Ilha do Campeche abriga história e diversidade ambiental

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 – Larissa Liz – 

Localizada há 1500m da costa da Ilha de Santa Catarina, a Ilha do Campeche é referência de turismo na capital catarinense. Muito além de um cenário perfeito para ilustrar uma foto nas redes sociais, o ponto turístico abriga um rico ecossistema e grande parte do patrimônio arqueológico e histórico do estado.  A Ilha possui mais de 100 petróglifos distribuídos em 10 sítios arqueológicos, nove estações líticas, monumentos rochosos e sítios de ocupação. Segundo pesquisas arqueológicas, o local possui mais inscrições rupestres que Florianópolis (a Ilha), a Ilha do Arvoredo e a Ilha das Aranhas, todas juntas. Entre os sinais deixados pelos povos antigos estão símbolos geométricos, flechas, zoomorfos, antropomorfos e as máscaras, também encontradas nos costões da Praia do Santinho.

O local está desde 1940 sob os cuidados da Associação Couto de Magalhães e, desde 2000, tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Estado (Iphan-SC), como patrimônio arqueológico, etnográfico e paisagístico brasileiro. A superintendente do Iphan de Santa Catarina, Cintia Costa Chamas, afirma que desde o tombamento são feitas renovações anuais, e desde 2003 são feitos acordos entre os grupos envolvidos para normatizar as atividades. Com um diferencial no ano de 2009, quando Iphan publicou a Portaria 691 regularizando as áreas da Ilha do Campeche. As normas abrangem o monitoramento dos passeios pelas trilhas, as visitas aos sítios arqueológicos até o envolvimento da comunidade nas atividades e visitações. Para isso, foi realizado um zoneamento da praia para a  conservação e uso da Ilha, conforme a imagem.  (Gráfico – Iphan-sc)

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Assim que as embarcações que fazem a travessia chegam à praia, monitores orientam os visitantes sobre as normas de conduta e de preservação da natureza que devem seguir. Mário Costa Jr trabalhou a ultima temporada inteira como monitor no local, e admite que o grande desafio que os monitores enfrentam é o de conscientizar os visitantes sobre a importância dos cuidados que devem ter durante sua estada no local.  Recolher e levar embora todo o lixo produzido, não interferindo na vida dos animais silvestres. Também é proibido acampar, fazer fogueiras, levar ou coletar animais, conchas,  plantas e subir nas pedras e costões nas extremidades norte e sul da praia. As trilhas e mergulhos são feitas somente acompanhados pelos monitores. Todas essas regras em prol da conservação do matrimônio. “Todo uso feito pelos visitantes foi pensado para que causa o menor impacto possível”, ressalta Mario.

“Nosso trabalho consiste, principalmente, em acompanhar os visitantes e orientá-los sobre como se comportar na praia, dentro d’água, nos costões e nas trilhas, buscando sempre proteger e preservar os ecossistemas e o patrimônio arqueológico”

A Ilha possui uma pequena praia com areia clara e fina. O mar calmo é comparado às águas do Caribe, por ter uma coloração quase transparente, o que agrada  visitantes de diferentes idades. As visitações acontecem todos os dias do verão, já a  permanência na praia é restrita aos horários de 9h às 17h e com lotação de 800 pessoas por dia.  Há apenas um restaurante que permanece aberto por todo o verão. A praia não possui lixeiras, por isso, se pede que todos recolham seus lixos e levem consigo. Durante a temporada há salva-vidas para a segurança dos banhistas. Em casos de emergência, o socorro é feio somente por barco ou helicóptero.

 

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Vegetação, Fauna e elementos exóticos

A Mata Atlântica presente na Ilha teve suas primeiras modificações com a chegada dos colonizadores. O principal foco era o pau-campeche, árvore que dá nome ao local, assim como o pau-brasil, que era utilizado para tingir tecidos.  Além do extrativismo, a vegetação deu lugar a plantações de alimentos, como a mandioca, a fim de alimentar os pescadores que ficavam na Ilha. Após o tombamento, o cultivo de plantas exóticas e a degradação por extração deram novamente espaço para a floresta ombrófila densa, que ocupa, hoje, cerca de 52 hectares. Este é o tipo de floresta que está presente, também, nos biomas da Mata Atlântica e Amazônia, possui vegetação de folhas largas, e frequentemente regadas a grandes e frequentes chuvas.

Com a ocupação da Ilha pela Associação Couto de Magalhães, foram inseridos alguns animais exóticos no local, para que servissem de alimento de caça os pescadores que, por conta do mau tempo, poderiam ficar ilhados. Também, a fim de exterminarem os escorpiões presentes na Ilha. Com isso, macacos, quatis, galinhas e patos passaram a fazer parte do ecossistema.

Por serem animais que não pertenciam aquele ambiente, a caça não atendeu à demanda, gerando um desequilíbrio. Com a mudança de objetivo da Associação de Caça e Pesca Couto de Magalhães para Preservação da Ilha do Campeche, os macacos e patos foram eliminados da Ilha. No entanto, os quatis ainda permanecem no local se alimentando não só de frutas e insetos, mas também de ovos de pássaros como o tiê-sangue, que está ameaçado de extinção.

Manter os visitantes e a comunidade inteirados das regras da Ilha é uma tarefa, às vezes difícil, mas sempre gratificante. O monitor Mário alerta sobre a importância do legado histórico e cenográfico do local. Afirma que, o que mais gosta na Ilha são os vestígios da ocupação humana, desde 5000 anos atrás. Nas inscrições rupestres e nas oficinas líticas, seu uso como ponto de apoio na época da caça às baleias, até os dias de hoje com sua beleza cênica. “A ilha do Campeche não é um patrimônio exclusivo nosso, pertence a toda humanidade. Nós temos o privilégio de viver aqui e podermos contemplar e usufruir com mais frequência. Mas, isso torna responsáveis por protegê-la e preservá-la, não apenas para o nosso usufruto, mas para que nossos filhos e netos também possam conhecê-la”.

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