#‎ANPEd37

Inovações na comunicação do maior evento de educação do país alcançam mais de cem mil pessoas no meio digital

Midias

Por Daiane Nora

O vizinho bate panela, o taxista reclama da alta da gasolina, o amigo pinta cartaz e compartilha no Facebook, os pais discutem política enquanto assistem o Jornal Nacional. Todos estão falando de política, na ANPEd isso não seria diferente. De acordo com a presidente da organização, Maria Margarida Machado, “a associação não tem como não se envolver com política, porque educação se faz com política”. A 37ª Reunião Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), realizada entre os dias 4 e 8 de outubro na UFSC de Florianópolis, aconteceu em um momento de muito diálogo sobre políticas educacionais. O tema da reunião foi Plano Nacional de Educação: tensões e perspectivas para a educação pública brasileira. Para Margarida, “a grande questão é como cumprir um plano sem o suporte financeiro necessário para isso”. Este ano, a aposta foi na comunicação digital. Conectada às redes sociais, ao Facebook, Twitter, Instagram, Youtube, Site,  e até mesmo ao Periscope, a organização possibilitou a participação de quem não conseguiu estar presente.

 

A ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) é uma instituição sem fins lucrativos que reúne professores, estudantes e pesquisadores vinculados aos programas de pós-graduação stricto sensu em educação. Sua finalidade é o desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura, dentro dos princípios da participação democrática, da liberdade e da justiça social. Suas reuniões nacionais são o maior evento acadêmico da área de educação do país. Foi a primeira vez que a organização passou dois anos sem fazer um encontro nacional. A partir deste ano, as reuniões anuais passarão a ser bienais e acontecerão apenas nos anos ímpares. Nos anos pares, estão programadas 5 reuniões regionais. Norte e Nordeste, que faziam o encontro juntos, vão se separar agora em 2016. A dinâmica regional é importante pois possibilita a participação de mais gente e fortalece as pesquisas de cada região.  Na nacional de 2015 foram apresentados 636 trabalhos, enquanto nas últimas quatro regionais somaram-se 3600 trabalhos. Outra mudança foi a alteração da duração da reunião nacional, antes realizada em quatro dias, agora conta com um dia a mais, decisão que viabiliza a divulgação de mais produções. Este ano foram apresentados 512 trabalhos, 99 pôsteres, 25 trabalhos encomendados, 22 minicursos, 15 mostras de vídeos de pesquisa, 14 sessões-conversa e colóquios, 13 sessões especiais e 11 reuniões político-organizativas.

A reunião aconteceu em uma conjuntura de muita discussão política. As recentes atribulações econômicas e institucionais causaram tormento, aflição e até mesmo revolta por vários cantos do país. Queda de receita, aumento da inflação, desvalorização cambial, investigações de corrupção, manifestações para impeachment, entre outras intempéries, fizeram o governo tomar atitudes para se salvaguardar. Entre elas, a promessa de um pacote anticorrupção, a garantia do fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, o comprometimento com a reforma política e um drástico reajuste fiscal. Os nove bilhões cortados da educação afetaram diretamente os programas de pós-graduação. A ANPEd têm parceria direta com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que é a agência de fomento responsável pela politica da pós-graduação brasileira. Em julho, houve o repasse de apenas 50% do recurso semestral. Essa liberação lenta dificulta a constituição de bancas, pois com esse dinheiro é pago o deslocamento dos pesquisadores para avaliarem as teses que são defendidas. Além disso, dificulta a realização de eventos, cujo objetivo é socializar as pesquisas concluídas. Depois de muito questionamento na área, foram liberados recursos para pesquisas específicas vinculadas ao PIBID (Programa Institucional de Iniciação à Docência) que fornece bolsas para alunos de licenciatura, para atuarem junto com a educação básica.

De olho na mídia

Para melhorar a difusão das pesquisas científicas na área da educação, houve grandes mudança na comunicação da ANPEd. A cobertura do evento nacional , que antes contava com três integrantes, ganhou dois novos membros. Com uma postura nova, o grupo foi além da produção textual e fotográfica. Eles conectaram a organização às mídias digitais e às redes sociais, desenvolvendo em cada meio uma estratégia própria de produção. Casaram textos, fotos, vídeos e transmissões ao vivo, o que originou uma cobertura dinâmica e incentivou a maior participação dos internautas. Muito interessante para aqueles que gostariam de participar e não puderam vir por diversos motivos, como, por exemplo, a taxa de inscrição no evento, que custava entre 120 e 590 reais, sem contar o valor do transporte e estadia.  A ideia é de que o evento não é só pra quem pode estar presente, e sim para qualquer um ao redor do mundo. A ANPEd é uma associação de pesquisadores, porém os temas tratados são para todos aqueles que estão preocupados com a educação. Com esse novo viés, a reunião teve uma capilaridade muito grande, obteve mais de sete mil seguidores e mil curtidas no Facebook, mais de duzentos e sessenta mil visualizações no site 37a R.A e alcançou, ao todo, mais de 100 mil pessoas, valor muito superior aos três mil associados e 2,2 mil inscritos. Mesmo aqueles que estiveram no evento, e antes ficavam com a sensação de que perderam algo importante, dessa vez foi diferente: eles puderam fazer uma panorâmica de tudo que aconteceu. A simultaneidade sempre é muito grande, ocorrem ao mesmo tempo a discussão de vários trabalhos. Através de vídeos de três minutos, o pesquisador foi capaz de sintetizar as principais preocupações do tema da pesquisa e inteirar seus colegas sobre o assunto. Os vídeos são rápidos e ágeis, por vezes superficiais, mas bem utilizados quando chamam a atenção para a existência de um conhecimento mais profundo. Conforme o segundo secretário e coordenador de comunicação da ANPEd, Paulo César Rodrigues Carrano, “é fundamental poder se encontrar e conversar olho no olho, mas quando isso não é possível pode-se fazer uso dessas ferramentas”.

O grupo também está desenvolvendo um novo canal chamado De olho na mídia, que tem o objetivo de observar como os meios de comunicação pautam o tema educacional em cada mês. Além disso, existe um projeto em andamento, que idealiza a produção de um vídeo-fonte, cuja finalidade é disponibilizar o contato de diversos pessoas que possam oferecer informações de sua área de atuação. A principio será feito com os associados da ANPEd, mas também estará aberto a qualquer pesquisador que queira se associar a essas fontes. Atualmente, a instituição está migrando para outra plataforma. A previsão é de que o portal daqui um mês esteja muito diferente. De mais a mais, outro incremento da organização foi a criação de um fórum no portal chamado ANPEd Debate, que já possui quatro temas em discussão. Qualquer um pode acompanhar as conversas e para participar e baixar os arquivos é preciso se cadastrar com um e-mail. Um dos principais debates do fórum é sobre o documento “Pátria Educadora” lançado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR), que causou muita polêmica. O texto foi elaborado sem consulta prévia às organizações que discutem a educação. O membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Antônio César Callegari, comenta que o documento concorre com o Plano Nacional de Educação (PNE). Segundo Callegari, isso cria uma confusão sobre qual dos documentos estabelece realmente as diretrizes, o que poderia dificultar o cumprimento das metas. O PNE, tema da 37a ANPEd, foi sancionado, sem vetos, em 2014, e prevê metas e estratégias para a educação nos próximos anos. O PNE também está em debate no fórum da ANPEd.

O atual desafio da comunicação da ANPEd é a adequação das pessoas a essas ferramentas. Os indivíduos têm tendência a observar e poucos interagem, por vários motivos, seja por timidez, por dificuldades tecnológicas, ou desinteresse em partilhar. Todavia é importante persistir, fornecendo espaços de conversação e de escuta para que possamos aprender uns com os outros.  Segundo Carrano, a instituição busca incentivar a participação: “O espaço é um lugar aberto, não é preciso falar bonito, é preciso querer ajudar a melhorar”.

Imagem: Mídias

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s