Abuso sexual na UFSC

Homem invade quarto de duas alunas na Moradia Estudantil

As duas estudantes que dormiam no apartamento conseguiram impedir que o agressor saísse do prédio quando já estava na portaria - Foto: Acervo Zero

As duas estudantes que dormiam no apartamento conseguiram impedir que o agressor saísse do prédio quando já estava na portaria – Foto: Acervo Zero 

Por Luisa Scherer Silveira

Um homem invadiu um quarto da Moradia estudantil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por volta das sete horas da manhã do dia 20 de março e acariciou uma das duas estudantes que dormiam. A aluna acordou aos gritos e o agressor, que não tem nenhuma ligação com a UFSC, saiu e deixou o prédio pelo elevador. A estudante e sua colega de quarto conseguiram impedir que ele fugisse quando o homem chegou na portaria.

O invasor foi levado para a 6ª Delegacia de Polícia Civil e liberado depois prestar depoimento, mas teve que comparecer a uma audiência dia 1º de abril. Ele já tinha antecedentes de outros casos de abuso. As alunas fizeram um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia da Mulher e denunciaram o agressor por assédio sexual, ato obsceno e invasão de propriedade. O homem teria saído de uma festa de estudantes que foi realizada próximo da Moradia Estudantil. Ele diz ter combinado de encontrar uma mulher chamada Fabrícia num quarto da Moradia e havia confundido o número do apartamento. Segundo o administrador da Moradia Estudantil, não há registro  de alguém chamado Fabrícia residindo no local.

Tanto a vítima e sua colega de quarto quanto os residentes da Moradia Estudantil estão preocupados e esperam que algumas medidas sejam tomadas para aumentar a segurança, como o reparo das câmeras de monitoramento, que não estavam funcionando no momento do crime, e a construção de um muro na parte de trás do prédio. Cerca de 10 dias depois do delito, o mato que existia nos fundos da moradia estava sendo retirado, melhorando a visibilidade da área, e a porta lateral que dá acesso à administração passou a ser fechada durante a noite.

O diretor do Departamento de Segurança da UFSC (DESEG), Leandro Luiz de Oliveira, auxiliou o atendimento das vítimas e diz que a Moradia Estudantil é segura, mas confessa que as 32 câmeras existentes precisam de reparos. Assegurou que há vigilantes 24h e que a UFSC contratou mais um porteiro para trabalhar no edifício.

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudandis (PRAE) esclareceu que as vítimas e demais residentes se reuniram com a pró-reitora e o pró-reitor adjunto de Assuntos Estudantis para debater a melhoria da segurança na Moradia. Ficou decidido que haverá instalação de novas câmeras de monitoramento e de controles eletrônicos de acesso a todas as portas externas. Também foi oferecido suporte psicológico às vítimas e residentes.

Casos de estupro no campus

Apesar de ter sido o único caso de abuso sexual registrado na Moradia Estudantil, já houve registro de estupro no campus da UFSC. Existem quatro BOs só no ano de 2014, e dois registrados neste ano. Tais acontecimentos fomentaram ainda mais a discussão sobre segurança na cidade universitária e, depois da repercussão não só do caso da Moradia Estudantil mas também dos demais assaltos na região, a reitora Roselane Neckel se reuniu com o diretor da DESEG e com a Polícia Civil e Militar para debater sobre possíveis soluções na melhoria da segurança e algumas decisões foram tomadas. A Polícia Militar passará a fazer rondas de bicicleta pelo campus e serão contratados 39 vigilantes, resultando num total de 300 vigilantes em todos os campi da UFSC.

Alguns pontos importantes ainda estão sendo discutidos, como o fechamento dos portões que dão acesso à universidade durante a noite e finais de semana, e a melhora e aumento da iluminação, que atualmente é precária. Há um projeto de iluminação com o custo de 16 milhões de reais, que seria implantado em 2014, mas UFSC continua escura durante a noite.

Leandro Luiz de Oliveira afirma que os crimes de patrimônio diminuíram consideravelmente, e agora a DESEG está focada nas ruas e disposta a combater crimes como abusos e assaltos. Também concorda que o aumento de iluminação na UFSC durante a noite auxiliaria na diminuição da criminalidade dentro dos campi. A DESEG, Polícia Civil e Militar, porém, não conseguem frear todos os crimes, principalmente os de cunho sexual, que dificilmente são registrados.

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) criou, no ano passado,  uma CPI para investigar casos de estupro em sete universidades paulistas, sendo a Universidade de São Paulo (USP) a principal delas. A CPI começou em outubro de 2014 e, depois de 83 dias de investigações, foram levantadas 112 suspeitas de estupro nos últimos 10 anos apenas na USP. Em muitos casos, a direção da faculdade desencorajava a vítima a fazer o Boletim de Ocorrência e abafava o caso para que não manchasse a imagem da instituição. Os crimes acabam não sendo investigados e a cultura do estupro se perpetuou, já que os agressores saíam impunes. Os delitos eram cometidos em sua grande maioria dentro das universidades, em festas organizadas pelas associações atléticas dos cursos.

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