Na capital mais saudável do Brasil, se exercitar é para quem tem

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 – Isadora Vicente –

Florianópolis, segundo um levantamento feito pelo Ministério da Saúde, é a capital brasileira que tem mais habitantes que se alimentam de forma saudável e praticam atividade física regularmente. Já se sabe que fazer exercícios reduz as chances de desenvolver uma série de doenças, como hipertensão, infarto, câncer de mama e depressão. Dentre outros benefícios, quem se exercita também alivia o estresse, melhora a força muscular e a resistência física e controla o peso. Há um fator essencial à prática de exercícios: a existência de espaços adequados a esse tipo de atividade.

No início de maio deste ano, uma pesquisa desenvolvida pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis, mostrou que a construção de espaços públicos pode contribuir para o aumento da prática de atividade física da população. Após sete anos de análise, um grupo de pesquisadores concluiu que as pessoas que moravam mais próximas a um local adequado passaram a fazer mais atividade física. O pesquisador Jóris Pazin, autor do estudo, destacou a importância de elaborar políticas públicas que garantam o acesso a esses locais para a maioria das pessoas e de distribuir os espaços ao longo da maior quantidade de áreas possíveis. “A construção desses espaços pode estimular de fato as pessoas a fazer mais exercícios e isso impacta diretamente na saúde da população, pois já foi provado que a prática de atividade física é um fator preventivo contra uma série de doenças”, reforçou Pazin.

A estudante de direito Nilsa Gaona, 20, faz parte do grupo que não fazia atividades físicas por falta de espaços apropriados. Nilsa morava na Vargem Grande, no Norte da Ilha, próximo a uma rodovia movimentada e longe de academias. Depois de se mudar para o Itacorubi, passou a caminhar três vezes por semana, durante uma hora. “Agora me sinto bem estimulada porque posso ir a pé para a academia e tem muita gente que faz exercício por aqui. Ver outras pessoas praticando exercícios me anima porque sinto que não é perigoso”, enfatizou.

A segurança é um dos fatores chamados de barreiras, como explica a professora de educação física Adriana Coutinho Guimarães. “Na atividade física a gente tem as barreiras e os facilitadores. O fato de a gente ter um espaço próximo a nossa casa, por exemplo, serve como um facilitador”, explica. A professora conta ainda que se o local for bem cuidado e tiver boa estrutura, iluminação e segurança, mais pessoas sentirão vontade de usufruir desses espaços.

“Tudo o que é longe acaba sendo uma barreira. Ter que tirar o carro da garagem para ir até a academia ou à Beiramar Norte, muitas vezes já é um obstáculo para fazer atividade física. Mas se a pessoa acorda de manhã e em dois minutos está em um parque ou academia adequados para a atividade física, facilita muito”, argumenta.

Esse é o caso da estudante de medicina Bruna Loch Rossoni, 20. Ela, que morava no bairro Rio Tavares, no Sul da Ilha, passava o dia inteiro no centro e entre as aulas e o trabalho chegava em casa muito tarde, “sem condições físicas ou mentais de fazer esportes”. Agora, morando na Beiramar Norte, Bruna passou a praticar uma hora de corrida todos os dias. “Mudou completamente a minha rotina. Porque eu ganhei duas horas que antes perdia no trânsito e tenho acesso extremamente fácil a uma estrutura que atende qualquer um que queira fazer exercício. Antes não dava tempo, eu estava estressada e cansada. Agora eu só chego em casa, boto a roupa e vou correr porque ainda são seis da tarde”, relatou.

A professora Adriana explica que, em Florianópolis, os espaços que servem para a prática de exercícios físicos estão em bairros estratégicos. “Aqui temos o Parque de Coqueiros, em Coqueiros. É um local privilegiado, próximo ao mar, com uma infraestrutura muito boa, tem academia, quadra de esportes, pista de caminhada. E é um bairro de classe nobre”, exemplifica. Adriana cita também a Beiramar Continental, no Estreito, a Beiramar Norte e o horto florestal, no Centro e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Trindade. Toda a estrutura da universidade, que inclui quadras de tênis, campo, pista e piscinas é aberta ao público. “Fora esses lugares, não há espaços alternativos. A Beiramar de São José é muito perigosa. Já ouvi pessoas reclamando de assaltos”, observa a professora.

Para Adriana, faltam políticas públicas e planejamento por parte da Prefeitura. Ela cita o caso da Europa, em que há ciclovias e a bicicleta funciona como meio de transporte para a população. “Falta muito essa coisa da mobilidade. A mobilidade tem que estar casada com a prática da atividade física e acho que, às vezes, não há esse diálogo. As pessoas querem usar menos os carros e fazer mais atividade física, mas tem que haver estrutura para isso. Como é que a população vai fazer sem estrutura?”, conclui.

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