Preta, preta, pretinha…

Projetos buscam o reconhecimento e a valorização das mulheres negras em Florianópolis

Samanta C. da Silva - Foto: Ester Mendes

Samanta da Silva, uma das modelos do ensaio fotográfico – Foto: Ester Mendes

Por Ana Carolina Inácio

Você sabia que Santa Catarina foi considerado o estado com menos proporção de negros do país segundo o Censo de 2010 do IBGE? São apenas 15,35% no estado e 13,87% de pessoas auto declaradas negras em Florianópolis. Apesar disso, não faltam iniciativas envolvendo as mulheres negras da capital. Um deles é o projeto Preta, da maquiadora Luciana Medeiros e da fotógrafa Ester Mendes, que reuniu 36 negras no início do ano para um ensaio fotográfico com o objetivo mostrar a importância da beleza negra.

O projeto surgiu de um sonho pessoal. Luciana é maquiadora e trabalha em Florianópolis. Teve a ideia de fotografar mulheres negras quando inaugurou seu estúdio e começou a produzir um portfólio profissional. Desejava um ensaio apenas com negras por não encontrar quase nada específico, e por ver que grande parte dos trabalhadores da área não sabiam maquiar pele negra devidamente. Sua surpresa foi a dificuldade de encontrar negras em agências de modelos. Na época não conseguiu nem cinco modelos, e encontrou apenas uma que possuía cabelo naturalmente crespo. Então resolveu desistir temporariamente do ensaio em função da frustração com a busca.

Depois de um tempo, Luciana e Ester, que já haviam trabalhado juntas, resolveram fazer um ensaio fotográfico com mulheres negras, mas não com modelos e, sim, com pessoas comuns, a fim de mostrar a beleza que está nas ruas. A ideia começou pequena e foi se espalhando, em dois dias mais de trinta mulheres já estavam interessadas em participar do projeto. “O propósito básico seria mostrar que há mulheres negras em uma cidade que se crê branca, como Florianópolis, e que por mais que estejam segregadas a subúrbios e morros/favelas, elas existem, estão circulando por aí, são legítimas, possuem uma grande diversidade interna e se expressam de diferentes formas no mundo” , diz Luciana.

A proposta para as organizadoras era que o ensaio fosse mostrado em três exposições, mas por falta de verba e patrocínio, a exposição irá se tornar apenas online, em um site que as próprias idealizadoras irão lançar dentro de dois meses.

Jéssica Catarina Menezes Santos é uma das 36 negras que integra a exposição virtual do projeto Preta - Foto: Ester Mendes

Jéssica Catarina Menezes Santos é uma das 36 negras reunidas na exposição virtual do projeto Preta – Foto: Ester Mendes

Outra iniciativa é Marcha das Mulheres Negras de Santa Catarina e tem como uma das organizadoras de Santa Catarina a Carol Carvalho, que foi uma das voluntárias do projeto Preta. A Marcha foi idealizada, no Tulip Inn Hotel, Salvador-BA, no Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI: Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodescendentes, nos dias 16 a 20 de novembro de 2011,  e será realizada em novembro de 2015. O projeto é de âmbito nacional. Assim, para que haja uma maior organização entre todas as mulheres negras, foram criados Comitês Impulsores de cada estado Brasileiro, com intuito de mobilização para marchar no dia 18 de novembro até Brasília.

Descobri que aconteceria a Marcha num momento maravilhoso da minha vida, ela contribuiu para que eu me afirmasse enquanto mulher e negra. Na medida em que percebi que este movimento era protagonizado por mulheres negras, me senti extremamente representada e não havia outro espaço que eu gostaria de estar, a não ser com elas”, afirma Carol.

Thuanny Paes, também foi voluntária do projeto Preta e faz parte do coletivo Nega da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Oito mulheres e um homem fazem parte do coletivo. Eles organizam todo o mês um cine clube sobre temáticas raciais, oficinas de teatro e este ano estão fazendo preparação corporal com base em dança afro-brasileira aberta à comunidade.

Apesar do pequeno número de pessoas auto declaradas negros no estado, iniciativas como essas vem surgindo a todo momento. Luciana expressa sua felicidade com o que o Preta acabou significando para as participantes. “Acompanhantes vinham com voluntárias e acabavam posando também e saíam felizes, maquiadas, se sentindo bem e aceitas pelo que são, por suas formas, suas cores, entendendo que há beleza em todo ser humano”.


 

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