O legado do Pink Floyd

Após o fim do supergrupo, Roger Waters e David Gilmour continuam causando impacto no mundo da música

Arte da turnê Rattle That Lock, que marca a primeira visita de Gilmour ao Brasil - Imagem: Divulgação

Arte da turnê Rattle That Lock, que marca a primeira visita de Gilmour ao Brasil – Imagem: Divulgação

Por Carlos Henrique Costa

David Gilmour, ex-guitarrista e vocalista do Pink Floyd, anunciou no começo de setembro que se apresentará no Brasil em dezembro. É a primeira vez do músico de 69 anos no país, o que causou alvoroço entre os fãs daquela que é considerada a maior banda da história do rock progressivo. Os shows – que acontecem em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre nos dias 12, 14 e 16, respectivamente – fazem parte da turnê Rattle That Lock, concebida para divulgar o álbum de mesmo nome, o quarto de Gilmour em carreira solo.

O disco foi lançado em 18 de setembro, e o trabalho tem mais influência do funk rock, com espaço para o baixo groovy de Guy Pratt. Isso pode ser percebido nos vídeos promocionais do álbum, que trazem Today e a faixa-título. Rattle That Lock foi, inclusive, inspirada em um jingle que precede anúncios feitos pelo serviço de som de estações de trem da França. De acordo com o próprio Gilmour, as notas da música deram a ele a vontade de “começar a dançar”, o que evidencia um álbum mais swingado.

VÍDEO BASTIDORES RATTLE THAT LOCK EPK:

Apesar disso, o disco não foge do padrão dos trabalhos solo do guitarrista. É o que aponta Juarez Fonseca, jornalista e crítico musical do jornal gaúcho Zero Hora: “Eu acho que não vai diferir radicalmente dos álbuns que ele tem feito”. “Nessa altura do campeonato, ele não vai mudar o estilo nem inventar algo novo, até por causa da idade”, diz Fonseca. Rattle That Lock vem mais de nove anos depois da última obra de Gilmour, On An Island, lançada em março de 2006.

Outro destaque do novo LP é a faixa A Boat Lies Waiting, que homenageia o falecido tecladista Richard Wright, também do Floyd. O piano de Gilmour sugeriu à letrista Polly Samson – esposa do guitarrista – a lembrança de Rick, como era chamado o músico morto há pouco mais de sete anos. A letra faz menção à paixão de Wright por oceano e velejamento. Colaboraram nos vocais os músicos David Crosby e Graham Nash, do grupo de folk rock Crosby, Stills & Nash.

VÍDEO A BOAT LIES WAITING:

A canção segue o conceito do último álbum de estúdio do Pink Floyd. Lançado em dezembro do ano passado com base em gravações da banda na década de 1990, The Endless River é uma reverência a Wright, segundo Gilmour: “É um tributo para ele, muito evocativo e emocionante em vários momentos”. “Esse registro é uma ótima maneira de reconhecer o que ele fez”, observa o baterista Nick Mason, que hoje se dedica à sua coleção de carros.

Mas, para tristeza dos fãs, um novo trabalho do grupo está descartado. O próprio guitarrista, que assumira a liderança da banda há três décadas após a saída de Roger Waters, confirmou que o Pink Floyd chegou ao fim. Justamente quando a banda completa 50 anos de história. Formado em 1965, o conjunto lançou seu primeiro disco dois anos depois. The Piper At The Gates of Dawn fez sucesso com sua psicodelia, decorrente da criatividade do guitarrista e vocalista Syd Barrett – Gilmour não fazia parte do Floyd à época –, então líder do conjunto.

Cartaz do filme Roger Waters the Wall, que estreia nos cinemas no fim de setembro - Imagem: Divulgação

Cartaz do filme Roger Waters the Wall, que estreia nos cinemas no fim de setembro – Imagem: Divulgação

“Os primeiros shows do Pink Floyd tinham muitas coisas novas para a época: cenário, projeções, iluminação… Não se via isso nas apresentações dos Beatles e dos Stones. Syd lançou várias bases que fizeram do rock um espetáculo visual”, destaca Juarez Fonseca. Porém, Barrett era uma figura controversa, como explica o crítico musical: “Ele dizia que o sucesso era uma faca de dois gumes”. Por fim, o consumo excessivo de drogas, principalmente LSD, forçou a saída da então força criativa floydiana. E foi aí que entrou David Gilmour.

Seu ingresso marcou uma pequena mudança de estilo no grupo. Quem explica é Antonio Carlos Miguel, jornalista especializado em música do portal G1: “Gilmour soube fazer a transição para o rock progressivo e, como guitarrista, com um timbre muito melódico e original, garantiu personalidade marcante para a sonoridade que passou a caracterizar a banda”. E foi com a icônica guitarra de Gilmour, aliada às pontuais baterias de Mason e psicodélicas teclas de Wright que o Pink Floyd chegou ao estrelato.

Isso é comprovado pelo sucesso da banda tanto com o público quanto com a crítica. “Pelo que fez nas suas duas primeiras décadas, o Pink Floyd é, com justiça, um dos mais influentes grupos do rock, foi o que com melhores resultados comerciais levou o rock progressivo ao grande público”, opina Miguel. “Na minha opinião, o Pink Floyd foi a banda mais influente do rock depois de Beatles e Rolling Stones”, endossa Fonseca.

Entretanto, não se pode esquecer de maneira alguma do principal compositor após a saída de Barrett: Roger Waters. Por mais limitado que fosse no baixo, contribuía  razoavelmente com seu instrumento para o som espacial do Floyd. Mas a maior importância de Waters está, na verdade, em seu talento como letrista. Para se ter uma ideia, todas as faixas de um total de 5 álbuns tiveram suas letras escritas por ele. Esse período abrange desde The Dark Side of the Moon (1973) até The Final Cut (1983).

Waters prepara agora o lançamento do filme sobre sua última série de shows, que faz referência ao aclamado álbum conceitual The Wall. Realizada entre 2010 e 2013, a turnê The Wall Live foi a mais lucrativa da história de um artista solo – e a terceira de toda a música. A estreia mundial está agendada para 29 de setembro e o trailer já foi divulgado. O ponto alto das apresentações foi em 2011, quando Gilmour se juntou ao letrista para executar a mítica Comfortably Numb, deixando de lado as brigas do passado e celebrando o legado do Pink Floyd.

VÍDEO GILMOUR E WATERS TOCANDO COMFORTABLY NUMB:

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