Do futebol profissional ao amador

Time campeão Citadino de 1947 (Arquivo pessoal do professor Mario Tonelli).

Time campeão Citadino de 1947 (Arquivo pessoal do professor Mario Tonelli).

O terceiro time da Ilha foi campeão em 1959

 – Ronaldo Fontana de Faria – 

Nas finais do campeonato catarinense de futebol de 2016 Chapecoense e Joinville foram finalistas, que somam 16 títulos estaduais. Há também os que foram rebaixados, Camboriú e Guarani da Palhoça, sem nunca terem ganhado o campeonato. O que pouca gente sabe é que há times que já chegaram ao triunfo de se consagrarem campeões e hoje nem existem mais ou seguiram apenas como futebol amador. É o caso do Paula Ramos Esporte Clube (PREC), que atualmente é uma associação desportiva, no bairro Trindade.

Fundado no ano de 1937, nas areias da Praia de Fora, onde atualmente é a Beira-Mar Norte, o clube foi criado com o propósito da prática da natação. Seu nome veio do local onde os fundadores faziam suas reuniões, o trapiche Vitorino Paula Ramos. Mesmo que a razão de sua fundação tenha sido a natação, o clube também se iniciou com um time de futebol amador, que seguiu até 1943, quando então se profissionalizou. Nos anos seguintes, em 1947 e 1948 o Paula Ramos foi bicampeão Citadino de Florianópolis, campeonato este que também era disputado pelos maiores clubes como Avaí e Figueirense.

Em 1948 o clube teve seu vice-campeonato estadual, maior conquista de seus 11 anos de fundação. Seu auge no futebol profissional foi em 1959, após 11 anos do vice, o time conquistou o título de maior catarinense, sendo campeão Catarinense do mesmo ano.

História

Um pouco da história do clube foi contada em entrevista do vice-presidente da atual gestão do Paula Ramos, Geraldo José Gomes, que contou como era time que fez história ao trazer o título catarinense de volta para a capital, após quase 20 sem times campeões na Ilha. Naquela época, o futebol não era nem perto do que é hoje em dia, a estrutura, mesmo nos principais do estado era longe de ser boa, e o Paula Ramos como tinha apenas 16 anos de futebol profissional, não podia ser comparado a qualquer grande time. Raros os jogadores do nosso clube que viviam apenas do futebol, muitos deles trabalhavam em outros serviços. “Em dias de jogos, não havia uma concentração, como nos grandes clubes, os presidentes dos clubes buscavam os jogadores em casa horas antes do jogo, em uma Kombi, todo mundo se ajudava, essa união fazia e fez a diferença para conquista de 59”.

A estrutura apresentada antigamente estava longe da ideal para um clube profissional, era algo mais parecido com um futebol amador, e foi a falta de estrutura que fez com que o time não continuasse a jogar de forma profissional. “Logo após o título, vários jogadores foram contratados por clubes maiores, tínhamos realmente montado um time forte, mas nada de contratações de fora, mesmo assim eram jogadores de habilidade, o que fez com que fizessem propostas que não podíamos cobrir para manter a estrutura que foi campeã e também a base da seleção catarinense de 1960”. O dinheiro falou mais alto tanto para os jogadores que foram jogar em times como Internacional de Porto Alegre, ou até mesmo em Avaí e Figueirense. “O nosso goleiro da época, o Gainete, começou a jogar futebol pelo Paula Ramos, estava no time campeão de 59, depois foi jogar no Inter do Rio Grande do Sul, e até no Vasco do Rio de Janeiro”.

Aquele time campeão começou a ser desmontado e o futebol do Paula Ramos foi deixando de ser profissional. Ainda conquistou os campeonatos Citadinos em 61, 62 e 64, mas nada como o histórico time de 59. Em 1969, o PREC deixou definitivamente o futebol profissional e passou a se caracterizar como um clube social, justamente como é até hoje. O professor de Educação Física e técnico de futebol dos times do Instituto Estadual de Educação, Mario Tonelli, mantém guardado alguns arquivos históricos sobre o Paula Ramos e vê o clube como um terceiro time em Florianópolis. “Seria um time concorrente de Avaí e Figueira se tivesse seguido o profissional no futebol, até muita gente fala como tendo seu segundo time o Paula Ramos.”

O futebol do PREC seguiu no amador, e isso era respeitado pelos adversários, conta Afonso Barbosa, segurança e ex-jogador de futebol amador. “Em 94, na época em que eu jogava pelo Fernando Raulino, a gente enfrentava o Paula Ramos, era um respeito de igual para igual e a rivalidade era normal, mas era um incentivo maior jogar para ganhar de um time que já foi campeão catarinense”.

O time do futebol do PREC se acabou com os anos, mas a modalidade continua até hoje, agora apenas apoiando as equipes de futebol society. Para Geraldo, dificilmente o Paula Ramos se torne novamente um clube profissional de futebol. “Vontade não falta, seria um grande sonho e teria uma grande aceitação, mas a parte financeira para um clube se tornar profissional é muito difícil, teríamos que analisar”. É o sonho de qualquer clube amador profissionalizar o seu time, mas o financeiro sempre é um dos empecilhos, para o clube da Trindade, que já faz parte da Federação Catarinense de Futebol, o sonho não está tão longe assim como para outros amadores.

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