#relacionamento

As histórias de quem enfrenta a distância com ajuda da internet

A maneira que muitos encontram para superar a distância está nas redes, motivo também de problemas nos relacionamentos - como o ciúme - Foto: http://www.lagoinha.com/ibl-colunista/namoro-a-distancia-da-certo/

A maneira que muitos encontram para superar a distância está nas redes, motivo também de problemas nos relacionamentos, como o ciúme – Foto: http://www.lagoinha.com/ibl-colunista/namoro-a-distancia-da-certo/

Por Gisele Bueno

Longe de casa há mais de uma semana, milhas e milhas distante do seu amor. Será que ela/ele está te esperando? Essa é a dúvida constante de quem se relaciona a distância. Seja por necessidades profissionais ou questões familiares, esses relacionamentos têm provado que para o amor não existem barreiras. Até existem, mas para superá-las a tecnologia tem dado uma forcinha aos apaixonados.

Iliete Rodrigues é viúva, mas prefere a denominação “solteira”. E faz valer o “solteira sim, sozinha nunca”. Desde que terminou seu último relacionamento de nove anos, a técnica em enfermagem e mãe de dois filhos não se retrai. Iliete mantém relacionamentos abertos que normalmente começam na internet.

O primeiro contato é quase sempre pelo Badoo, rede na qual o indivíduo cria um perfil especificando que tipo de pessoas procura e participa de chats com o objetivo de encontrar afinidades. Depois da “pré-seleção”, Iliete parte para o Skype, que complementa a etapa de conhecimento da paquera, já que traz a chamada em vídeo como principal ferramenta. Para ela, essa chega a ser uma questão de segurança. “Preciso ver para crer. Depois disso é que vem o contato físico, o encontro”, ressalta.

Mas há também quem encara o “monstro” da distância depois de cair nas graças do amor. Elena Amorim tem 19 anos e saiu de sua cidade natal há dois anos e meio para estudar. Ainda no ensino médio, ela conheceu seu atual namorado mas ambos sabiam que os caminhos estavam prestes a se separar. A decisão de não firmar namoro foi superada pelo afeto mútuo. 11 meses após a partida o casal deu um jeitinho de manter o relacionamento.

Uma vez por mês eles se encontram. A distância é de 337 km, aproximadamente cinco horas de viagem. Para suprir a falta de contato físico, redes sociais e aplicativos de comunicação tem tido um papel importante na história de Elena. No período antes de assumir o relacionamento, o casal jamais deixou de conversar via WhatsApp.

Já Marina Degani conheceu o namorado em um intercâmbio no Peru no início deste ano. Morando em estados diferentes e até então céticos quando o assunto era namoro a distância, eles trabalharam juntos durante a viagem e essa proximidade foi um “empurrãozinho”. O casal resolveu arriscar a sorte. Há seis meses eles se vêem em encontros mensais e, assim como a maioria, superam dificuldades da situação com a internet. Todos os dias conversam via WhatsApp, pelo menos uma vez por semana via Skype e às vezes, pelo Facebook também. Para o casal, falar sobre sexo a distância não é tabu. “Todo mundo faz sexo, é algo natural. E se não faz presencial, faz por apps. É um método de manter a chama acesa” enaltece Marina.

Iliete pensa de forma parecida. Para ela, se há confiança mútua o sexo virtual torna-se prazeroso também. É claro que o cara-a-cara – ou melhor, o corpo-a-corpo – é prioridade, mas ela acredita que as ferramentas de internet tenham um papel fundamental na aproximação de casais separados pela distância. “Os casais já estabelecidos são os mais beneficiados, mas acho que para iniciar um relacionamento é um pouco ‘frio’. Nada substitui o contato físico. Ouvir a voz, sentir a energia, observar as expressões corporais. Tecnologia é só ferramenta de busca”.

Ao alcance das mãos

Apesar de não substituir o contato físico, a tecnologia está se aproximando do que consideramos um relacionamento saudável. A presença na vida do outro, conversas e até mesmo instigar o tato fazem parte da onda de inovações.

O aplicativo britânico Couple Counseling é uma espécie de terapia de casal onde os pombinhos respondem a um quiz para detectar problemas cotidianos no relacionamento. No Brasil é o Rastreador de Namorado que faz sucesso, já que possibilita que o casal tenha acesso a registro de ligações, mensagens e até a localização um do outro. Além de vigiar, “sentir” o companheiro não está tão distante assim. O Couple funciona como uma rede social exclusiva do casal com espaço para fotos e calendário pessoal. O surpreendente é que ao tocarem a mesma região da tela de seus celulares ou tablets, o aplicativo faz com que o aparelho dê um sinal de vibração chamado “beijo de dedo”.

Mas há quem prefira os tradicionais. WhatsApp, Facebook e Skype estão entre os mais utilizados. Elena Amorim troca fotos íntimas com o namorado, que retribui com áudios ainda mais “quentes”. De vez em quando, o casal usa a tecnologia para demonstrar o quanto a saudade aperta. Na visão de ambos, masturbação é saudável. “Antes com a mão do que com outra [risos]” – relata.

Marina encontra um pouco mais de dificuldades para flertar online, já que mora com os pais e os horários em que ambos podem utilizar chamada em vídeo é restrito. Mas as famosas “nudes” – fotos íntimas de nudez – contribuem para a relação.

De mocinho para vilão

Nem só de pontos positivos são feitos os relacionamentos a distância. Há pouco mais de um ano e meio, Iliete foi morar com um namorado que conheceu virtualmente. O relacionamento durou cerca de dois meses e o término foi provocado porque o parceiro não aceitou excluir seus perfis das redes de relacionamento – por onde se conheceram.

Já Marina enfrenta agora outro intercâmbio do namorado que passará um ano nos EUA pelo Ciência Sem Fronteiras. A viagem que antes de avião duraria cerca de seis horas será triplicada já que do Rio Grande do Sul, o jovem irá para a Califórnia. Provavelmente não se encontrarão durante esse período, mas optaram por manter o relacionamento e superar a barreira da distância.

Enquanto isso, Elena Amorim e o parceiro também não têm expectativas de ficarem juntos. Ambos estão estudando. Não há dúvidas de que no fim querem acabar com a distância. Aliás, essa é a certeza que todos eles têm.

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