Terceirização do bem?

Tem gente argumentando que a nova lei já é uma realidade e que muitos podem ganhar com a prática

Diamantaras: empresas podem diversificar suas atividades - Foto: Manuel Vitart Aguiar

Diamantaras: empresas podem diversificar suas atividades – Foto: Manuel Vitart Aguiar

Por Manuel Vitart Aguiar 

Há setores que apoiam a aprovação do projeto de terceirização. O gerente de mercado do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (SEBRAE-SC), Spyros  Achylles Diamantara conta que a legislação trabalhista brasileira é arcaica se comparada com a de grandes economias. O mercado não se limita mais, como no início do século passado, a um embate entre empregador versos empresa, ou entre empresa A contra empresa B. As relações de mercados são estruturas que envolvem a participação de inúmeros atores e os efeitos se dão em cadeia.

Diamantara acredita que, se a PL 4330 for aprovada respeitando os direitos dos trabalhadores, as empresas podem diversificar as suas atividades, expandir seu capital e fazer com que uma série de outras empresas e pessoas cresçam juntas. Para exemplificar seu raciocínio, o gerente lembrou de empreendimentos considerados como orgulho catarinense e nacional: Sadia, Aurora e Perdigão. Essas três empresas terceirizam a produção de aves e suínos, contratando diversos pequenos produtores no estado e impondo um padrão de excelência internacional na criação de animais. “Todos crescem juntos. O vertiginoso crescimento dessas empresas não seria possível se tivessem que cuidar de todas as etapas de produção do seu produto final. Aliás, a terceirização da atividade fim é feita no Brasil há tempos, a nova lei virá apenas para dar legitimidade ao processo ”

De maneira próxima pensa o micro empresário Josias Gonçalves de Azevedo, dono de uma empresa de móveis planejados. Ele possui seu negócio desde 2007 e há cerca de um ano e meio passou a terceirizar o trabalho da  marcenaria. “Minha empresa deixou de contratar marceneiros. Hoje terceirizo a mão-de-obra. Senti uma enorme diferença na produtividade. Pago de três a quatro vezes mais para marcenarias realizarem o serviço, em compensação a empreitada está concluída uma semana, ao invés de um mês, se tivesse marceneiros contratos por conta própria. Consigo fechar mais negócios. Marceneiros competentes e rápidos conseguem mais projetos e ganham mais.”

Azevedo: terceirização garante maior rapidez e produtividade - Foto Manuel Vitart Aguiar

Azevedo: terceirização garante maior rapidez e produtividade – Foto Manuel Vitart Aguiar

O engenheiro que presta serviços à empresa Serenco, Guilherme Lima, lembra que o governo federal terceiriza e “quarteriza” suas atividades há muito tempo. “Veja bem, a empreiteira Queiroz Galvão ganhou a licitação para construir o Estado Olímpico Deodoro no Rio de Janeiro, onde serão realizadas as provas de Canoagem. A empresa por sua vez, contratou a Sigma para desenvolver o projeto de tratamento e circulação da água no percurso da prova. E para analisar e fiscalizar o projeto da Sigma, a Queiroz Galvão contratou a Serenco. Isso é uma quarterização de uma obra de responsabilidade federal.” O engenheiro também afirma que existem duas realidades de estabilidade de emprego no processo de terceirização, de acordo com o grau de especialização do profissional. “A  Prefeitura do Rio de Janeiro atrasou em mais de três meses os pagamentos devidos à Queiroz Galvão, a empreiteira demitiu setenta pedreiros e colocou mais de mil em aviso prévio. Mesmo com pagamentos atrasados, nenhum engenheiro foi demitido.”

 

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