva industrial brasileira”, alerta o professor.

Tendência de produtos com melhor qualidade

Já para os brasileiros que não trabalham com os setores afetados há mais vantagens que desvantagens. Para a estudante de Engenharia, Monique Brandão, as vantagens são os baixos preços, a variedade dos produtos e seu ótimo custo-benefício. “Mas a pior desvantagem é prestar atenção quanto ao prazo de proteção ao cliente que o vendedor de cada produto dá, pois, se expira, não pode mais abrir disputa de recuperar o dinheiro de volta, caso o produto não seja entregue. Isso, fora a demora a chegar”, comenta Monique, que descobriu essas compras online através de seus amigos. “Já comprei 81 produtos, e apesar da qualidade não ser a melhor, compensa muito, pois o preço é muito baixo”. Mas ela diz que, hoje, um aspecto dessas compras a fez parar. “Parei de comprar por causa da escravidão que os chineses passam para produzir esses produtos com baixo custo”.

Mesmo assim, as perspectivas para o ano de 2015 é de um faturamento acima de R$1 bilhão em território brasileiro. Para o professor Ouriques, essa tendência se dá porque o centro das atividades industriais, hoje, é o leste asiático. Na visão de futuro das importações chinesas, ele aponta um importante fator de mudança: “Esses produtos serão mais elaborados, mais sofisticados. Agora são cada vez mais produtos com tecnologia incorporada, porque está acontecendo um fenômeno novo na China, que não é só ser o lugar da fabricação de produtos estrangeiros, isto é, de produtos vindos de países do primeiro mundo, mas também a produção de mercadorias de marcas chinesas. Então, essas mercadorias de marca chinesas, com mais tecnologia incorporada, tendem a aumentar, porque a China está mudando a sua estrutura produtiva no sentido de direcionar cada vez mais para mercadorias com mais valor agregado”.

A tendência para os próximos anos é de que esses produtos tenham uma qualidade melhor. Mas isso não significa um aumento no preço, pois, como lembrou Monique, os produtos continuam a ser produzidos a salários muito baixos. Além dos produtos de sites chineses, está chegando ao Brasil mais produtos industriais, como carros e TVs.

 

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