As melhores amigas dos cães

Para combater o abandono, algumas pessoas abrigam temporariamente animais até conseguirem um lar definitivo para eles

Letícia conta com Internet como aliada na adoção de animas de rua - Foto: Renan Luiz Rodrigues

Letícia conta com a Internet como aliada na adoção de animas de rua – Foto: Renan Luiz Rodrigues

Por Roberta Bucheler

“Todo animal precisa de apoio, eles não tem boca para pedir, não tem mãos para fazer”. Letícia de Alcântara Gonçalves, de 20 anos, é formada em Tecnologia e Design de Moda, vive em Florianópolis e possui paixão por animais. Sentimento esse que era criticado quando ainda era criança. “Algumas pessoas diziam que era besteira, que bicho é criado pra virar comida, e isso me marcou muito, mas também serviu de incentivo e então hoje em dia faço muita coisa por eles, o que posso e o que não posso”. O que pode e faz é resgatar animais de rua, cuidar deles e depois conseguir um lar em definitivo. Antes de servir como lar temporário para animais carentes, ela já divulgava outros animais que estavam para adoção e incentivava a castração.

Atualmente, no Brasil, existem mais de 30 milhões de animais abandonados, segundo a Organização Mundial da Saúde em pesquisa realizada no ano passado. Existem cerca de 20 milhões de cachorros abandonados e 10 milhões de gatos. Em cidades grandes, como a de Letícia, para cada cinco habitantes há um cachorro, sendo que 10% são cães abandonados. Como lar temporário, Letícia já perdeu as contas de quantos animais abrigou e doou.  Ela destaca que não é fácil o que faz, principalmente pelos gastos.  Ração e vermífugo são gastos recorrentes. Quando o animal está com um problema mais grave, ela recorre a ajuda de outras pessoas  através da Internet, meio que ela diz ser muito importante hoje para a doação de animais. “A Internet é muito minha amiga nesse sentido, porque ainda tem bastante gente querendo um bichinho para cuidar”.

Um dos últimos animais abrigados por ela, chegou com metade do rabo e um ferimento grave exposto. Letícia se viu obrigada a ajudar e levou o animal ao veterinário. Só a cirurgia custou 350 reais, fora a consulta e os medicamentos. Ela então tirou fotos da cadelinha e colocou na rede social Facebook para arrecadar dinheiro para o pagamento. Em 24 horas, todo a quantia necessária foi alcançada. Após a operação, o animal se recuperou na casa dela e foi adotado. Ela procura saber notícias toda semana de como está a cadela que nomeou como Maria Luiza.

Sobre o vínculo que cria com os animais, por conviver com eles por um determinado tempo, Letícia é direta:  crio muito vínculo com eles, muito mesmo. Ela confessa que chora muito quando vai entregá-los, que sabe que é o melhor para eles, mas que não consegue se controlar. Conta ainda que a maioria dos animais que possui hoje –  são seis gatos e seis cachorros – deveriam  ficar temporariamente com ela, mas, no fim, não conseguiu doar.

Rejeitado duas vezes

Para conseguir um lar definitivo para os animais, Letícia envia um questionário a quem mostrar interesse para evitar que o animal seja abandonado novamente. Mas às vezes essas questões não bastam. Em um dos casos, uma mulher a procurou incessantemente para ficar com um filhote e o adotou. Após uma semana, a mulher voltou à casa de Letícia para devolver o animal, pois estava incomodada com ele. “Ela bateu na porta da minha casa, abriu a caixa de contenção do filhote, virou no chão e foi embora, simples assim”. Letícia voltou a divulgar fotos do filhote na Internet e, após  quatro dias do segundo abandono, ele foi novamente adotado.

O animal rejeitado ganhou uma nova dona e um nome.  Stella foi acolhida por Mayhara Karollyny Elias, que trabalha em uma clínica veterinária e se comoveu com a história. Ela revela que seu namorado, com quem foi morar recentemente, queria um cachorro. Procuraram no Facebook  em páginas de adoção de animais e viram o anúncio de Letícia. Interessada, Mayahara telefonou e ficou sabendo do caso de Stella. “Eu vi a foto dela e já estava apaixonada, conversei com meu namorado e resolvemos que seria ela”. No início, seu namorado queria um cão de raça, mas Mayhara o convenceu pela importância que acredita ter uma adoção. A cachorrinha, que chama de filha, dorme com ela e já no primeiro dia na nova casa dormiu encostada em seu pescoço.  Além de Stella, ela possui mais sete gatos, que também foram adotados.

Letícia não possui nenhuma parceria com abrigos, faz tudo por conta própria. Em sua página no Facebook, é perceptível a grande quantidade de publicações que ela compartilha sobre adoção. Seu engajamento com a causa vai além da paixão por animais, pois, além de apenas demonstrar seus sentimentos por eles, ela age, faz o possível para melhorar a situação de cada um que encontra.

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