História também é uma forma de esporte

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 – Eduardo Garcia Alves –

A Idade Média muitas vezes é retrata como época de muitas batalhas, cavaleiros, nobreza, espadas, algumas vezes até com magia, principalmente por Hollywood. Os filmes trazem histórias cheias de bravura junto de personagens que se tornaram lendas através dos tempos como Robin Hood e Lancelot.

Tudo isso acaba gerando interesse por algumas pessoas que buscam cada vez mais conhecimento sobre a época. É o caso do Scam (Sistema de Combate e Artes Marciais Medievais), um grupo de estudos da Universidade Federal de Santa Catarina focado nesse período. Fundado em 2002, o Scam tem o objetivo de estudar os cavaleiros medievais e guerreiros de épocas passadas, recriando técnicas e equipamentos, prezando acuidade histórica e segurança, mas adotando uma metodologia dinâmica para a prática nos nossos dias como forma de esporte.

“A gente começou como grupo de estudos e desenvolveu esse aspecto das lutas para tentar reviver a forma, um pouco rústica, da época para ter uma noção mais precisa do que a gente estava estudando”, conta Anderson Tsukiyama, fundador e atual coordenador, O Scam começou no curso de História e hoje agrega quem busca o conhecimento da época antes do descobrimento do próprio Brasil.

Entre as modalidades do grupo, as principais são Arquearia e Combate com Espadas, a primeira mais técnica e a segunda exige mais do contato físico. Na arquearia é posto um alvo com 50cm de raio a uma distância de 15 a 20 metros, quanto mais ao centro melhor a pontuação, assim como no esporte oficial das olimpíadas. No combate com armaduras leva um processo maior para ter o confronto, primeiro o treino é feito com espadas com almofadas para evitar acidentes. Depois o treino é com espadas de ferro, mas em alvos fixos, como pedaços de madeira para ganhar costume com o peso do sabre e, por fim, o treinamento com adversário já com armadura.

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Todo o equipamento, desde armaduras até as armas de combate é totalmente produzido pelos integrantes do Scam e vem rendendo frutos para quem participa. o grupo já participou de competições internacionais de combate medieval, como o Torneio Sul-Americano de combate medieval. “A gente sempre busca se aperfeiçoar no que faz, além de manter contato com o pessoal  de fora e também não é todo o brasileiro que se dá ao luxo de poder bater em um argentino, de brincadeira é claro, mas é legal ver essa rivalidade de uma forma saudável”.

Além da prática esportiva, o Scam também promove palestras e seminários pelo estado e a prática está longe de ser apenas uma “pancadaria com espadas”. Os integrantes do grupo seguem os preceitos dos cavaleiros medievais com o código nobre, que era a filosofia de vida dos homens da época. “A origem não é muito conhecida, mas a representação é muito forte”, relata Tsukiyama. São basicamente sete orientações para o Scam: Um cavaleiro demonstra valor pelos seus atos, sua palavra é sua honra. Não faz promessas levianas e sempre cumpre o que promete. A coragem faz parte do seu ser, sabendo a diferença entre coragem e estupidez. Deve ser justo, assim como misericordioso. É humilde, vendo as glórias dos outros antes das suas. Sua força é para ajudar os mais fracos e respeita a verdade, seus amigos, sua família e o seu país. “Todos esses ideais a gente sempre reforça antes de cada treino e a galera realmente se empolga e leva a sério, não fica como algo só da boca para fora”.

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