A importância de falar sobre sexualidade

Programa vinculado ao curso de Medicina da UFSC leva educação sexual para escolas municipais de Florianópolis

Graduandos de medicina falaram sobre autoestima e padrões de beleza na Escola Henrique Veras, na Lagoa da Conceição - Foto: Mônica Custódio

Graduandos de Medicina falaram sobre autoestima e padrões de beleza na Escola Henrique Veras, na Lagoa da Conceição – Foto: Mônica Custódio

Por Mônica Custódio

Na quinta-feira, 2 de julho, os alunos do sexto ano da Escola Henrique Veras, na Lagoa da Conceição, tiveram uma tarde diferente. No lugar de aulas de Português ou Matemática, a turma aprendeu sobre como os padrões de beleza se modificaram através da história e suas implicações na autoestima.

A exposição, feita por alunos de Medicina da UFSC, faz parte do Programa de Educação Sexual nas Escolas Públicas do Município de Florianópolis, cujo objetivo principal é conscientizar sobre práticas sexuais mais seguras entre os adolescentes.

“A base do nosso projeto é trabalhar a sexualidade”, diz o professor da UFSC e coordenador do programa, Gonzalo Jaime Cofre. As atividades começam já com alunos do quinto ano do Ensino Fundamental, quando é trabalhado o respeito ao próprio corpo e ao dos outros, com linguagem mais infantil, voltada para a idade. Na série seguinte, o programa adentra o tema da iniciação sexual, usando professores de Português e de História para desenvolver conceitos de beleza e autoestima. No sétimo e oitavo anos são discutidas as doenças sexualmente transmissíveis.

“Nós entendemos que sexualidade é algo mais amplo. É tudo o que permeia as nossas relações, desde que nascemos e temos um gênero isso faz parte de nós e nos define. Então também trabalhamos autoestima, respeito ao outro”, conta a aluna de Medicina e bolsista do projeto, Julia Pinheiro Machado.

O projeto tem cinco bolsistas, mas eles não têm o papel de entrar nas salas de aula. Quem ministra as aulas são alunos das primeiras fases da graduação, de maneira voluntária, para que tenham contato mais cedo com a comunidade. “São alunos que vão aprender Medicina nos postos de saúde dos bairros de Florianópolis e, uma vez por semestre, são deslocados para realizar aulas sobre saúde sexual nas escolas do bairro correspondente”, fala o professor.

Entre as capitais brasileiras, Porto Alegre e Florianópolis lideram desde 2000 a classificação por taxa de incidência de casos de Aids, segundo o Ministério da Saúde. Em 2011, as taxas para essas duas cidades foram respectivamente de 95,3 e 71,6 casos por 100 mil habitantes – a média nacional é de 20,2 casos. Foram dados como esse levaram à criação do programa de educação sexual, em 2011.

Julia Pinheiro Machado explica que é comum uma maior ocorrência de casos de doenças transmissíveis em cidades portuárias, isso porque nessas regiões há uma grande entrada e saída de homens que acabam se relacionando com profissionais do sexo. Além disso, a aluna aponta que, na região Sul, há mais registro de casos pelo SUS do que nas regiões Norte e Nordeste.

De acordo com a aluna, uma dificuldade ainda encontrada pelo programa é a resistência de algumas famílias, que acreditam que falar sobre o tema com os filhos vai incentivá-los a fazer sexo. Já a participação dos alunos e professores é variada. “A gente tenta trazer a conversa e fazer os alunos refletirem sobre o assunto. Alguns acabam vendo a discussão como um momento para se expressarem de fato”, conclui.

Os bolsistas pretendem publicar um livro com o resultado das oficinas para que os professores possam trabalhar o tema nas aulas. O programa atualmente conta com apoio financeiro do edital ProExt, do Ministério da Educação.

 

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