Mantendo o nível

Cidade espanhola tem o menor índice de consumo de água do mundo

Zaragoza atingiu a meta de reduzir o consumo  de  um bilhão de litros de água em menos de um ano - Foto: http://www.projects.aegee.org/

Comunidade atingiu a meta de reduzir o consumo de um bilhão de litros de água em menos de um ano –  Foto: http://www.projects.aegee.org/

Por Gabriela Pederneiras

Zaragoza é uma cidade com aproximadamente 700 mil habitantes ao norte da Espanha. Além de ser capital da comunidade autônoma de Aragão, também é conhecida pela sua beleza natural mesclada com arquitetura clássica. Mas o município é conhecido mundialmente por outro motivo: Zaragoza é a cidade que mais poupa água no mundo.

Em 1997, mais de 60% da população desconhecia qualquer meio de economia de água e os moradores sofriam com a falta constante desse bem natural. Para resolver o problema, a prefeitura da cidade lançou uma campanha para reduzir a quantidade de água gasta por habitante. O projeto foi batizado de “Zaragoza, a cidade que poupa água”. O objetivo inicial era economizar um bilhão de litros por ano. O método para alcançar esse propósito precisava ser barato e sustentável.

Então, o primeiro passo foi uma campanha de sensibilização da população, mostrando os impactos econômicos e ambientais da redução do consumo de água. O trabalho começou com o envio de cartilhas para as residências e também com a conscientização de arquitetos, trabalhadores da construção civil, de encanadores e distribuidores de produtos de construção, para  incentivar uma mudança estrutural nas casas, tanto na fase da construção quanto na de manutenção.

Depois, foi dado um estímulo ao estudo e à aplicação de meios que ajudassem na redução do consumo, como reguladores de fluxo nas torneiras e replanejamento do uso de água em áreas públicas, sempre evitando o desperdício.

A continuidade desse projeto é feita através do sistema educacional. Praticamente 60% das escolas participam do programa de Educação Zaragoza, que ensina técnicas para poupar água às crianças. Além disso, mais de 150 instituições colaboram com o projeto, desde empresas e sindicatos até a mídia e associações de bairros. Folhetos, guias e kits explicando e incentivando a economia também são distribuídos pela cidade, em hotéis, restaurantes, centros comerciais e casas.

Com todo esse trabalho, Zaragoza conseguiu atingir a meta de reduzir o consumo  de  um bilhão de litros de água em menos de um ano, o que representa 5,6% do consumo nacional na Espanha. A média de gasto per capita na cidade é de menos de cem litros, sendo que o ideal previsto pela a ONU seria de cento e dez litros por pessoa.

Exemplos daqui

Em Florianópolis, dados sobre a média do gasto de água por pessoa não são disponibilizados pela CASAN (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). Mesmo assim, a população sabe que o consumo precisa ser diminuído para que a distribuição desse bem natural seja realizada de forma igualitária e constante. Na cidade é comum a falta de água no período de alta temporada (dezembro e janeiro) e,por isso, a prefeitura lança campanhas anualmente estimulando a economia nessa época.

Apesar de estar longe de alcançar uma taxa como a de Zaragoza, Florianópolis também conta com trabalhos para incentivar o consumo consciente da água. Além disso, são desenvolvidas pesquisas que procuram achar alternativas para o desperdício.

No Colégio Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina,  o tema  economia de água é abordado em todas as séries, de uma forma transdisciplinar. A diretora da escola, professora Josalba Ramalho Vieira, explica que quando as crianças são mais novas, do 1º ao 5º ano, o assunto é tratado de uma forma mais lúdica, fazendo relação com leituras, histórias e o cotidiano infantil, sempre salientando a importância da água e que ela é um recurso limitado.  A partir do 5º ano já é mostrado o lado científico da questão, incentivando que os alunos façam projetos envolvendo esse tema e entendam como funciona o ciclo da água, as consequências do desperdício, mau uso e soluções para preservar esse bem.

Ainda na universidade são desenvolvidos vários projetos vinculados a diferentes cursos que visam a economia e a conscientização do uso da água. Um exemplo é o projeto que estuda fotocatalisadores na Engenharia Química e Ambiental. Uma substância fotocatalisadora é capaz de, com a incidência da luz, quebrar elementos poluentes sem gerar detritos. Essa tecnologia pode ser empregada no tratamento de rios que servem de escape de fábricas, por exemplo, quebrando as moléculas de poluição sem gerar um “ lixo químico”. A coordenadora do projeto,Regina de Fátima, mostra outra utilidade dos fotocatalisadores: um dos principais benefícios dessa substância é que ela torna superfícies como vidro, azulejos e paredes, autolimpantes. Ou seja, não é necessário o gasto de água na mesma frequência que em superfícies sem fotocatalisadores.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s