Silenciar por um ano

Grupos de familiares no WhatsApp são motivos para reclamação dos usuários

grupos no WhatsApp se tornaram um dos maiores meios de comunicação entre as famílias - Imagem: ppadom

Grupos no WhatsApp se tornaram um dos maiores meios de comunicação entre as famílias – Imagem: ppadom

Por Juliana Fernandez

Cansado, depois de um longo dia de trabalho, você chega em casa, tira os sapatos, cumprimenta a família e senta no sofá da sala, onde todos estão assistindo ao jornal das sete. Nunca houve tanto silêncio diante da televisão. Antigamente era impossível ouvir o noticiário porque todos queriam contar seu dia ao mesmo tempo. Hoje, continuam falando, mas pelo celular. Cada um com seu aparelho, de cabeça baixa, trocando poucas palavras entre si, que não são sobre o dia, mas “dá para abaixar o volume? Não estou conseguindo escutar o áudio que mandaram no grupo”.

Com mais de 900 milhões de usuários em todo o mundo, 200 milhões apenas este ano, o WhatsApp se tornou um dos principais meios de comunicação. Os grupos de conversa são uma das utilidades do aplicativo, que, tecnicamente, não tem defeitos. Porém, os chamados “grupos de família” vem sendo alvo de reclamações por parte de muitos brasileiros e as maiores queixas são o compartilhamento de conteúdo banal e o conflito de opiniões.

As conversas – e brigas – dos almoços de domingo em família foram parar no aplicativo e se, cara a cara, a convivência já era complicada, no mundo virtual, as coisas podem piorar. O aluno de Engenharia Mecânica da UTFPR, João Cassiano Visinoni Tapada, saiu do grupo da família em abril de 2015 para preservar o amor que tem pelos familiares: “Saí para evitar conflitos e discussões desnecessárias já que as opiniões políticas e sociais deles eram diferentes das minhas”. João Cassiano mora sozinho em Curitiba e entra em contato com os familiares através do telefone e do facebook, como já fazia antes da criação dos grupos no WhatsApp. Embora reconheça um lado bom no uso do aplicativo, ele chama a atenção para o maior problema: “Você pode se comunicar facilmente com um parente a mil quilômetros de distância do mesmo jeito que pode brigar com ele”.

Conteúdo banal é uma das maiores queixas dos usuários que utilizam os grupos - Imagem: Juliana Fernandez

Conteúdo banal é uma das maiores queixas dos usuários que utilizam os grupos – Imagem: Juliana Fernandez

Uma solução eficaz, que evita ter que sair do grupo e escutar os parentes perguntando o motivo, é a opção “silenciar por um ano”. Você continua recebendo as notificações mas apenas quando entrar no aplicativo, caso contrário, não será incomodado. Esse recurso do WhatsApp não é necessário para a cabeleireira Marli Soares Bucheler, que, diferentemente de João Cassiano, gosta muito desse novo jeito de manter contato com a família. Ela está no grupo desde março e, até agora, não teve nenhuma briga, bem pelo contrário. “Eu acho que aproxima a família. A gente está longe, mas com o Whats sentimos que estamos mais perto. O grupo descontrai, informa, auxilia quando alguém precisa de algo, troca receitas e atualiza a vida dos familiares”, diz Marli. Parte da família mora em Itajaí e antes eles se telefonavam no máximo uma vez por semana. Agora conseguem se comunicar todo dia através do grupo, que acaba sendo mais prático e barato. “Em algumas famílias, o aplicativo pode gerar brigas. Mas, se usar de forma correta, como a minha usa, une, sim, e o vínculo fica muito mais forte”, afirma a cabeleireira.

Integrados por avós, tios, primos, cunhados, pais – e, se fosse possível, alguns adicionariam os cachorros e papagaios -, os grupos familiares estão influenciando aqueles que não são da geração “Y” a ter um smartphone e o aplicativo de conversas. Porém, eles esquecem que não possuem tanta experiência com as novas tecnologias e isso vem afastando os jovens, assim como afastou muitos do facebook. Quando os mais velhos migraram para lá, os usuários de 16 a 18 anos passaram a utilizar aplicativos como o Snapchat, Twitter, Instagram e WhatsApp, que não eram tão conhecidos entre as gerações antecessoras. Agora, que as famílias tomaram conta dos grupos do WhatsApp, qual será o próximo caminho?

 

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