Lazer e conscientização

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Falta de conscientização no Morro do Cambirela exigiu ação de voluntários

 – Manuella Mariani – 

Fugir da rotina, aliviar o estresse e recarregar a energia em meio a um ambiente natural está sendo a opção de muitas pessoas, principalmente de grandes cidades, que desejam sair das ruas movimentadas e procurar uma estrada de terra em meio à mata.

Nos últimos anos tem aumentado a procura por trilhas ecológicas ou trekkings, uma atividade de percorrer em caminhos naturais, em contato com a natureza, realizado tanto na forma de lazer como em competições. Mas por falta de orientações, conversas com especialistas, algumas pessoas seguem o caminho entre a floresta sem pensar nas consequências.

O lixo é uma das maiores reclamações, principalmente de guias, quando avistam o caminho ou o ponto de chegada às montanhas. São papéis, latas, garrafas, restos de comidas e algumas coisas absurdas como fogareiros, lonas e resíduos de barracas quebradas.

O montanhista Silvio Adriani Cardoso alerta que se seguir uma trilha corretamente é necessário ter alguns cuidados como não cavar valetas ao redor das barracas, levar embalagens e trazê-las de volta, não queimar e nem enterrar o lixo, evitar fogueiras que enfraquecem o solo e se for cozinhar, utilizar fogareiro próprio de acampamento.

A região de Santa Catarina é muito procurada por seus morros e possui características essenciais para admiradores da natureza. Em Palhoça, quase 70% da sua área é composta pela Mata Atlântica, pertencente ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. O ponto culminante do parque fica a 20 quilômetros de Florianópolis. É o Morro do Cambirela. Com 1.043 metros de altitude, proporciona vistas maravilhosas para aqueles que se aventuram a subir suas trilhas.

Do seu cume é possível contemplar pontos importantes da região, tais como a Ilha de Santa Catarina, os municípios de Palhoça, São José e Florianópolis. É muito comum ver pessoas subindo e explorando o morro e, durante o trajeto, não há nenhum tipo de informação sobre a dificuldade da trilha, cuidados para asua  preservação ou até pontos de coleta de lixo. É corrente encontrar resíduos no trajeto.

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O trabalho voluntário

Michel Santos trabalha como guia de turismo em trilhas pela região da Grande Florianópolis. Recebeu a proposta de seu colega Rafael Bion para realizar uma limpeza no morro, totalmente voluntária. Fizeram uma mobilização para que houvesse mais colaborações de outros voluntários e partiram para a trilha. Saíram numa quarta-feira à tarde, montaram suas barracas, dormiram no local e bem cedo iniciaram a limpeza.

O trabalho começou com quatro membros. Cerca de 150kg de resíduos foram coletados, entre eles foram encontradas grelhas usadas para churrascos, vidros, papel e o que mais dominou foram as garrafas. Esse material é muito perigoso e afeta diretamente o solo, o ar, a água, os animais e, consequentemente, o ser humano.

“Essa ideia de limpeza a gente sempre tem na cabeça, principalmente os guias de trilha. Se alguém tiver a intenção de ajudar e se no final de semana alguém for fazer trilha, é sempre bom trazer um lixinho a mais do que está levando, assim já estará ajudando bastante na preservação da montanha”, ensina Michel.

Um trabalho como esse, que houve um volume enorme e muitos quilos de lixo, era impossível carregar tanto peso nas costas, ainda mais em um trilha íngreme, que exige concentração e leva em torno de quatro horas para a descida. Os voluntários buscaram o auxílio do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. O Comandante João Batista e sua tripulação organizaram e montaram estratégias para executar o trabalho enquanto Michel e Rafael esperavam no pico do Cambirela.

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Sargento amarrando os sacos na rede para ser levada.

O dia era desfavorável e as nuvens cercavam o morro que impediu o pouso do helicóptero. Sobrevoavam com a expectativa de que as nuvens fossem passageiras, mas infelizmente a missão foi abortada. O lixo foi deixado amarrado junto às pedras no topo e a dupla desceu antes de anoitecer.

Segundo o Comandante João Batista, todo esse trabalho envolve custos que são pagos com dinheiro público e se cada um auxiliasse e trouxesse o seu lixo, esse custo não seria para cada um de nós contribuintes.

Marcada para um dia de céu azul e pouca ventania, os bombeiros seguiram novamente para o Cambirela retirar o lixo. Apesar de não haver espaço ideal para pouso, foi possível chegar ao local e retirar os resíduos. O trabalho foi feito em poucos minutos e enquanto o sargento amarrava os sacos na rede que carregaria a carga, o helicóptero sobrevoava a espera. Em seguida, os sacos foram levados até um lugar seguro onde a empresa Proactiva Meio Ambiente, de Palhoça, se encarregou pelo recolhimento.

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