Bom dia, liguem os celulares!

O uso de recursos digitais em sala de aula ainda é uma prática pouco comum nas escolas brasileiras

Professores se questionam como encontrar um equilíbrio para o uso das tecnologias no ambiente escolar - Foto: https://www.bhbit.com.br/

Professores se questionam como encontrar um equilíbrio para o uso das tecnologias no ambiente escolar – Foto: https://www.bhbit.com.br/

Por Fernanda Mueller

Cada vez mais parece impossível imaginar as nossas vidas sem as tecnologias de informação. Dispositivos como celulares, computadores e tablets se tornaram comuns no dia a dia das pessoas. Essa familiaridade de crianças e adolescentes com as tecnologias tem contribuído para eles desenvolverem um raciocínio mais rápido, o que poderia ser muito bem aproveitado em sala de aula. Mas não é o que se vê em boa parte as escolas brasileiras. Proibir ou não o uso de celulares em salas de aula, por exemplo, é uma questão muito discutida, principalmente como fazer o uso desses equipamentos de forma didática, sem perder o controle. Porém, o que não se pode é ignorar o fato de que ensinar no mundo de hoje é diferente de 10 anos atrás.

Kátia Morosov Alonso, professora da Universidade Federal do Mato Grosso, desenvolve pesquisas na área da educação com as novas tecnologias, e diz que é necessário pensar num movimento com relação à constituição da própria escola, pois não é possível trabalhar o uso de tecnologias nessas bases em que elas estão postas hoje. É necessária uma mudança na forma de educar. “A escola, hoje em dia, se torna um ambiente de impossibilidade”, aponta ela. Professores de ensino fundamental, por exemplo, que trazem um novo livro para os alunos, ignoram o fato de que provavelmente essas crianças já conhecem a história por filmes, ou programas de televisão e começam o processo de aprendizado desde o início, quando não há necessidade. Kátia diz que “pensar numa escola que se volte para a cultura digital, é não pensar no controle. Qual o problema de o aluno usar o dispositivo, por exemplo, o celular, para brincar? Mas temos que entender qual o contexto daquela brincadeira naquele espaço chamado escola”.

A proporção de alunos e professores que utilizam as tecnologias cresceu nos últimos anos, como mostra a pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) de 2014: 79% dos alunos de escola pública e 84% dos colégios particulares utilizam a internet pelo celular. No entanto, a maior parte desses acessos se dá em casa. Apenas 41% dos alunos de instituições públicas conectam-se às redes da escola. A falta de formação e infraestrutura ainda são barreiras para professores utilizarem recursos educacionais digitais em sala de aula. Em contrapartida, a pesquisa mostra que, mesmo que a internet ainda não está tão presente nas escolas, 80% dos professores utilizam a ferramenta para preparar as suas aulas, demonstrando que há um interesse crescente pelo uso de tecnologias da informação nas práticas pedagógicas.

Sem brigar com a tecnologia

Apesar dos desafios ainda encontrados por escolas e educadores, o colégio COC, de Florianópolis, está mostrando ser possível trabalhar com recursos digitais em sala de aula. Todos os alunos do Ensino Médio agora possuem um tablet, para poderem fazer pesquisas na internet e terem acesso online ao conteúdo das aulas. Além disso, eles também podem utilizar os celulares na aula, mas somente para fins didáticos. Marcelo Borret, professor de História do COC destaca que “brigar com a tecnologia e o seu uso é um erro. Cabe ao educador transformar a tecnologia em um instrumento de aprendizagem, mas, é claro, regras para o uso dos instrumentos tecnológicos precisam ser estabelecidas. Há o momento para o lazer e o entretenimento, há o momento para guardar o instrumento e há o momento para utilizar a tecnologia como recurso didático”.

A interação por parte dos professores com os recursos tecnológicos é importante, porque, dessa forma, eles conseguem interagir com a realidade que o aluno está inserido. Hoje, os estudantes aprendem de forma mais dinâmica do que antigamente. A transição do modelo de educação está acontecendo, mas de forma lenta. O Brasil ainda precisa vencer muitos obstáculos quando o assunto é tecnologia, para a pesquisadora Kátia Alonso, o único caminho para vencer o desafio da exclusão digital no país é por meio da educação. Ela ainda destaca que apenas disponibilizar os recursos para crianças e adolescentes em sala de aula não é a solução, ainda falta planejamento para o uso das ferramentas: “Não adianta só ter o acesso às tecnologias, é necessário que o aluno compreenda como cidadão, de que forma essa informação o afeta”.

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