Conservadorismo versus liberalidade no século XXI

Sexo ainda é tema de discussão nos dias de hoje

Vinícius Vigânigo na praia com a namorada: “O sexo não é tudo em um relacionamento, apesar de estarmos ansiosos pela noite de núpcias, é o amor que nos sustenta” Foto: Sarah Laís

Vinícius Vigânigo na praia com a namorada: “O sexo não é tudo em um relacionamento e, apesar de estarmos ansiosos pela noite de núpcias, é o amor que nos sustenta”
Foto: Sarah Laís

Por Sarah Laís

Depois de ser reprimida por muito tempo, a mulher do século XXI não se abstém de suas vontades. Porém, em meio a toda liberdade, há aquelas que optaram por esperar a primeira relação sexual pós-casamento. Carla Kristina, casada há 26 anos, durante cinco anos namorou sem ter nenhum tipo de relacionamento sexual com seu marido. Lembra que foi uma decisão dos dois de se guardaram um para o outro. Desta forma, ela  nunca teve outro homem além dele. Carla diz que na época em que casou era moda as moças se casarem novinhas. Nenhuma de suas amigas casaram virgens, “exceto eu”, ressalta.

Embora o sexo tenha se tornado algo mais comum a partir da revolução sexual da década de 60, a religião e a cultura ainda mantêm seus ideais em alguns países, porém, elas vem sofrendo algumas transformações. Tem religião que já se posicionou ao lado da liberação do sexo, como a igreja católica, que agora incentiva o uso do preservativo e vida intensa dos prazeres. Mas o cristão Vínícius Vigânigo, 20 anos, aderiu ao movimento Eu Escolhi Esperar. Afirma que, com quatro anos de namoro, nunca teve relações sexuais com sua namorada. Escolheram se abster do sexo não por imposição da igreja, e deixa claro que foi por opção. “A bíblia não me proíbe, ela me orienta sobre isso. Quando recebemos um bom conselho e seguimos, não temos chance de nos dar mal”, e defende o grupo “se os jovens se guardassem agora, evitariam a metade de seus problemas emocionais”.

O grupo Eu escolhi esperar tem mais de dois milhões de seguidores apenas no Facebook. Trata de pessoas que escolheram esperar em Deus para ter o seu parceiro correto. É um movimento que não abrange apenas evangélicos, mas também católicos que buscam um namoro santo. O jovem é ensinado por meio da bíblia a esperar a pessoa certa para desfrutar um momento tão especial.

Eles defendem que é o matrimônio que nos permite desfrutar de tal intimidade. João Dyer, é um dos integrantes do grupo. “No grego, a definição da palavra matrimônio traz o sentido de uma festa de casamento, núpcias, banquete de casamento. Os jovens não medem consequências, e não percebem que quanto mais se envolvem em relacionamentos vãos, eles terão problemas futuros no quando estiverem em algo mais firme e maduro,” argumenta.

A quadrinhista Marjane Satrapi, conta em um de seus livros, Bordados, que as mulheres iranianas desejam uma liberdade sexual. Porém, as moças que vão se casar e que já não são mais virgens se submetem a uma cirurgia de reconstrução do hímen. Por hipótese alguma, o marido pode descobrir que sua mulher já esteve com outro homem.

A tradição judaica, por exemplo, não permite que o namoro seja um mero entretenimento, reservado apenas para jovens que estão em busca de sua alma gêmea e espiritualmente ligada uma a outra. A lei não permite que os dois fiquem sozinhos antes do casamento.

No Brasil, censura e liberdade se alternam quando o assunto é sexo. Apesar de sermos conhecidos como o ‘país da libertinagem’, símbolo da sensualidade feminina no carnaval, das belas praias com suas moças de biquininho, do clima quente e inibidor de muitas roupas, a sexualidade foi, e ainda é, um tabu. Marcos Sartori, militar de 22 anos, considera que hoje em dia tudo depende da família, educação e da criação. “Eu cresci com o pensamento de experimentar o sexo só depois do casamento, mas acabei provando antes e gostando, agora é difícil querer parar”. Ele conta que os pais deles resistiram no começo, mas logo com o convívio aceitaram normalmente um dormir na casa do outro. “Eu acho bom que casal espere pelo casamento, acho bonito, mas para mim, o sexo faz parte do namoro”, afirma.

O sexo ainda é um assunto muito discutido pelo mundo. Nunca terá um conceito consolidado. Embora já esteve perto de uma condição global, o casamento. Por muitos anos, em qualquer parte do mundo, eram apenas casamentos arranjados. O namoro surgiu com o tempo, mas ambos deviam se guardar para o casamento. Hoje em dia, independente de fé, religião ou filosofia de vida, no Brasil ou em todo Ocidente, você pode optar por fazer parte da geração da revolução do sexo ou, simplesmente, escolher esperar para o casamento.

 

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