Depoimento: Débora Caroline Rodrigues

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Foto: Carla Raiter

“Fui submetida à manobra de Kristeller” 

Priscila Ribeiro dos Santos Jansen

Foi desejando um parto tranquilo que Débora Caroline Rodrigues, de 23 anos, procurou a assistência das enfermeiras do Hanami, equipe que auxilia gestantes durante a gravidez, dá suporte ao parto humanizado hospitalar e realiza partos domiciliares. Débora teve acompanhamento da equipe durante toda a gestação e teria o filho em casa, mas o que era para ser um momento especial, em família, de recepção ao filho que estava chegando, acabou se tornando um caso de violência obstétrica dentro de um hospital público conhecido por boas práticas de partos humanizados.

A mãe do pequeno Moisés, de 1 ano e 2 meses conta que teve complicações no trabalho de parto e precisou ir ao hospital. Durante toda a gravidez, estava ciente da possibilidade de ter o filho em uma maternidade caso não apresentasse as condições para um parto domiciliar. Escolheu o Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC). Ao chegar ao hospital, Débora sofreu os primeiros sinais de violência obstétrica. Ela conta que foi desrespeitada pelos funcionários do HU porque tinha optado pela assessoria do Hanami e precisou procurar a maternidade por complicações. “A enfermeira disse ‘Agora você vem, né?’, mandava andar rápido no corredor da maternidade porque o médico estava esperando e não tinha o dia todo. Não me ofereceram uma cadeira de rodas, nada”, desabafa.

Na sala de parto, Débora foi submetida a um procedimento prejudicial para a mãe e o bebê: a manobra de Kristeller, que consiste em uma compressão abdominal feita com as mãos pelo profissional obstetra, do fundo do útero em direção à pélvis, para acelerar a saída da criança do ventre da mulher. A prática é considerada violência obstétrica porque, além de gerar traumas psicológicos, pode causa dor, contusões, hemorragias, perda do útero, descolamento do períneo e outras complicações. Para o bebê, há risco de trauma encefálico, fraturas, paralisia, hematomas e lesões em órgãos internos.

Débora conta que depois do parto, lembrou-se do atendimento que teve no HU durante a gestação. “Na hora, eu nem me dei conta, mas agora, tocando nesse assunto de novo, lembro que me negaram agendamento de vários exames que tinham que ser feitos dentro de um prazo, de algumas semanas de gravidez. Insisti muito e consegui um encaixe na agenda. Lembro também de algo inusitado. Na minha primeira ultrassonografia, o médico não me mostrou o bebê na tela do equipamento. Meu marido viu, o médico, os estudantes de medicina que estavam ali viram, menos eu. Só nos exames seguintes que resolveram lembrar que eu estava ali e mostrar o meu filho”, recorda a mãe, que, na época do nascimento de Moisés, preferiu não denunciar as atitudes dos funcionários.

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