Rosa Linda e o sonho de ver seu sonho virar realidade

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 – Júlia Dariva –

Para quem é louco por televisão, é comum sonhar em, um dia, produzir sua própria série. Imagina só, todos os casais que você gostaria que tivessem sido canon ao longo da sua vida como fã, todos os arcos mal desenvolvidos e as premissas mal aproveitadas. Quando a série for sua, tudo vai ser melhor.

O sonho de ver sua história ir ao ar não é estranho a Bruno Silvano e Victor Locchi, donos do site e vlog de críticas de filmes e séries intitulado Namoro de TV. Bruno é natural de Florianópolis, formado em Letras – Língua Portuguesa e Literatura pela UFSC, e tem curso de Roteiro para Séries de TV pela Academia Internacional de Cinema em São Paulo. Em 2014, Bruno foi um dos vencedores do Prêmio FNAC de Novos Talentos da Literatura.

Victor nasceu em São Paulo, mas mora em Florianópolis para cursar Cinema na UFSC. Além disso, é técnico em Multimídia pela ETEC Jornalista Roberto Marinho. Bruno e Victor estão juntos há dois anos – razão para o nome do site, Namoro de TV. Juntos, eles desenvolveram o projeto Rosa Linda.

A ideia, conta Bruno, surgiu quando ele estava assistindo à RuPaul’s Drag Racereality show em que drag queens competem em diversas provas para ganhar o título de America’s Next Drag Superstar –, e pensando, “Seria tão legal ter uma história com uma drag queen fodona e assassina!”. Inspirado, Bruno decidiu escrever um conto sobre isso. O conto ficou lá, guardadinho, esperando o momento certo para ser usado. Quando Bruno resolveu cursar Roteiro para Séries, na Academia Internacional de Cinema, o conto virou ideia para série após o professor que lecionava a matéria pedir que cada aluno apresentasse três premissas distintas. A premissa criada por Bruno, da drag queen assassina, foi escolhida pelo professor e pela turma como favorita.

Depois disso, Bruno começou a trabalhar no arco narrativo completo, e Victor, na criação de personagens secundários e ambientação para o que viria a ser Rosa Linda. A série conta a história de Ronaldo, um homem gay por volta dos 30 e poucos anos que se apresenta todas as noites em um cabaré decadente como a drag queen Rosa Linda. Só que seu alter ego feminino é uma assassina. “É quase uma releitura moderna de O Médico e o Mostro na figura de uma drag queen”, diz Bruno.

“A série se passa nos anos 90, em São Paulo, por causa do ar de decadência que a nossa história pede”, acrescenta. “O centro de São Paulo seria perfeito para a ambientação de Rosa Linda. Quem conhece sabe todo o ar de decadência que a ele remete. Lá definitivamente seria a casa da nossa drag queen assassina”.

Bruno é um grande fã de Ryan Murphy – segundo ele, o trabalho de Murphy influencia muito sua escrita –. enquanto Victor gosta de Lana del Rey e da estética de seus clipes. Bruno acredita que Rosa Linda tem um pouco dessa junção. “Tem muito de American Horror Story, mas com ar de clipe da Lana, pensamos muito em ter a estética do curta dela Tropico na série, principalmente nas cenas de performances musicais”.

Para construir a história, os dois explicam que a primeira coisa a ser pensada é o enredo, que já inclui o personagem principal. Então, são pensados os personagens secundários, as subtramas, os conflitos que o protagonista tem de enfrentar para se desenvolver e impulsionar a trama, e o papel dos personagens secundários nesse processo.

Na criação dos personagens, houve um esforço em escrever personagens que acrescentem representatividade. “A gente sabe que a porcentagem de personagens que representam minorias de forma totalmente eficaz em séries de TV hoje em dia são mínimas, mesmo com as coisas mudando nos últimos anos e com uma crescente de personagens femininos, LGBTs e negros fortes, eles ainda são poucos, e vemos muitas representações erradas no meio desse caminho”, afirma Bruno.

Para Bruno e Victor, é muito difícil criar uma narrativa que não tenha uma mulher ou pessoa LGBT como protagonista. Apesar da popularidade adquirida pela figura da drag queen nos últimos anos por causa de RuPaul’s Drag Race e de sua grande presença e importância no meio LGBT, em representatividade na TV, a drag queen ainda é uma figura bem marginal.

Segundo Bruno, quando se tem um projeto pronto – que inclui ideia da primeira temporada completa, perfil de todos os personagens, detalhamento do que acontece em cada episódio, ideia para uma segunda temporada, entre outros –, ele é levado à Biblioteca Nacional e registrado. Depois disso, começa o que Bruno e Victor descrevem como a parte mais difícil: vender a série. Bruno explica que não se chega direto nos canais de televisão – ao invés disso, tem de se procurar produtoras. Mesmo com o aumento na demanda de séries de TV nacionais, diz ele, ainda é bastante complicado.

“Muita gente ainda tem preconceito com séries nacionais, o que abaixa a demanda”, comenta. “Outra coisa que dificulta é não sermos conhecidos no mercado, é a primeira série que estamos tentando vender, o que gera certo medo de muitos produtores, que preferem investir em quem já tem nome no mercado”.

Além disso, outro desafio citado por Bruno é que Rosa Linda é uma narrativa de nicho – uma série de terror e suspense voltada principalmente para um público LGBT.

Mesmo com as dificuldades, Bruno e Victor esperam o retorno de uma produtora que pré-aprovou sua série e, enquanto isso, o projeto está passando por alguns produtores executivos para ver se algum tem interesse em tirar o projeto do papel.

Os interessados pelo projeto podem conferir o conto Rosa Linda, disponível na Amazon.

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