De aproximação com a PM ao uso de drones: As saídas da reitoria para resolver o problema de segurança no campus da UFSC

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 – Felipe Sales e Manuella Mariani –

“Fui assaltada no estacionamento às 13h30 em plena luz do dia. Levaram meu celular e me machucaram. No momento não encontrei nenhum segurança por perto”. “Eu não me sinto protegido na UFSC”, assim descrevem muitos alunos da Universidade Federal de Santa Catarina, em relação à sua segurança no campus Trindade, em Florianópolis. Quem mora nos arredores da Universidade e estuda no período noturno, sente-se mais inseguro em relação a assaltos e abordagens, do que quem caminha de dia pelo campus.

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Em pesquisa realizada com a comunidade acadêmica por redes sociais, obtendo 66 respostas anônimas, os seguintes dados foram levantados pelo Blog do Quatro:

– 87,9% disseram que já foram assaltados no campus e 12,1% não foram assaltados.

– 8,7% das pessoas assaltadas buscaram a Deseg; 30,4% a Polícia Militar e 69,6% não solicitaram ajuda.

– Em relação à segurança, 74,2% não se sentem protegidos na UFSC; 22,7% sentem-se um pouco e 3,1% acham-se protegidos.

– Entre os bairros que cercam o campus, o maior índice de assaltos foi registrado, segundo a pesquisa, com 10,6% no bairro Trindade; em segundo na Carvoeira com 9,1%, seguido do Pantanal com 3%; outros bairros receberam 3% das respostas e 81,8% que responderam não foram assaltados.

– Por fim, 84,8% das respostas andam com preocupação a noite pelos bairros da UFSC, 13,6% às vezes e apenas 1,6% não tem problemas ou medo.

Assim, assaltos à mão armada, abordagens durante o dia, no ponto de ônibus, após Happy Hour e invasão à domicílio foram relatados pela comunidade acadêmica.

 

A segurança do campus

A UFSC possui sua própria segurança interna. Criada com o nome de Departamento de Segurança (Deseg), em junho deste ano, por decisão da Reitoria, o órgão recebeu o nome de Secretaria de Segurança Institucional, mantendo a sigla Deseg. Segundo a Administração Central a troca de nomes aconteceu para fortalecer as políticas de segurança da Universidade.

Uma das principais polêmicas envolvendo o órgão é a sua exata responsabilidade. A estudante do curso de fonoaudiologia, Clara Machado conta que já teve objetos seus furtados na Universidade e que na hora de procurar ajuda na Deseg recebeu como resposta: “Estamos aqui para fazer a segurança patrimonial”. A resposta ouvida por Clara contrasta com a definição de responsabilidades da Secretaria no estatuto da UFSC que é: Ser responsável pela proteção dos estudantes, servidores técnico-administrativos, professores e patrimônios da Universidade.

O diretor do órgão, Leandro Luiz de Oliveira reconhece que a fala que a estudante de Fonoaudiologia ouviu se repete em muitos outros espaços do campus. “Durante muitos anos se propagou essa ideia de que nós fazemos apenas segurança patrimonial, mas cada vez mais eu tento fazer a equipe perceber que nossa maior preocupação são as pessoas, se não for isso, podemos fechar a Secretaria, porque não adianta protegermos prédios e não quem os usa”.

Porém, além do contraste entre a fala dos seguranças do campus e seu diretor, há divergências no entendimento da função da Deseg por parte do maior órgão administrativo da Universidade, a própria Reitoria. Em entrevista ao Blog do Quatro o Chefe de Gabinete Áureo Moraes afirmou que a função da secretaria é apenas a proteção ao patrimônio público: “O Leandro ou a Deseg não fazem segurança pessoal, a gente tenta manter as instalações da Universidade sob segurança para que as pessoas possam circular por aqui”.

Em meio a esses desencontros sobre a real função da Secretaria de Segurança da UFSC há o problema do quadro de funcionários contratados pela Reitoria para cuidar da segurança das áreas da Universidade e que desde 1994 não é alterado. O  efetivo é de apenas 38 pessoas. Com o exponencial crescimento tanto da Universidade como dos bairros no entorno a solução foi contratar terceirizados para a segurança. Hoje já são 186, e junto com os servidores efetivos, os 244 seguranças precisam se dividir entre o Campus Central no bairro Trindade, o Campus de Ciências Agrárias (CCA) no bairro Itacorubi, o Laboratório de Moluscos e de Camarões Marinhos da UFSC na Barra da Lagoa, a Fazenda Ressacada (local de estudos para alunos do Centro de Ciências Agrárias) no bairro Tapera, o Morro da Cruz onde ficam instaladas antenas da TV UFSC, a própria sede do canal no centro da cidade, a Secretaria de Ensino a Distância e o Laboratório de Peixe de Água Doce no Sul da Ilha. Todas as áreas de responsabilidade da UFSC em Florianópolis.

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Vigilância

A estratégia tomada desde e gestão passada da Reitoria (Roselane Neckel) tem sido ampliar o número de câmeras de vigilância. Para cuidar do campus central, que possui uma área de 1.140.000 m² são necessárias 1.155 delas. Outra medida que a reitoria tomou foi o corte de árvores na área da UFSC na Trindade, para possibilitar uma maior identificação de infrações e de infratores nas áreas externas.

“A intenção não é transformar o campus em um grande Big Brother, não, isso é pra garantir que a gente possa fazer uma ação de segurança e mesmo provar que ela aconteceu”, defende Áureo Moraes. E nas palavras de Leandro a intenção é aumentar ainda mais a vigilância, já que a Reitoria está em processo de aquisição de drones para promover um projeto de vigilância compartilhada.

“Por exemplo, se um estudante sair do Centro de Ciências Humanas (CFH) a noite e o pai ou a mãe se sentir inseguro, com o número de matrícula desse filho ele vai poder acessar as imagens do nosso drone e talvez até acompanhar o filho até a saída do campus”, afirma Leandro. Para a Deseg falta apenas a conclusão do processo licitatório para a compra dos equipamentos e para sua regulamentação com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que normatiza o uso dos drones no país.

Ministério Público e Polícia Militar

Para a Administração Central da Universidade umas das medidas que mais ajudaram a diminuir casos de violência no campus foi a proibição de festas realizadas dentro da UFSC. A medida tomada em julho deste ano aconteceu em decorrência de uma recomendação do Ministério Público (MP).

Leia a carta de recomendações na íntegra

As recomendações em tom de obrigação, já que pedia 30 dias para que a Reitoria apresentasse soluções para a segurança, foram assinadas pelo Procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra vieram logo depois de uma festa promovida pelo Centro Acadêmico Livre de Jornalismo (CALJ). Um happy hour planejado para acontecer com poucas pessoas e para juntar recursos para estudantes do curso que pretendiam ir para o Enecom (Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação), em Fortaleza (CE). acabou atraindo uma quantidade incalculável de pessoas. Na festa houve registros de roubos, agressões e de ao menos um ferido vítima de espancamento durante um assalto.

18 alunos do curso de jornalismo foram responsabilizados com a abertura de um processo disciplinar e juntamente com a medida a reitoria recebeu um documento do MP pedindo soluções para a segurança no campus e para o fim das festas que deveriam ser promovidas em até 30 dias. Desde então, Leandro de Oliveira contabiliza uma queda de 90% das ocorrências registradas no campus. Um levantamento informal feito pela Deseg mostra que no período entre março e junho foram realizadas 37 festas (incluindo happy hours) dentro do campus, gerando 27 ocorrências na Deseg por furto. Logo após a proibição de festas, entre julho e setembro aconteceram 4 festas e foram registradas 4 ocorrências relatando furto.

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Aproximação

A nova gestão do reitor Luiz Carlos Cancellier e Alacoque Lorenzini, que desde o período de campanha mostrou-se mais aberta em relação à aproximação da Universidade com a Polícia Militar de Florianópolis, depois da carta de recomendações do MP convocou o tenente coronel Marcelo Pontes do 4º Batalhão da Polícia Militar para iniciar as tratativas para formação de um acordo de cooperação técnica entre PM, Deseg e Reitoria.

“A universidade tem uma estrutura própria de segurança e essa estrutura vai ter que contar com o apoio da Polícia Militar, da Polícia Civil e Federal. Cada uma das três polícias em sua competência. Então se a gente tiver uma ocorrência com relação a patrimônio da Universidade ou que atinge o servidor público, é competência constitucional da Polícia Federal de fazer investigação ou fazer inquérito. Se tiver um furto de equipamento de terceiro, veículo ou bicicleta, é da Polícia Civil”, disse Leandro Oliveira, sobre o termo de cooperação.

O tenente coronel relatou que a equipe teve um bom diálogo com a reitoria e o Departamento de Segurança, mas que não atuam dentro do campus, somente em caso de flagrante ou algum crime solicitado pela Deseg pedindo apoio e então, atendem a ocorrência. Mas não costumam realizar policiamento extensivo ou ronda, dizem que isso é prioritário da UFSC. “Respeitamos a limitação da área, também por ser uma área federal, então quem atua lá é a Polícia Federal ou a própria segurança do campus. A cooperação técnica é como um convênio, as partes entram em acordo e ali transferem responsabilidade um para o outro”, completou.

O acordo está sendo planejado pela reitoria desde julho e ainda não há prazos de assinatura nem de termos de contrato. Áureo Moraes, Chefe de Gabinete da reitoria afirma, porém, que o acordo não deve visar apenas um maior envolvimento da Polícia Militar no campus: “Pode haver espaço para formação de policiais na Universidade, um possível programa de ampliação de ofertas de vagas de pós-graduação, pode ampliar no edital de vagas que possam ser usadas por policiais em formação. Há várias ideias. A ideia principal é manter uma aproximação com os órgãos de segurança pública, não só apenas quando houver uma ocorrência”.

Vizinho Solidário Interativo

Uma nova tática de ajuda estabelecida pela Deseg e Polícia Militar, é a criação de um grupo na rede social ‘Whatsapp’, chamado de Vizinho Solidário Interativo (VSI), com cerca de 48 pessoas da secretaria de segurança e da PM. No grupo há troca de informações, de imagens ou notícias de algum furto. “Se por exemplo, o assalto foi cometido em algum bairro de Florianópolis, alguém informa no grupo, se possível com imagens do meliante e nós ficamos de olho para que ele não circule aqui nos centros da UFSC, assim como nós também enviamos fotos de alguém que furtou algo, direto pelo grupo para a PM localizar e possivelmente prender o assaltante”, disse Leandro.

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Em caso de emergência

Um dos problemas da falha na segurança da UFSC é quem procurar em caso de assalto e abordagem. O Departamento de Segurança não possui um telefone de emergência, então é muito mais prático e rápido discar o 190 e ser atendido pela Polícia Militar. Porém, é aconselhável primeiro buscar ajuda na Deseg, pois contam com um grande quadro de câmeras na Universidade, que facilita o reconhecimento do meliante através de imagens e qual direção ele tomou, para que então, entre em contato com a PM, repassem os dados coletados e façam uma perseguição.

O importante é recorrer a ajudas, pois muitas vezes quem comete o assalto já é conhecido por outros furtos, então facilita a operação.

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