Intercâmbio em terras tupiniquins

O que é a mobilidade acadêmica entre universidades federais e o que ela pode fazer por você

foto matéria intercambio

Amanda Casemiro

Estudar longe de casa é uma realidade comum quando se entra na universidade; e, em alguns casos, pode acabar sendo intencional — e durando até dois semestres. Uma espécie de intercâmbio sem sair do país. Uma oportunidade de comer macarrão instantâneo em outro estado e somar conhecimento à graduação.

Foi pensando nisso que Genaína Baumart, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), e Amanda Simeone, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), vieram parar em Florianópolis (SC) como alunas de mobilidade acadêmica no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em comum, a busca por novas experiências, a vontade de mudar a rotina e sair do clichê — e todos os problemas que também acabam vindo com isso. “A experiência na universidade me ajudou a aproveitar mais a estrutura do curso”, afirma Amanda, que permaneceu durante os dois semestres letivos de 2014.

A Mobilidade Acadêmica é um programa das universidades e institutos federais para todo universitário que deseja passar um tempo em outro lugar. O acordo, assinado em outubro de 2011 por reitores de instituições conveniadas à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), permite que qualquer aluno de graduação que tenha cumprido pelo menos 20% do curso e esteja regularmente matriculado passe até um ano longe da universidade de origem — exceto se estiver prestes a se formar. O prazo pode ser prolongado por mais um semestre caso seja necessário; mas é preciso que haja um acordo entre as duas instituições.

A cada novo semestre são ofertadas bolsas de estudo, mas a aceitação dos alunos sempre acaba dependendo do número de vagas disponíveis no curso da instituição de destino. Cada uma possui um edital próprio, mas algumas exigências são comuns — como não ter reprovações cumulativas nos dois semestres anteriores ao desejado para realizar a mobilidade ou ter o índice acadêmico superior a — e escolher um estado diferente do de origem é obrigatório. O convênio da ANDIFES com o Banco Santander banca uma parte dessa empreitada com um valor total de R$3 mil — dividido em cinco partes iguais de R$600,00 —, mas os custos da viagem, onde ficar e conhecer a cidade e a universidade de destino são responsabilidades de quem se interessar pela (e ganhar a) bolsa.

O desafio de fazer novas amizades

A reputação da universidade conta muito na hora de optar por uma das instituições disponíveis. “Escolhi a UFSC porque sempre li e escutei em seminários a excelência do curso, laboratórios e ensino, então decidi que queria estudar pelo menos um tempo para conhecer a realidade da universidade”, diz Amanda. Levar em conta o currículo do curso também auxilia a escolha. É preciso que pelo menos uma das matérias cursadas seja equivalente tanto na universidade de origem quanto na de destino, e que o aluno tenha os pré-requisitos necessários para cursá-la. Como continua matriculado no curso de forma regular, revalidar as disciplinas na volta para casa faz com que o semestre não seja considerado “perdido” — e nem atrapalhe na hora de formar.

Mas nem sempre é fácil ficar. Os alunos de mobilidade não costumam estar em uma turma fixa, e oscilar entre os diferentes semestres do curso acaba trazendo algumas dificuldades. Principalmente na hora de realizar trabalhos em grupo. “Eu entrei em turmas que já se conheciam, em que todo mundo já era amigo de todo mundo. Então conseguir me adaptar, fazer amizades, trabalhos, apresentar trabalhos em sala de aula, tudo isso sempre me apavorou”, conta Genaína, que chegou no primeiro semestre do ano passado e atualmente cursa o que equivale à sétima fase. Amanda, que passou por situações semelhantes, aponta que uma das situações mais chatas do processo de adaptação foi fazer amizades.

A saudade de casa, dos amigos, da família e a diferença de metodologia e ensino também acabam sendo pequenos empecilhos ao longo do semestre, bem como adaptar-se à uma cidade nova. Mas voltar para a casa, no fim, acaba sendo estranho — afinal, você precisa voltar a “se inserir” no lugar onde deixou. Entretanto, nada disso deixa de fazer a experiência valer à pena. Os conhecimentos trocados, as amizades conquistadas, a forma como a universidade as acolheu e a nova bagagem acumulada acabam compensando todos os ônibus errados que as duas pegaram na cidade.

 

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