O Samba como projeto social

Fabio_Roda de samba, foto - Jéssica Correa - Facebook - Reprodução

Grupo Bom Partido tocando músicas de seu repertório em apresentação feita nos bares da cidade. Foto: Jéssica Corrêa/Facebook (reprodução).

Estilo é um dos que mais ensinam nas comunidades e em experiências dos seus integrantes

 – Fabio Tarnapolsky – 

Um gênero musical que se popularizou no Brasil e tem um estilo único em cada região do país, que leva a história dos locais em suas letras e a cultura dos estados. Esse é o Samba. Frases melódicas combinadas com refrões trabalhados trazem para as comunidades de cada cidade brasileira alegria e oportunidades na música. Florianópolis também está nesse meio.

As comunidades e os bairros da capital catarinense têm no Samba projetos sociais, divulgação de arte e cultura e experiências de vida. Um dos músicos locais, conhecido como Dudu Kadência, vê a música como um fator fundamental na área. Ele cita três fatores como essenciais no papel que ela exerce: a inclusão social, a disciplina e o conhecimento. Para Dudu, as crianças se encontram na música da melhor maneira possível e não desviam sua conduta na vida.

Ele viu muitos amigos se perdendo nesse caminho e tem a vontade de oferecer a oportunidade que ele e seus colegas não tiveram, de aprender a música e a tocar os instrumentos com alguém. Na sua época, quem se interessava tinha que aprender sozinho e não havia projetos sociais como hoje. Na experiência própria, Dudu já viu o samba ajudar não só musicalmente. Ele cita as escolas de Samba, que “mantêm os projetos com as crianças, criando novos talentos, na escola e para a escola, juntamente com outros projetos de mestre-sala e porta-bandeira”. Isso é o que ele vê como maior ajuda do gênero, das academias e seus projetos sociais.

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Falando nas escolas, a união entre elas é o maior projeto social que envolve o Samba nas comunidades e na capital, voltados principalmente às crianças. As agremiações movimentam os bairros com academias de bateria e percussão. No Carnaval as regiões que envolvem as sedes das academias se integram na afirmação de identidades e culturas que os enredos trazem. Uma das mais conhecidas em Florianópolis é Elizabeth Brasil, mais conhecida como Beth Libânio. Ela acompanhou o início das festas carnavalescas na cidade e hoje coordena a ala das baianas da escola de Samba “Protegidos da Princesa”, apesar de não morar mais no morro onde foi criada. Trabalhou na Filhos do Continente, na Acadêmicos do Samba e na Copa Lord, mas depois retornou à Protegidos em 2000. A Princesa é sua vida e não vive sem o Carnaval. Esse amor e esse compromisso social são hoje passados de gerações para gerações.

Elizabeth Brasil é a Beth Libânio na comunidade do Samba e está há muitos anos nas escolas. Foto: Bruno Ropelato do ND

Elizabeth Brasil é a Beth Libânio na comunidade do Samba e está há muitos anos nas escolas.
Foto: Bruno Ropelato do ND

Na história do gênero, seu nome vem da mesma origem de “batuque”, termo dado para qualquer manifestação que reunisse canto, dança e instrumento dos negros, designando festejos. Esse termo foi usado na literatura colonial até o início do século XX. No século anterior, o estilo definia diferentes tipos de música introduzidos pelos escravos africanos, sempre seguidas e compostas por batuques. Um dos registros mais antigos da palavra “Samba” apareceu na revista O Carapuceiro, de Pernambuco, onde Frei Miguel do Sacramento Lopes Gama escrevia contra o chamado samba d’almocreve, ele não referia o estilo como gênero musical, mas a um tipo de dança popular dos negros na época.

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Em Florianópolis, a cultura do Samba é difundida através das clássicas rodas, todo sábado na travessa Ratcliff, um dos pontos mais tradicionais do centro da cidade, os artistas do grupo Bom Partido se reúnem no bar Canto do Noel. Eles apresentam músicas de um repertório que canta por si só a história do gênero, como Cartola, João Nogueira, Clara Nunes e o artista que dá o nome ao local, Noel Rosa. A banda já acompanhou artistas como Dona Ivone Lara e Bezerra da Silva em turnês pelo país, foi fundado em 1997 por um grupo de amigos que se reuniu com a proposta de resgatar e dar continuidade ao Samba feito com qualidade e paixão.

Pelo Brasil afora, nos tempos contemporâneos, surgem artistas que buscam se reaproximar do chamado samba de raiz, que se diferencia de estilos mais modernos como o Pagode. São os exemplos de Marquinhos de Oswaldo Cruz, Diogo Nogueira, Teresa Cristina e Grupo Semente, Casuarina, etc. Eles contribuíram para a reabilitação da região da Lapa, no Rio de Janeiro, um dos maiores pontos da boemia no Brasil. Em São Paulo o grupo Quinteto em Branco e Preto desenvolveu um evento chamado “Samba da Vela”, pelo qual seus participantes só cantavam músicas inéditas de compositores até então desconhecidos da cultura musical. Isso tudo ajudou no crescimento de novos grupos e a restauração do estilo criado nos primórdios dos séculos passados.

Exemplos não faltam para falar da importância, tanto histórica quanto moderna, desse gênero clássico na cultura e no social das comunidades. Em Florianópolis, as escolas de Samba e as histórias de pessoas como Dudu Kadência representam bem o impacto do estilo para a sociedade e o aprendizado mesclado com boas experiências para os mais novos e os mais velhos. No país inteiro, ele é visto com olhares de um projeto social em forma de música.

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