Quando as mãos tremem mais do que o normal

Movimentos involuntários e incontroláveis prejudicam o dia-a-dia dos portadores de uma doença pouco conhecida no país

Foto: Pixabay

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Por Carol Andrade

Imagine você tentando pegar sua xícara de café na padaria e começar a tremer involuntariamente a ponto de ser percebido pela garçonete. Seria normal em alguma situação peculiar: frio, susto, cansaço ou nervosismo. Mas não é. Isso pode ser ‘’tremor essencial’’, uma doença neurológica relativamente benigna que se manifesta sempre que é necessário utilizar as mãos. Existem controvérsias sobre a origem da doença, mas 50% dos casos são hereditários.

Bruno Rodrigues tem 23 anos e convive com a doença desde os 15 anos de idade. Ele conta que o tremor tem sido um problema vivido em diversas situações do seu dia-a-dia. Basta chegar no caixa do supermercado que já começa a tremer sem motivo específico. “Fui entregar o dinheiro na mão da operadora de caixa e ela começou a rir de mim. Era visível que eu estava nervoso, mas o porquê eu não sei”.

Segundo a neurologista Adriana Barros Areal, o tremor essencial é um transtorno hereditário caracterizado por tremor fino de extremidades, sobretudo nas mãos. Os sintomas, em geral, começam na adolescência. “O estresse piora o tremor, assim como ansiedade e nervosismo. Se o tremor persiste mesmo na ausência de estresse, a voz e a cabeça tremem, já não é algo normal”.

O caso do Bruno está entre os 5% da população brasileira acometidos pela doença, que embora seja relativamente benigna pode interferir na realização de tarefas simples diárias. Ele relata o quão constrangedor e difícil tem sido quando as pessoas percebem que suas mãos tremem sem parar. “Eu costumo ir assistir as gravações do Programa da Tarde na TV Record e, no final, o auditório tem um tempinho para pegar autógrafos e tirar foto com os apresentadores. Quando vou tirar foto com a Ticiane Pinheiro, ela pergunta se tenho mal de Parkinson, diz que pareço uma britadeira. Eu não fico chateado, mas é meio constrangedor porque ela fala no meio de muita gente.” Bruno também evita mostrar as mãos, escondendo-as nos bolsos.

A rotina dos brasileiros está cada vez mais corrida, atarefada e estressante. O tremor pode se acentuar em determinadas situações, como estresse, atividades físicas pesadas e consumo de muita cafeína. De acordo com a psicóloga Sara Apolyana, uma rotina agitada e atarefada pode contribuir para o surgimento ou agravamento de muitos transtornos psicológicos. Como por exemplo, a depressão. “Há inúmeros fatores que podem contribuir: tendência genética, sedentarismo, má alimentação, ambiente social desfavorável, situações traumáticas não superadas, uso e abuso de substâncias (drogas e medicamentos), problemas com o sono, doença neurológica, dentre outros.”

Para superar o tremor essencial é preciso persistência e força de vontade. “O problema pode agravar com o tempo, pois não tem cura. Para o tratamento recomenda-se o uso de medicamentos como betas bloqueadores”, explica Adriana Barros Areal.

Uma vez que não existe cura, os sintomas podem ser tratados especificamente de acordo com o nível de acentuação da doença. Mas é importante que se procure um especialista para o tratamento necessário.

 

Tremor Essencial ≠ Mal de Parkinson

O tremor essencial é mais comum do que mal de Parkinson, porém muitas pessoas ainda confundem as duas ou acham que uma é consequência da outra. Ambas possuem diagnósticos completamente diferentes, como pode ser visto no quadro abaixo:

 

Tremor Essencial Doença de Parkinson
É um tremor de ação: movimento das mãos, braços e pés. É um tremor de repouso: ocorre ou piora quando os membros estão relaxados
Ocorre simetricamente, ou seja, afeta ambos os lados do corpo. Começa de um lado do corpo e vai para o outro lado durante a evolução clínica.
50% dos casos possuem histórico familiar 3% dos casos possuem histórico familiar
Sintomas: tremor nas mãos e cabeça, alteração na voz. Sintomas: tremor, lentidão dos movimentos, problema de equilíbrio, alteração na voz, rigidez muscular.
Mais frequente em pacientes de 20 a 30 anos de idade. Mais frequente em pacientes acima de 60 anos de idade.

 

*Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

 

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