Beleza em movimento

A vida cheia de sonhos, realizações, reconhecimentos e troféus da patinadora Úrsula Aner

patinadora

Por Sarah Laís da Silva

“Me dei conta que a patinação era minha vida porque quando estava  de patins não sentia fome, nem sede, nem sono. Quando crio coreografias em casa, minha imaginação voa e não vejo a hora passar”.

Desde os sete anos, a gaúcha Úrsula Aner, 49, vive sobre as oito rodas de um par de patins. Em 1989, se formou em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), depois fez mestrado em Ecologia, em Educação Física e, então, resolveu “patinar” até Florianópolis. Técnica de patinação artística há mais de duas décadas, Aner fez parte da mesa de jurados da Confederação Internacional de Patinação Artística (CIPA), já atuou em diversos clubes no Rio Grande do Sul e fundou o Grupo de Expressão em Patinação, que conquistou mais de 400 títulos e realizou diversos espetáculos.

Os pais de Aner sempre a incentivaram a praticar algum esporte. “Fiz ginástica rítmica, natação, tênis, vôlei, atletismo, ia tentando, até quando encontrei a patinação. Não sei explicar, mas eu me encontrei.” Sua paixão começou quando ganhou o primeiro par de “patins de sandália”, chamado bandeirantes, e não tirou mais dos pés.“Eu criava coreografias na garagem de casa, apresentava para meus vizinhos e familiares sem nem imaginar o que era a patinação artística”.

Úrsula desabafa ao recordar que seus pais não eram muito participativos. “Eles eram como um apoio financeiro e me forneciam a estrutura necessária”. Toda vez que necessitava de um equipamento novo, ela precisava mostrar novos resultados com o antigo equipamento. Ela conta como foi o seu primeiro estímulo vindo da família: “Lembro de ser desafiada pelo meu pai a vencer um campeonato para que então eu merecesse meu primeiro par de patins importados, pois na época era o que tinha de melhor. Então  treinei, treinei, treinei, venci, e finalmente ganhei  meu primeiro par de patins profissional importado”.

Aner na infância

Paixão da patinadora nasceu com o primeiro par de patins – Foto: Arquivo Pessoal

Quando Aner tinha 14 anos, o lugar onde ela fazia aulas de patinação fechou. Foi nesse momento em que percebeu o que realmente queria. “Eu só me lembro que eu estava na sala da minha casa e chorava muito. Nem eu e muito menos minha família à minha volta entendia o porque que eu chorava tanto. Eu só dizia pra eles que eu não podia parar de patinar”. Mais tarde, já dando aulas de patinação, Aner foi a campeonatos nacionais e três mundiais. Foi considerada pela Federação Gaúcha de Patinagem a melhor técnica da temporada de 1999.

Uma longa história

Segundo a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), quem desenvolveu a patinação artística no gelo, foi Jackson Haines, um norte americano que foi para Viena durante a guerra civil americana da década de 1860. Ele era um professor de ballet que, ao ver os patinadores dando voltas sobre gelo, teve a ideia de introduzir a música, a coreografia e a dança na patinação no gelo. Começou a Patinagem Artística. Haines é reconhecido como o inventor do patins de gelo moderno. Começava a chamada “patinação fantasia”.

Haines se tornou, então, um professor de dança de patinadores no gelo e essa nova forma de patinação ficou muito popular. Ele ficou conhecido como mestre do gelo americano. Toda a Patinação Artística moderna cresceu a partir dos seus esforços.

Os patins foram evoluindo, podendo ser usado em países onde não há neve, chegando até pessoas como Úrsula Aner e mais milhares de brasileiros. Conforme a Associação Brasileira de Hoquéi e Patinação, o patins de rodas foi criado na década de 1890, feita por  Robert Henley, que foi um dos grandes nomes da patinação, iniciou os rolamentos nos patins pensando em rodas de bicicletas.

A patinação artística chegou ao Brasil no início do século passado com o objetivo apenas recreativo . Porém, virou moda patinar nos parques das cidades grandes, especialmente de São Paulo. A partir daí começaram a surgir competições que consideravam a elegância e a naturalidade dos patinadores. Até que, em 1920, José Erotides Marcondes Machado foi o primeiro patinador brasileiro a participar de um concurso na França.

Mas somente em 1975 realizou-se no Clube Militar do Rio de Janeiro o I Campeonato de Patinação Artística e, desde então, os atletas brasileiros participam de campeonatos brasileiros, sul-americanos, mundiais e pan-americanos.
Atualmente, Aner não compete mais em campeonatos. Ela treina seus alunos para grandes competições e diz que ama observar a superação individual de seus alunos. “É um orgulho ver um atleta que começou do zero, anos depois estar representado o Brasil em algum campeonato internacional. Mais do que desenvolvimento técnico e artístico com resultados absolutos, medalhas e títulos, tenho muito prazer em ver evoluções relativas, observar a superação individual, a alegria de ser acolhido por um grupo seja do jeito que for, com a idade que tiver”. A patinação é um esporte sem tradição no Brasil. Aner ressalta que “o alto rendimento é para poucos, pois é um esporte muito caro num país como o nosso, que  pouco apóia o esporte amador”.

Ela nunca perdeu a simplicidade, diz que ama se juntar aos antigos amigos e dar boas risadas. “Também é extremamente gratificante fazer apresentações integrando patinadores, apresentando para familiares e amigos pois todos saem felizes. É um sentimento de inclusão e de realização de cada um”.

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