A promessa de um Brasil entre os 10 melhores

Para as Olimpíadas de 2016 temos 297 atletas garantidos, mas a meta é de que 450 brasileiros disputem a competição e conquistem uma dezena de medalhas a mais

Aposta da natação, Ana Giulia Zortea, de Criciúma, é uma das atletas que busca por uma vaga nos jogos - Foto: João Lucas Cardoso/ge.com

Aposta da natação, Ana Giulia Zortea, de Criciúma, é uma das atletas que luta por uma vaga nos jogos – Foto: João Lucas Cardoso/ge.com

Por Gabriela Bankhardt

Em menos de 500 dias, o Brasil vai sediar o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Cerca de R$37 bilhões de reais vão ser gastos com as estruturas para os jogos. A meta de 27 medalhas e a 10ª posição no ranking geral foi estabelecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro(COB). Esse número representa 10 medalhas a mais do que nas competições em Londres, onde o Brasil conquistou três medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze.

Tendo uma meta audaciosa ou não, este ano vai ser o grande teste antes dos jogos olímpicos. Em 2013 conquistamos 27 medalhas em campeonatos mundiais e outras competições similares, em 2014 foram 24 medalhas.  Neste ano serão mais de 166 jogos que vão servir como uma prévia para as Olimpíadas. Segundo o COB, os esportes são divididos em quatro grupos. Os chamados vitais possuem uma tradição de medalhas, por exemplo, vôlei, vôlei de praia, natação, futebol, vela, judô e atletismo. O segundo grupo inclui os potenciais, que não têm uma sequência de medalhas, mas baseado em seu desempenho em mundiais podem ter grandes chances de medalha. Nesse grupo temos, por exemplo, o handebol, que ganhou o mundial feminino em 2015, o boxe, a ginástica e a canoagem. O terceiro grupo seria constituído de contribuintes, onde temos um só atleta com chance, como Yane Marques, no pentatlo, e Marcos Vinícius, no tiro com arco. O último grupo é conhecido como o de legados, pois são os esportes em que se pretende o melhor desenvolvimento para 2020 ou 2024, que é o exemplo do hóquei sobre a grama.

A nadadora de Criciúma, Ana Giulia Zortea, é uma das atletas que busca uma vaga nos jogos. Com apenas 14 anos, ela é considerada uma aposta da natação e já foi convidada a integrar a seleção no Sul Americano Juvenil de natação, que está acontecendo neste mês no Peru. Para 2016 seu sonho é defender o Brasil. “Eu gostaria muito de conseguir uma vaga e poder disputar as Olimpíadas no Brasil, mas sei que este é um sonho meio utópico. Minhas chances reais são para as Olimpíadas de 2020, isto é o que todos dizem, mas eu vou lutar até o ultimo dia para tentar uma vaga já para 2016”. Com uma rotina de duas horas e meia de treino, seis dias por semana, a cobrança para participar dos jogos do Rio e ter bons resultados é constante, mas ela afirma que está aprendendo a lidar com a pressão.

Possíveis Medalhas Por Esportes

 JUDÔ – Entrando na disputa de sua terceira Olimpíada, a judoca, Mayra Aguiar, conquistou o bronze em Londres e é atual campeã mundial na categoria meio-pesado. A grande expectativa para o judô vem do fato que esse é o esporte que mais conquistou  medalhas para o Brasil em Olimpíadas, somando 19 pódios na historia.

NATAÇÃO –  Atleta do ouro em 2008 nos 50m livres e bronze nos 100m, César Cielo ainda é o nome mais cotado na modalidade. Mas Bruno Fratus surpreendeu sua equipe quando, em 2011, no Troféu Maria Lenk, superou a marca de César Cielo nos 100m.

TIRO COM ARCO – Praticando desde os 12 anos, Marcus Vinícius D’Almeida é prodígio na modalidade. Com 16 anos ele já tem medalhas de prata na Copa do Mundo e na Olimpíada da Juventude em 2014.

VÔLEI –  Com tradição de medalhas olímpicas, o vôlei sempre vai ser uma aposta. O time masculino conquistou o mundial em 2010 e tem duas medalhas de ouro. Já o time feminino é atual bicampeão olímpico.

VÔLEI DE PRAIA – Não é só o vôlei de quadra que promete em 2016. A dupla Ricardo e Emanuel, campeões em 2004 e bronze em 2008, retoma a parceria para tentar o ouro nas areias de Copacabana. Juliana e Maria Elisa, na dupla feminina, são as atuais campeãs mundiais.

HANDEBOL – Brigando pela primeira medalha olímpica, o time de handebol feminino pode ser a surpresa nesses jogos após vencer o mundial em 2013, na Sérvia. Por enquanto, a seleção masculina busca a sua vaga através do mundial de handebol em 2015.

VELA – Com título mundial em 2014, Martine Grael e Kahena Kunze buscam vencer em 2016. Já Robert Scheidt, o maior medalhista brasileiro, compete na categoria Laser e busca mais medalhas. Desde 1996, ele ganhou cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

GINÁSTICA ARTÍSTICA – Em 2012, fez parte do pódio em primeiro lugar, conquistando o ouro nas argolas em Londres. Artur Zanetti é o ginasta brasileiro com os melhores resultados desde a última Olimpíada e prova disso está no ouro do mundial em 2013.

FUTEBOL – Por fim a tão esperada medalha de ouro no futebol. O Brasil já perdeu três finais olímpicas. Nas duas últimas edições conquistamos medalhas de bronze e prata. O futebol, tanto feminino quanto masculino, busca a vitória com seus craques Marta e Neymar.

Concentração Controlada

Para evitar estresses externos na concentração dos atletas, um protocolo vai ser estabelecido pelo COB. Familiares e parceiros serão vetados de entrar na vila olímpica. Mas próximo a ela vai existir o Espaço Time Brasil, um ambiente onde a família poderá se encontrar quando quiser com seus atletas mediante a apresentação de um ingresso.  O uso das redes socias não será vetado, mas os competidores receberão orientações para o uso delas. A intenção é de que o meio externo não atrapalhe o foco dos atletas com possíveis declarações negativas de torcedores, como foi o caso da judoca Rafaela Silva em 2008. Ela foi criticada no Twitter ao ser desclassificada das Olimpíadas de Londres por um golpe irregular no judô. Para maior comodidade, atletas de diferentes modalidades poderão ter quartos reservados em hóteis mais próximos ao seu local de competição, para evitar o maior deslocamento de pessoas da vila em dias importantes. A última recomendação do COB foi de que os atletas, que têm acesso a dois ingressos por jogo ou prova, não se preocupem com isso para manter o foco nas competições.

Investimento Pesado

Para 2016, o governo está investindo R$ 1 bilhão em reformas, construções de centros de treinamento e no bolsa atleta, que tem valores desde R$370,00 para atletas de base até R$3.100 para atletas olímpicos ou paraolímpicos. Além disso, temos a Bolsa Pódio, que varia entre R$ 5 mil até R$ 15 mil, para atletas de modalidades individuais que têm reais chances de medalha nos jogos do Rio e estão entre os 20 primeiros no ranking mundial de sua modalidade. Ana Giulia espera a superação do Brasil nessas Olimpíadas, mas afirma que ainda é muito difícil ser atleta pelo gasto que isso exige.”É um investimento muito grande para se criar um atleta olímpico e eu vejo o quanto minha mãe e minha família gastam para me dar condições de treinos.Hoje eu estou aqui no Peru com a seleção, mas todos que estão aqui enfrentam as mesmas dificuldades de conseguir patrocínio. Não é fácil ser atleta no Brasil, esta é que é a verdade”.

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