Floripa e o bendito ouro branco

Falta de água preocupa os moradores da Ilha

Lagoa do Peri tem o maior sistema de abastecimento público da Ilha - Foto: CASAN

Lagoa do Peri tem o maior sistema de abastecimento público da Ilha – Foto: CASAN

Por Sarah Laís Coutinho da Silva

A Ilha de Santa Catarina foi abençoada por sua grande quantidade de água. Mas isso não significa que os ilhéus podem abusar de sua generosidade. Nosso ouro branco, como em qualquer outro lugar, pode acabar. Apesar do Aquífero Guarani – o maior manancial de água doce subterrânea do mundo – passar por grande parte de Santa Catarina, ele não passa por Floripa. E os recursos que a ilha têm diminuem a cada vez mais. Os moradores notam que todo ano, justamente no verão, vem aumentando a falta de água.

A dona de casa Zenair Duarte, 49,  mora na Costa da Lagoa e sua casa é abastecida pela cachoeira que fica próxima de onde ela mora. “Este ano a falta de água foi grande. Todos os dias deste verão eu abria minha torneira de manhã e nada saia pelo cano. Só o barulho de cano com ar. Eu tinha que lavar a louça, as roupas, tomar banho, reservar água para comida durante a noite para o dia seguinte. Por mais que chovesse todos os dias, no final da tarde, sempre era a mesma história”.

Solidão sem pacas

As águas eram abundantes até o fim da década de 1970 e as pacas desapareceram faz tempo. Na foz, do rio que levou o nome delas, referência na história da prainha que virou Solidão, segue o mesmo destino assoreado, coberto por vegetação, poluído e acossado pela presença humana. No caminho para trilha do Saquinho, plaquinhas improvisadas escritas à mão nos postes, muros, árvores e pedras apontam para a direção da cachoeira, mas não é mais possível ouvir o barulho da queda das águas. A cachoeira só se reaproxima do volume histórico de água após as trovoadas de verão ou períodos intensos de chuvas. Sem banhistas, os remansos acumulam grande quantidade de folhas das árvores em volta. Por esses motivos, os moradores próximo ao Rio das Pacas foram obrigados a abandonar suas casas que beiravam as trilhas. Alguns deles sobreviviam totalmente de uma captação precária do Rio.

Mananciais em Risco

O poder público nem sempre tem o controle das ocupações irregulares na ilha. O site da CASAN aponta as consequências disso: desmatamento, aterros de nascentes e cursos de água, etc… Entre esses problemas, os que levam ao desaparecimento das cachoeiras são as ligações clandestinas e desvios não só utilizados para uso doméstico, mas como manutenção de piscinas e lagos particulares. Foi o que fez a Companhia desativar algumas represas.

Florianópolis era abastecida por oito mananciais, até o início do ano eram quatro e hoje são apenas três. O maior sistema de abastecimento público fica no Sul da Ilha – Lagoa do Peri – que atende os distritos da Barra da Lagoa, Lagoa da Conceição, Campeche, Morro das Pedras, Armação e Ribeirão da Ilha. A produção da estação varia de acordo com a demanda, em média 178 l/s no inverno, atendendo até 102.000 habitantes, e no verão, em média 197 l/s, atendendo aproximadamente 113.000 habitantes.

“Ainda há falta de conscientização da população, pois um dia, como todo recurso natural, ela pode acabar, e como será?”, indaga Carla Kristina, moradora do Campeche, que todo início de ano passa por falta de água em sua residência.

 

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