Para ajudar o meio ambiente, a palavra chave é reduzir

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 – Maria Teresa Mazetto –

Em uma ida ao supermercado nos preocupamos em lembrar tudo que precisamos para passar o mês: caixa leite, dúzia de ovos, 1kg de arroz, 1kg de feijão. Porém, se a compra do mês ou uma compra rápida feita durante a semana for analisada por outra perspectiva, estamos lidando com a produção de lixo de embalagens feitas de papel cartão, isopor e plástico. Ou, se trocamos nosso celular novo apenas para estarmos atualizados com as novidades tecnológicas, ignoramos a produção desnecessária de lixo eletrônico.

Uma reportagem publicada pelo jornal El País em outubro de 2015 aponta que, depois da água, a gestão do lixo seria outro motivo de crise no Brasil. Segundo o professor da USP, Ednilson Viana, são produzidas no país 80 mil toneladas de lixo, das quais 30 mil vão parar em aterros sanitários, que são considerados inadequados e representam um risco ao meio ambiente.

Esse acúmulo de resíduos em áreas inapropriadas gera consequências negativas para o solo, a água, a paisagem, o ar e também para o homem. A matéria orgânica em estado avançado de putrefação forma uma complexa mistura de gases, como o metano e o dióxido de carbono, que em contato com o sistema respiratório de seres humanos é capaz de causar danos irreversíveis. Além disso, a migração de chorume do lixo pode contaminar recursos hídricos e tornar a água imprópria.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do livro Modernidade Líquida, afirma que essa produção excessiva de dejetos é característica da sociedade de consumo estabelecida com a consolidação da globalização. Para o sociólogo, em uma sociedade consumista a prioridade não é acumular bens, mas descartá-los sempre em busca de algo novo e melhor.

Mas qual seria a solução para esse problema se existem coisas que nós precisamos consumir como as comidas citadas no começo do texto? Tem gente que já está pensando nisso e busca viver uma vida produzindo a menor quantidade de rejeitos possível. Uma dessas pessoas é a designer Cristal Muniz, criadora do projeto Um Ano Sem Lixo. Ela começou o blog em dezembro de 2014 e, desde então, vem mostrando como é o dia a dia de alguém que quase não produz lixo, dá dicas e compartilha links que incentivam uma vida “zero waste” – desperdício zero em inglês.

O projeto pode parecer difícil, mas Cristal afirma levar essa nova vida numa boa, e que suas maiores dificuldades são com os imprevistos. O conselho que ela dá é sempre se programar antes de sair de casa: “Eu sempre tenho comigo guardanapo de pano, talheres, sacola de pano e copo de aluminio. No geral, se tenho esses itens, consigo dar conta”. Para alimentação, ela opta por produtos vendidos a granel, assim pode levar seu próprio pote de vidro até a loja e evita o uso de sacolas plásticas. E não é só nos alimentos que ela economiza o lixo: pasta de dente, desodorante, hidratantes corporais são todos produzidos em casa. Geralmente uma mistura que junta bicarbonato, óleo de coco e algumas essências fica guardada em potinhos de vidro, substituindo todas as embaladagens desses produtos. Para limpeza da casa, o substituto ecológico preferido é o vinagre.

É importante ressaltar que não dá para jogar toda a responsabilidade em diminuir o desperdício em um grupo de pessoas que esquece que no Brasil, um país onde ainda existem pessoas com difícil acesso à comida, acontecem casos como 90 mil litros de leite sendo jogados fora.

Reduzir a produção de lixo (seja de alimentos, eletrônicos ou vestuário) é uma forma de tomar consciência das escolhas que fazemos na hora de comprar, e provar que em uma sociedade voltada para gastar, consumir conscientemente não é sinônimo de viver mal.

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